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domingo, 8 de fevereiro de 2015

Chuvas e Miséria




Essa é a época mais triste do ano em quase todo o Brasil.Milhares de pessoas desalojadas pela avalanche das chuvas que tomam conta do nosso Rio de Janeiro.O pior é que isso acontece todos os anos e a tristeza envolve milhares de famílias que não têm para onde ir. As autoridades anunciam que as pessoas devem sair de suas casas e a pergunta que não quer calar é: Para onde?
Será que depois de tantos anos não compreenderam que precisa ser feito um trabalho de prevenção? Meu Deus, será mesmo que a vida humana está banalizada a tal ponto que os responsáveis por este país não se preocupam com isso?
Será mesmo que não entendem que a vida é finita demais e precisa ser realizada alguma coisa para que nossos concidadãos não enfrentem esse desespero? E que cargo, poder e tudo mais que encanta as autoridades desse país, nada valem diante de uma vida humana?
Não basta a miséria, a fome, a violência, o preconceito, a insegurança? Não basta que a educação e a saúde estejam num patamar tão baixo a ponto de muitas pessoas não terem acesso a elas? Até que ponto querem martirizar os cidadãos desse país, trabalhadores que procuram educar seus filhos e viver uma vida minimamente digna?
Uma vida humana é muito mais importante do que carnaval e Copa do Mundo. Nâo entendem isso? Não compreendem que não podemos ter paz sabendo que pessoas como nós estão desesperadas almejando pela tranquilidade de suas casas destruídas com a chuvas aterradoras que caem todos os anos em Janeiro?
Sim vamos vibrar com a legítima festa folclórica de nossos país e com a vitória de termos conseguido a sede da Copa no Brasil. Mas antes disso precisamos olhar, lutar, gritar, pedir ajuda para essas milhares de pessoas e famílias desesperadas ao constatarem que estão sem abrigo e jogadas ali em meio à destruição.
Quando assisto a essas reportagens sobre o que está acontecendo em consequência das chuvas, fico imaginando como sou egoísta nesse momento em que nos divertimos enquanto  pessoas morrem e a única coisa que desejam é sua casinha para abrigar a família e da qual estão sendo enxotadas pelo mau tratamentos de condições necessárias para que permaneçam lá.
A vida é uma só, todo o resto é possível reestruturar menos a presença nesse mundo depois que nossos olhos se fecharem.
O mundo inteiro está cada vez mais apaixonado pelo poder, pela fama, pelo dinheiro, esquecendo que nada vale, diante do curto espaço de vida que temos para usufuir, ser felizes e cumprirmos nossa missão e que está sendo abreviado pelo excesso de individualidade e indiferença, elementos letais que ultrapassam todos os bens do mundo.
Vamos novamente pedir às nossas autoridades que lembrem um pouco da vida daqueles que de uma forma ou outra dependem de sua competência e dedicação. É quase utópico falar dessa maneira, mas nós que escrevemos que podemos transmitir alguma coisa ainda temos esperança que as futuras gerações possam ser tocadas pelo dom da solidariedade, do amor e do entendimento que enquanto os seres humanos não se unirem a vida será amarga e  dolorosa.
Na minha opinião  os gastos desmesurados e a exorbitância de valores gastos com propaganda seriam suficientes para a prevenção desses acidentes e naturalmente o atendimento das necessidades básicas do povo que sofre.
Vânia Moreira Diniz

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Maravilhosos Heróis





Fui criada familiarizada com os médicos. Cresci no meio deles. Meus tios, meu avô o eram e aprendi o toque mágico que significam suas mãos e a ciência que dominam.

Mas assim como a maioria deles é maravilhosa (diga-se de passagem), poderão também significar no sentido negativo (e são raros) a descrença na vida, o desespero e até a morte. E é por isso que o rigor deve ser levado a sério acerca de tão importantes e ilustres profissionais.


Vemos hoje especialmente médicos que indiferentes ao sofrimento dos outros deveriam desertar de sua própria profissão. Não é só ter talento, estudar, fazer doutorado, defender teses, ser senhor absoluto em seu campo e serem chamados de Doutor.

Mas é tudo isso aliado à humanidade, à generosidade. Sem esses elementos não se conseguirá um médico no sentido amplo da palavra.
Acho que são justamente relações humanas e amor que as faculdades de medicina deveriam ensinar como matéria básica e tentando extrair os sentimentos intrínsecos que existem dentro de cada estudante.

Isso não é só importante nessa profissão, é claro, porém é justamente nela que se lida com o ser humano frágil, doente, necessitado, carente e muitas vezes desesperançado.

E hoje vemos com muito maior frequência a frieza entre os seres humanos. Isso já é por si só algo que deveria ser pacientemente ensinado desde a infância iniciando nos primeiros anos e não finalizando jamais.
Retornando ao assunto principal, os médicos são as pessoas que mais influenciam a vida de uma pessoa ou seja a população em geral. E eles sabem disso.

Quando se formaram fizeram o juramento de Hipócrates e nele se incluem todos esses elementos. Têm a obrigação de cumpri-lo em toda a extensão da palavra.
Portanto aqui o protesto ao profissional da área de saúde que é capaz de usar frieza, inconstância, aparente indiferença no trato com seus clientes, principalmente com aqueles que carecem de assistência negadas pela própria vida.

Eu me recordo há muitos anos que os médicos de família iam à casa de seus clientes e isso era um conforto na hora de uma doença dolorosa.

Lembro-me a triste circunstância de uma criança que eu vi sofrer desesperadamente com “nefrose”. Suas dores eram imensas, os pais tinham dinheiro, nível social elevado e cultura invulgar. E mesmo assim o conforto de médicos dedicados os livrou do desespero total. A assistência especial e afetuosa dos profissionais não deixava que eles caíssem em depressão ou angústia profundas.

Sei que os médicos têm família e vida própria, mas já que escolheram a medicina são mais missionários do que outra coisa qualquer. Muitos realmente são. Mas, e os poucos que não querem pensar que a vida deles é diferente? Mas é. Mesmo que não queiram e neguem essa afirmativa. Tem que ser diferentes pela própria natureza do que fazem.

Para que a classe tão merecedora não seja desprestigiada quero lançar um protesto àqueles que ainda não compreenderam isso.Ainda que seja em tempos modernos, na atualidade difícil, na vida complicada de uma cidade conturbada os médicos são pessoas peculiares cuja obrigação principal é senão tirar ou remover doenças (isso por vezes é impossível, humanamente falando), mas dar consolo e ter predominantemente o sentimento de ternura como base de sua estrutura.

Competência e humanidade. Bases do profissional perfeito.
Não consigo entender o médico que não se comove com a aflição alheia, mesmo que esteja acostumado ao sofrimento.

Desejo, no entanto fazer uma homenagem à maioria dessa extraordinária categoria, os heróis verdadeiros (e eu conheço muitos) que mesmo à sombra realizam o maior trabalho que alguém pode executar. Quero agradecer em nome de uma população que se conforta ao encontrar no caminho de sua existência esses heróis, que batalharam durante toda uma vida conhecendo, pesquisando, estudando e carregam com essa bagagem o amor, a solidariedade, a compreensão e uma humanidade que só eles são capazes.

Não obstante a luta, os dias cansativos e tensos, os clientes irritados, o sacrifício da família e dos amigos e de toda uma vida dedicada. A despeito da ingratidão, das noites insones, do desconforto, das cenas dolorosas, das consternações abundantes. Apesar de tudo eles continuam fortes, magnânimos e imprescindíveis. Aos heróis, o nosso agradecimento.

terça-feira, 26 de março de 2013

Jesus, Deus ou Filósofo?


Jesus , Deus ou filósofo?



Imagino que Jesus além de seus dotes de beleza , perspicácia e uma intuição gerada pela inteligência incrivelmente privilegiada tenha sido o maior e verdadeiro filósofo da humanidade.


Mestre ele era pelo seu extraordinário poder de conduzir com evidente carisma os homens comuns, um líder em toda a expressão da palavra.


Parapsicólogo mais por intuição do que por qualquer pesquisa ou estudo, Jesus Cristo pode até ter sido o filho de Deus, mas antes de qualquer coisa, ele era o filósofo que impressionou e subjugou positiva e psicologicamente o mundo inteiro.


Injustiçado, incompreendido, traído em todos os aspectos foi também a vítima. E essa figura além de ser real torna-se motivo de devoção e fanatismo. Não que seja um fanatismo comum, desses que existem pelos artistas e pessoas que conseguiram celebridade, enquanto atuam ou estão relativamente presentes.


Muito mais do que esse poder transitório o Mestre foi a figura mais incomum já nascida em qualquer tempo.


Amor ele sabia proclamar pelo vulto impressionante, os olhos cuja expressão absorvente impressionava as pessoas em geral, a maneira singular de conduzir-se e os atos afoitos.


Com a mulher adúltera ou Maria Madalena ele sensibilizou pelo espírito de justiça inerente em suas ações e que suscita, sem dúvida alguma uma reação amistosa .


Ressuscitando os mortos, erguendo os injustiçados, gritando com os desrespeitadores do templo ou arremessando sua fúria contra os fariseus, Jesus era sempre a figura benéfica, amiga, justiceira que o mundo espera ver e aplaudir.


Filho de um carpinteiro, simples e comum e de uma mulher devota , nascido numa choupana de palha sem condições de quase sobrevivência o filho de Deus encontrou em sua história emocionante adeptos e seguidores.


Além disso, intrépido desde criança muitas vezes rude quando era necessário, piedoso e extremamente magnânimo com os pobres e não privilegiados o mestre encantava e ao mesmo tempo causava temor como qualquer gênio poderoso e literalmente extraordinário . Mas foi seu julgamento impiedoso, seu sofrimento lamentável, o caminho de martírio dramático e desumano que o tornaram o maior homem da humanidade, mesmo que não fosse Deus.


A doçura que ostenta nos momentos de maior aflição, seu perdão quando já quase morria , a meiguice no instante que só caberia revolta e dor, o amor pelos ladrões que a seu lado blasfemavam,o sentimento de compreensão enquanto via sua mãe e parentes sofrerem nos levam ao sentimento de respeito , ternura, e enorme admiração por esse homem extraordinário.


Quando foi negado três vezes por quem lhe jurara fidelidade como Pedro, tornando-o depois o chefe da Igreja ou seja seu substituto oficial; o perdão ao próprio Judas, e tudo que cercou seus trinta e três anos de vida fazem de Jesus o maior mártir que a humanidade conheceu.


Deus , carismático ou ambos ele foi, insisto em dizer principalmente além do mártir o maior filósofo que a humanidade conheceu, conhece e conhecerá em todos os tempos

Vânia Moreira Diniz.

quinta-feira, 14 de março de 2013

O nosso controvertido e brilhante Cazuza





Cazuza encerra o símbolo de muitos jovens da década de 80. Claro que nele havia a inspiração profunda de uma geração ansiosa até hoje numa procura incessante. Sua insatisfação estava em sempre querer mais buscando na própria inspiração lenitivo que nunca viria porque sua criatividade aumentava extraordinariamente.

         Lutou incessantemente para mostrar o que ia dentro de sua alma e o primeiro disco que lançou foi reconhecido: Entre as músicas  “Tudo que houver nessa vida”, agradou muitíssimo a toda a classe artística. Nesse momento não era apenas o cantor, mas um poeta  mostrando as suas potencialidades, abrindo o caminho e demonstrando um valor que ele desbravara pelos caminhos.

Não foi tão fácil assim o início de sua estrada, mas o talento estava ali, faltando apenas que se mostrasse em sua plenitude. Seu segundo disco, embora bastante vendido não fez tanto sucesso como o primeiro. Mas o repertório bem escolhido manteve o entusiasmo do público

Foi quando iniciou sua carreira solo que se mostrou mais vibrante e que o verdadeiro sucesso começa a chamar a atenção do mundo artístico. Ao lado do início de sua apoteose, ele se certifica que estava com o tenebroso vírus da Aids e faz exames para confirmar o que  já pressentia. Um longo caminho de sofrimentos e glórias.

E então quando obtém essa confirmação, anuncia claramente numa revista que está com a doença que principalmente naquela época era fatal, sofrida, discriminada e dolorosa.

 No momento quero falar um pouquinho desse artista extraordinário que não arrefeceu com a certeza da doença fatal e continuou, aí compulsivamente a criar com mais garra algo que parecia extravasar de sua alma saindo por todos os poros como se não pudesse mais parar. Era uma figura controvertida, justamente pelo excesso de talento que não podia conter naquele final de sua curta vida.

Seu disco “ideologia” em que se solta  e admite a morte e seus caminhos e fala de problemas sociais vibra ainda mais sua carreira e enquanto subia em glória artística e demonstrava seu genial valor, sua saúde decrescia, com melhoras oriundas até mesmo do fim que estava chegando. Recebe o prêmio Sharp como melhor cantor de pop-rock.

A aparição de Cazuza em público no final de sua vida fazia o povo delirar e em um show na rede Globo cantando uma música de sua autoria, já muito mal e em cadeiras de rodas levou todo o Brasil às lágrimas.

Morreu aos 32 anos depois de uma vida breve, mas incessante, intensa, produtiva, sofrida e fulgurosa, expandindo controvertidamente lirismo, amor, protesto,verdade, talento fascinantemente questionado e valor incontestável. Mais do que se tivesse vivido 80 anos e deixando o seu trabalho e composições, sua idéias e anseios que nunca realmente morrerão.
Vânia Moreira Diniz

sexta-feira, 8 de março de 2013

Mulher fascinante e feminina


Dia Internacional da Mulher

 Vânia Moreira Diniz

O dia Internacional da mulher está se aproximando com muita vibração, uma data que enobrece o ser humano, não só a nós mulheres como aos homens. E isso porque nos lembra que ninguém poderia jamais permanecer aceitando um tipo de comportamento que lembraria sempre em seus mínimos aspectos, exclusão, preconceito e maldade.

      A mulher foi à luta e o homem teve que admitir pelo menos os mais elucidados, que uma parceira não é simplesmente uma pessoa que o acompanha, mas alguém com potencialidades imensas e de quem o mundo estava carente.

        Embora tenha nascido numa família que sempre enalteceu o papel feminino com pai e avô admirando e respeitando as mulheres da família e todas em geral, tive oportunidade ainda pequena  de presenciar uma cena dolorosa. Um parente afastado, cujo impulso me decepcionou dolorosamente pela demonstração de agressividade, insensibilidade e truculência que deixou marcas profundas e compreensíveis em minha alma.

       Poderia ter sido um ponto negativo em minha vida, mas ao contrário deu-me mais vontade de lutar contra qualquer espécie de discriminação e permanecer mais doce e sensível, na certeza de que só com bondade e compreensão venceríamos  as verdadeiras batalhas.
    
        Poderia ter transbordado meu coração em dúvidas e incertezas, todavia  uma força estranha e poderosa  levou-me a amar vigorosamente as pessoas e realizar algo que fosse como um antídoto   em determinadas situações  transmitindo e recebendo carinho e ternura na grande maioria de meu entendimento com irmãos de caminhada.

         A batalha dos direitos das mulheres continua sempre, embora vez por outra percebamos uma sutil ironia masculina na comemoração de tão gigantesca data. Mas esses são uma minoria e por isso mesmo não nos preocupa.

O Dia Internacional das Mulheres nasceu não para desafiar, muito pelo contrário, veio para que lembrássemos sempre de uma vitória que favoreceu a humanidade em geral. É claro que temos ainda muita luta pela frente, e a certeza que devemos ficar sempre alertas e conscientes. Não conseguimos tudo ainda. Em muitas oportunidades vemos tristemente que a mulher em muitos aspectos sofre preconceitos incompreensíveis e por isso continuamos determinadas e, acreditando sempre nesse futuro promissor, em cada dia de nossas vidas. E já vencemos a maior parte. Agora é só prosseguir com ética e sem fanatismos incongruentes.

           A luta está praticamente vencedora porém devemos lembrar-nos que nada é mais importante  além da libertação e independência conquistadas do que as características oriundas de nosso sexo. Ou seja, a feminilidade deve ser a principal arma com a qual nos defenderemos intrínseca e verdadeiramente. Sem esse fascínio, sedução no sentido lato da palavra, de nada adiantará as vitórias conquistadas a duras e dolorosas batalhas porque se tornará impossível a concretização plena, mesclada de independência e feminilidade.

          Caminhemos sempre preocupadas com nossas vitórias no mundo, com firmeza e persistência o que, aliás, já é uma evidência, mas convictas que nada será harmonioso se não conservarmos a particularidade intrínseca que é a maior força da mulher: O encanto natural, espontâneo, doce, desejável, mas resistente à qualquer machismo incompreensível, atração verdadeira e maravilhosa, que vence obstáculos e ultrapassa empecilhos quase intransponíveis.

          E irmanada a todas as mulheres do mundo  confraternizo-me pelo  nosso dia que deve ser comemorado diariamente,  com a fibra, coragem e valor de cada uma em particular, mas lembrando que será mais eficiente  se estivermos unidas nos mesmos ideais.
Vânia Moreira Diniz
2013

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Maravilhosos Herois


                                                
Fui criada familiarizada com os médicos. Cresci no meio deles. Meus tios, meu avô paterno o eram e aprendi o toque mágico que significam suas mãos e a ciência que dominam.

Mas assim como a maioria deles é maravilhosa (diga-se de passagem), poderão também significar no sentido negativo (e são raros) a descrença na vida, o desespero e até a morte. E é por isso que o rigor deve ser levado a sério acerca de tão importantes e ilustres profissionais.

Vemos hoje especialmente médicos que indiferentes ao sofrimento dos outros, deveriam desertar de sua própria profissão. Não é só ter talento, estudar, fazer doutorado, defender teses, ser senhor absoluto em seu campo e serem chamados de Doutor.,Mas é tudo isso aliado à humanidade, à generosidade. Sem esses elementos não se conseguirá um médico no sentido amplo da palavra. 

Acho que são justamente Relações Humanas e amor, que as faculdades de medicina deveriam ensinar como matéria básica e tentando extrair os sentimentos intrínsecos que existem dentro de cada estudante.

Isso não é só importante nessa profissão, é claro, porém é justamente nela que se lida com o ser humano frágil, doente, necessitado, carente e muitas vezes desesperançado.

E hoje vemos com muito maior freqüência a frieza entre os seres humanos. Isso já é por si só algo que deveria ser pacientemente ensinado, desde a infância em colégios iniciando-se nos primeiros anos e não finalizando jamais.

Retornando ao assunto principal, os médicos são as pessoas que mais influenciam a vida de uma pessoa, ou seja, a população em geral. E eles sabem disso. Quando se formaram fizeram o juramento de Hipócrates e nele se incluem todos esses elementos. E tem a obrigação de cumpri-lo em toda a extensão da palavra.

Portanto aqui o protesto ao profissional da área de saúde que é capaz de usar frieza, inconstância, aparente indiferença no trato com seus clientes, principalmente com aqueles que carecem de assistência negadas pela própria vida.

Há muitos anos, os médicos de família iam à casa de seus clientes e isso era um conforto na hora de uma doença dolorosa. Lembro-me a triste circunstância de uma criança que eu vi sofrer desesperadamente com “nefrose”. Suas dores eram imensas, os pais tinham dinheiro e situação, nível social elevado e cultura invulgar. E mesmo assim o conforto de médicos dedicados os livrou do desespero total. A assistência especial e afetuosa dos profissionais não deixava que eles caíssem em depressão ou angústia profundas.

 
Sei que os médicos têm família e vida própria, mas já que escolheram a medicina são mais missionários do que outra coisa qualquer. Muitos realmente são. Mas e os poucos que não querem pensar que a vida deles é diferente?  Mas é. Mesmo que não queiram e neguem essa afirmativa. Tem que ser diferentes pela própria natureza do que fazem.

Para que a classe tão merecedora não seja desprestigiada quero lançar um protesto àqueles que ainda não compreenderam isso.Ainda que seja em tempos modernos, na atualidade difícil, na vida complicada de uma cidade conturbada, os médicos são pessoas peculiares cuja obrigação principal é senão tirar ou remover doenças (isso por vezes é impossível, humanamente falando), mas dar consolo e ter predominantemente o sentimento de ternura como base de sua estrutura. Competência e humanidade. Indicativos do profissional perfeito.

Não consigo entender esse profissional que não se comove com a aflição alheia, mesmo que esteja acostumado ao sofrimento.

Desejo, no entanto fazer uma homenagem à maioria dessa extraordinária categoria, os heróis verdadeiros (e eu conheço muitos) que mesmo á sombra realizam o maior trabalho que alguém pode executar. Quero agradecer em nome de uma população que se conforta ao encontrar no caminho de sua existência esses heróis, que batalharam durante toda uma vida conhecendo, pesquisando, estudando e carregam com essa bagagem o amor, a solidariedade, a compreensão e uma humanidade que só eles são capazes. Não obstante a luta, os dias cansativos e tensos, os clientes irritados, o sacrifício da família e dos amigos e de toda uma vida sacrificada. A despeito da ingratidão, das noites insones, do desconforto, das cenas dolorosas, das consternações abundantes. Apesar de tudo eles continuam fortes, magnânimos e imprescindíveis. Aos heróis o nosso agradecimento.
                                                                                           Vânia Moreira Diniz

            

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Inclusão Social, Palavras ou Ação? por Vânia Moreira Diniz


              A inclusão social está sendo veiculada nas reuniões sociais, na mídia, nas conversas informais mas sem o sentido de verdadeira determinação.. Como aquecimento de algo que toca o coração e aquece o emocional, mas nada de tão definitivo como nós realmente precisamos. Leis, palavras e vontade ajudam, porém não mudam o comportamento, a falta de conhecimento e o preconceito.

Inclusão se faz principalmente com solidariedade, grande dose de amor, mudanças de comportamento, persistência e vontade indomável. E por toda uma população que absorve o conteúdo que está sendo modificado.

Nada adianta falar sobre a pessoa carente de necessidades especiais, o idoso, os que se enquadram nos grupos dos excluídos e não sentir que o primeiro passo para concretização de tal mudança é olhar para essas pessoas com naturalidade e simpatia.

E quando digo excluídos, abranjo todos aqueles carentes não só físicos mas que estejam precisando de um gesto de amor, um sorriso, uma palavra, uma gentileza mas principalmente solidariedade real para que a usemos como hábito benfazejo e prazeroso.

Enquanto pensamos exclusivamente em nossas próprias necessidades supérfluas, enquanto o individualismo lidera no planeta inteiro e as guerras e ódios continuam como podemos crer que o mundo esteja pensando em altruísmo, tentando extirpar o egoísmo e entender o verdadeiro sentido da inclusão?

A  ética de convivência com irmãos que fazem a mesma caminhada na terra, deveria ser bastante clara  e depender do discernimento de cada um. Já era um passo maravilhoso.

Começar com as nossas crianças, ensinando e orientando-as, falando do amor universal, mostrando a missão que nos compete e o dever a ser cumprido em parcela mútuas e profundas e estimulando a generosidade que  inclui a solidariedade de forma mais ampla e persuasiva.

Claro que é importante campanhas que apóiam as pessoas carentes de recursos na área rural e em todos os lugares cuja vida  é consumida pela pobreza, falta de meios para uma vida digna.

Mas antes disso tudo, de todas as formas imediatas de ajuda, é preciso a profunda vontade de que todas as pessoas sejam recebidas e estejam dentro de um grupo social condizente, compreensivo, superlativamente  harmonioso, onde intrinsecamente a igualdade reine de maneira instintiva e natural. Amor, a apologia do amor.

Receber isso como caridade é o pior que pode acontecer a alguém. As mãos se estendendo num gesto simples e humano sabendo que se fosse o contrário, eles também assim procederiam e incitando a todos que estejam a nosso lado, essa fé indestrutível que a inclusão social é a primeira medida, a mais humana, coerente, intrínseca e que só depois dessa mudança total poderemos crescer interiormente e o planeta poderá encontrar a paz necessária e o verdadeiro entendimento e ternura entre os homens.

A velhice, a deficiência, pessoas viciadas ou doentes fazem parte de um mesmo universo e os diferentes são ao contrário, aqueles tão amargos e indiferentes que se julgam perfeitos e não são capazes de amar a seus semelhantes, porque o orgulho, a vaidade e o egoísmo estão transformando e deformando sua personalidade e seu caráter.

Palavras não bastam, precisamos agir, lutar por esse direito inalienável e que conturba toda uma estrutura que é a exclusão, capaz de tornar o mundo um caos de violência e sofrimento.

 Vânia Moreira Diniz
                www.vaniadiniz.pro.br

domingo, 16 de dezembro de 2012

Hoje acordei recordando por Vânia Moreira Diniz



Hoje acordei propensa às reminiscências. Sentindo vontade de percorrer o quintal da minha casa na Rua Barata Ribeiro em Copacabana,Rio de Janeiro, onde na infância eu apostava corridas, tentando um campeonato de patins com minhas amigas e caindo da gangorra enquanto meu irmão pulava antes do tempo.

A bola não parava levando-se em conta que nessa época minhas irmãs não haviam nascido, os da minha idade eram apenas homens e eu gostava de disputá-la com eles , deixando muitas vezes que ela caísse na vizinha que não estava disposta a participar das brincadeiras e imediatamente fazia queixas à minha mãe.

Quando estava cansada de brincar com meus irmãos ou primos corria para dentro de casa e sentada no escritório de meu pai, procurava livros naquela biblioteca imensa e acabava descobrindo um mundo que sempre adorei,imergindo nas páginas que me deixava concentrada, esquecendo por vezes os deveres da escola. Ler era meu mundo encantado e esquecia tudo que me cercava para fazer parte do conteúdo dos livros que eu curtia compulsivamente.

Escrevia com prazer imenso em qualquer momento da minha vida. E deixava que as palavras saíssem sem censuras espargindo meu coração que precisava transmitir com veemência. Parecia que eu só tomava consciência do que escrevera algum tempo depois de concluir o texto e aí sim, entendia o que quisera dizer.

Quando estava entediada ou queria ficar sozinha ia até à praia que era pertinho da minha casa e deixava que meus pés ou meu corpo fossem molhados pelas ondas brancas e nem sempre mansas. Falava com o mar, contava meus desejos e sonhava inexplicavelmente com o infinito que se me apresentava inatingível,como as faixas coloridas do horizonte e sabendo da impossibilidade de alcançá-las deixava que o sol queimasse devagarzinho minha pele clara.

Muitas vezes alguém da minha casa vinha me buscar sabedoras desse passeio quase constante nos dias de sol intenso. O mar, a areia clara, e o horizonte distante sempre foram as mais encantadoras formas de poder transmitir minhas emoções. E continua a ser , só que parece-me que esse mesmo horizonte está mais perto e sinto-o como algo que se aproximou em dias subseqüentes em que aprendi a conhecer a vida e a forma de procurar sobrepujar os obstáculos. Será isso que nos faz mais compreensivos em relação à passagem do tempo?

Ao completar dez anos soube que minha mãe esperava outra criança e tive certeza que seria uma menina. Estava cansada de compartilhar as brincadeiras de cinco irmãos sempre em discussão constante e sentia necessidade de olhar e amar uma irmãzinha e foi o que aconteceu. Nasceu uma mulher e fiquei entusiasmada com o rosto delicado e bonito amei-a instantaneamente, compreendi mesmo ainda muito cedo a necessidade de defendê-la levando em conta que era mais frágil do que eu. Em seguida nasceu outra menina que também foi algo muito importante para mim, mas Cristina e eu estávamos sempre juntas e apesar da diferença de idade nos compreendíamos muito. Até hoje estamos profundamente ligadas e somos confidentes inseparáveis.

Ainda revejo os tempos de criança há muitos anos quando olhava deitada num canto do jardim minhas estrelas brilhantes algumas das quais eu e meu irmão mais velho nomeávamos à noite nos dias de verão.

O colégio Sacré Coeur de Marie onde estudei, foi algo que marcou tanto que até hoje me revejo e jamais poderei deixar de lembrar cada dia que passei lá. E olhe que foi um longo período desde muito pequenina.

O tempo passou, tive uma adolescência conturbada, mas o que me incentivou profundamente foram as lições que aprendi nesse caminho e a certeza que a única forma de sermos realmente felizes é saber estender a mão sempre e entender que por vezes as coisas que nos perturbam nos fazem compreender a vida, ser feliz e desenvolver um amadurecimento sadio e compreensivo.

Vânia Moreira Diniz

sábado, 22 de setembro de 2012

A União dos povos e a utopia por vânia Moreira Diniz

A união dos povos e a utopia

Nada é mais verdadeiro do que o ser, suas essências e magnitudes. Existimos independentes do lugar, ocasião, data, raça. Somos antes de qualquer outra evidência um ser humano. E o ser humano é um só, verdade evidenciada justamente nos dois acontecimentos mais marcantes da vida: Nascimento e morte.
Quando somos concebidos passamos a nos desenvolver num lugar aconchegante, o útero materno de forma absolutamente semelhante e também no momento tão esperado em que respiramos pela primeira vez o oxigênio, acontecimento que transcende tudo que possa existir. Do mesmo modo e de maneira mais dramática aparentemente no último suspiro em que ao contrário do nascimento o oxigênio começa a faltar e a luta é tão grande como fora a outra em proporções contrastantes, mas igualmente intensas.
Nascemos para cumprir uma missão e temos igualmente dores, alegrias, emoções e uma estrada na qual devemos caminhar enquanto vivermos. Claro que somos seres individuais e encaramos tudo à nossa volta de um modo especificamente personalizado.
Podemos ter características diferentes, mas a essência é a mesma: Seres humanos da mesma espécie e custa compreender os preconceitos que se instalam como uma erva daninha, um câncer maligno destruindo o que há de mais nobre em qualquer indivíduo.
Se o mundo, as civilizações divergem em certos aspectos, nada diferencia o ser físico e íntimo, mesmo abstrato e só idéias arraigadas por personalidades doentias poderiam pensar de outra forma.
Basta evidenciar a natureza que alimenta e proporciona bem estar a todos os indivíduos: O ar, a natureza em seu apogeu e todos os elementos naturais para verificarmos o quanto de violência existe na diferenciação do ser humano pelo próprio ser humano. É não só uma brutalidade ignóbil, como ignorância no mais alto grau, falta de sensibilidade e até mesmo de discernimento.
Desde o início de nossa civilização as atrocidades redundando em guerra tomaram conta do mundo e seria considerada uma utopia idealizar-se um modo diferente da humanidade caminhar. Mesmo porque segundo os especialistas o avanço e progresso não se dariam sem a disputa bélica. Triste conclusão!
A verdade é que o desenvolvimento da ciência surgiu justamente em contraposição à utopia e temos como exemplo as grandes invenções de gênios já considerados desorientados, porém que sobrepujaram o pensamento das pessoas convencionalmente normais e produziram o que jamais se pensou ser possível.
A partir do momento em que se respeitem as diferenças não há divergência. Uma utopia das mais vigorosas, partindo do princípio que as pessoas costumam ser agressivas quando questionadas.
O que faz com que o mundo fique realmente de luto, são as rivalidades e preconceitos de qualquer espécie: raças, regiões e exclusões que o homem cria com a fúria do convencionalismo pessoal adquirido no contato de sua personalidade com as leis antinaturais do mundo.
A união dos povos total e sem discriminação seria uma utopia na qual valeria a pena apostar sonhando com a paz do mundo, com seres humanos dignos de mãos dadas em busca da generosidade, solidariedade natural e humana que deveria caracterizar o planeta em que vivemos. E isso deveria ser acima de qualquer utopia o processo mais vigoroso e fascinante da verdadeira felicidade.
Vânia Moreira Diniz

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Maturidade, uma conquista

Sei que é  difícil falar de maturidade porque frequentemente a confundimos com idade. É claro que é normal que ela venha com o passar dos anos e embora frequentemente estejam juntas as sensações são completamente diversas.

Em geral todos nós temos uma atitude negativa quando pensamos em “tempo vivido” e quando percebemos sinal do tempo, como os cabelos brancos, que começam a aparecer. Aprendemos com tudo que nos cercou desde a infância a encará-la como um lobo mau e geralmente se experimenta um sentimento de nostalgia frente ao mundo dinâmico, brilhante e com novas técnicas induzidas de “juventude”.

À medida que o tempo decorre um pavor vai tomando conta das pessoas como se esse momento não fosse uma nova fase que poderá resultar, malgrado algumas limitações, numa riqueza desconhecida que poderemos explorar com alegria.

A maturidade é um desses pontos positivos embora exista muito jovem com maturidade e velhos que carregam uma infantilidade nada agradável porque sua estabilidade emocional se ressente com a falta de segurança que isso enseja ao contrário do que eles pensam.

A maturidade mais aprazível é aquela que aprendemos com o correr das experiências e uma das formas mais certas de aprendizado é o sofrimento. Quando ultrapassamos aquele período de dor surge uma sensação de segurança e tranquilidade jamais experimentada em outros períodos da vida.

Maturidade é uma aquisição muito feliz e a percepção que podemos dominar nossos próprios dragões e ultrapassar mágoas ou sentimentos pequeninos mudando a cada passo valores que na extrema juventude nos perturbavam é realmente fascinante.No sentido mais amplo.

Os valores mudam muito rapidamente apesar de só notarmos isso repentina e inadvertidamente e quando acontece parece estranho, mas a verdade é que é uma conquista realmente poderosa e bem-vinda.

Quando a maturidade vem junto com valores primordiais de conhecimento, necessidade de saber e procurar aprofundamento de verdades que antes nos passavam despercebidas e principalmente doçura, ternura  pelo mundo, envolvimento em amor universal, preocupação com o outro  e certeza que, embora continuando a errar, e muito, detectamos que precisamos ainda nos aperfeiçoar profundamente, a paz envolve nossas almas.

Claro que nos perturbamos nesse momento ainda mais com a violência, truculência, indiferença, pobreza , fome, desamor mas há uma percepção que podemos lutar com uma força e esperança que só a maturidade nos transmite.

A vaidade passa a atuar mais profundamente em duas vertentes e nos preocupamos com o interior tanto quanto o fazemos com o exterior para que ambas possam não se tocarem mas agirem como duas paralelas que estão sempre juntas sem haver prejuízo para uma ou para outra. Ser bela por dentro e por fora, existe conquista pessoal mais completa?

Esse é o grande segredo da satisfação plena.

Maturidade é compreender que nenhuma mágoa pode ser tão importante a ponto de nos fazer sofrer e que às vezes é melhor não dizer coisa alguma a entristecer o nosso próximo e quanto mais próximo mais precisamos desse exercício de conscientização.

E também entender que as pessoas na maioria das vezes não querem nos ferir quando dizem algo que atinge nossa alma e que é preferível sempre ser magoado a magoar. Pelo menos não teremos nosso coração doendo e poderemos dormir em paz. Mas creio que  só a maturidade é capaz de entender perfeitamente esses conceitos.

A maturidade também nos faz entender que as lágrimas foram feitas para serem derramadas tanto no sofrimento como na alegria e que não é feio chorar quando isso nos alivia e principalmente quando acompanhamos alguém que está precisando de nosso apoio ou compreensão.

 Claro que como seres humanos enfrentamos momentos de tristeza ou depressão passageira mas é importante que se use essa experiência para evitarmos que isso se transforme em doença ou pelo menos se procure ajuda com médicos, terapeutas, analistas e em recursos que a ciência tornou profícua.

Maturidade no sentido mais positivo vem dos anos que já se foram mas consiste em aproveitar os ensinamentos para uma qualidade de vida melhor mas também mais digna enquanto se aprecia com mais objetividade todos os elementos da natureza como fonte de riqueza e engrandecimento da alma e se admira todos aqueles que podem nos transmitir sábios ensinamentos.

Maturidade  é plenitude de dias vividos que resulta em experiências frutificadoras, em olhar o mundo com mais amenidade e sentir que devemos deixar para nossos sucessores um exemplo de amor, saúde, compreensão e intolerância para os próprios erros.
Vânia Moreira Diniz
http://www.vaniadiniz.pro.br
http://academialetrasbrasildf.blogspot.com.br/

terça-feira, 26 de junho de 2012

A Riqueza e a Fome

                                                          Vânia Moreira Diniz
               Não tenho vergonha de dizer que nasci em berço de ouro. Tudo que a vida podia me proporcionar em termos de bens materiais ela o fez. Ali, ao nascer. Meu pai era um homem de muito prestígio, advogado e psiquiatra famoso e respeitado. E todos os meus desejos eram prontamente atendidos.  Olhava tudo isso com naturalidade já que nascera ali e não conhecia outro ambiente. Logo comecei a perceber o quanto a vida era injusta.

        Ao mesmo tempo, muito cedo tive uma visão completamente límpida que tudo isso serviria para conforto e tranqüilidade, mas jamais constituiria o caminho certo da verdadeira felicidade. Pelo menos da minha felicidade. Ainda muita criança perguntava aos meus pais porque havia tanta diferença entre os pequenos que eu via pedindo esmola na rua e eu ou minhas amiguinhas. Eles explicavam ao modo que os adultos procuram convencer as crianças. E a vida continuava. Eu sempre com minhas dúvidas. Minha vida foi oposta à maioria das pessoas. Saí de casa muito cedo para casar, contra vontade de meus pais  e para escolher e traçar meu próprio destino. O conforto excessivo foi trocado pela luta de cada dia. E pude verificar o quanto a vida pode ser difícil. Difícil, porém gratificante quando se procura objetivos.

        Havia uma obra social que as docentes do meu colégio faziam entre os mais necessitados. E cedo pedi para que me deixasse acompanhá-las ao morro  nos dias feriados, para visitar as pessoas que lá moravam. Eu tinha dez anos e durante algum tempo minha mãe proibiu absolutamente mesmo com as professoras, esse passeio que aos meus olhos seria fascinante. Finalmente aos 12 anos meus pais  foram convencidos que teria sempre alguém perto de mim e a contragosto deles subi ao Morro Dona Marta e encontrei um mundo maravilhoso e inusitado. Pobre, triste, devastador pela escassez de conforto, mas encantador pela luta e forças dos que lá viviam. Claro que sabemos o que existe de violência, mas será somente lá? E não terá começado pela desesperança e carência das coisas mais elementares? Como um gesto de carinho? Não estou justificando, mas não sei o que seria de cada um de nós se tivéssemos enfrentado tanta tristeza, miséria e dor!

          A simplicidade e pobreza daquelas crianças me emocionaram e encontramos atrações diversas no modo de viver. Partilhamos experiências em nossas conversas e aprendi muito das suas vivências que me empolgavam. É como se ali, duas vezes por semana, me sentisse completamente livre de qualquer entrave, o que em Copacabana, na movimentada Rua Barata Ribeiro eu não conseguia. Foi uma lição de vida, trocas de sentimentos e sofrimentos antagônicos partilhados mutuamente. Dei aulas aos pequenos que não eram alfabetizados ou que tiveram que sair do colégio para ajudar aos pais.

         Começou aí meu grande ideal que junto à literatura, iria me acompanhar em todos os momentos e que minha mãe brincando comigo chamava de “socialista”

Ver um mundo melhor, menos diferenciado e mais humano constituiu meu pensamento de muitas horas adolescentes. Costumava cismar no enigma da riqueza e da fome.

        Compreendi pouco depois que os sofrimentos são variados e universais e que outros tipos de dores substituem a falta da pobreza e de recursos. Que todos sofrem em menor ou maior grau e também que as alegrias são múltiplas e atingem a todas as camadas.

         Observando, porém no decorrer de minha vida como a pobreza tem aumentado e a miséria vem predominando, vejo o quanto falamos e enunciamos palavras bonitas sem entender o que é a fome. Como podemos entendê-la se essa peste da humanidade é tão devastadora e amarga , deixando pessoas e crianças em lamentável situação de horror e debilidade?

       Que se reproduz mais forte e mais potente enquanto restos de comida são jogados fora e o solo fertiliza maravilhosamente em nosso país? Como entenderemos se nunca passamos por tragédia tão pungente e aniquilante?

. Aí está um espaço em meu site em que falamos da fome, com o apoio de muitos poetas que aderiram ao movimento e muitas e muitas pessoas que me escreveram emocionados. A todos elas eu agradeço com grande carinho. O que lamento é que tudo isso foram apenas gritos no deserto, como com milhares de pessoas que tentam abordá-la ou tem a ilusão que seus lamentos surtirão algum efeito.  Mas continuaremos, sem restrições, com persistência maior que antes, agarrando-nos a qualquer esperança mesmo suave que possa existir.

          Sozinhos não vamos resolver o problema da fome e da miséria, mas podemos ajudar aquele que está ao nosso lado, e ele na medida que possa, ao que está perto dele. Assim sucessivamente. Não solucionaremos, mas amenizaremos, suavizaremos e tentaremos dar um pouco de alento. Vamos então a um asilo, creche ou a uma ou mais famílias que precisam nosso apoio moral, espiritual e material. Sem alardes! Silenciosa!  Ternamente!

          Se todos conseguirmos isso já é uma esperança, que brilhará como uma luz talvez fugidia, mas constante e esperamos que vigorosa.

 Vânia Moreira Diniz

quarta-feira, 13 de junho de 2012


Junho

O Mês de junho sempre foi um dos mais eletrizantes de minha vida. Estávamos ali no meio do ano, quase em férias, os fogos estourando, principalmente à noite, quando todos se reuniam para comemorar cada dia daquele período. Meu pai nascera em junho no mesmo dia da comemoração tradicional e essa festa deixava em meu coração uma alegria irresistível porque tudo era regozijo nessa época distante, mas sempre muito nítida.

Os fogos eram os mais variados e subiam pelo céu azul de Copacabana fazendo rabiscos diversos e formando figuras as mais fascinantes. Quando fixava os pontos já indistintos que se evaporavam no firmamento e submergiam no infinito experimentava uma sensação estranha de que tudo se perdera no nada. E que as imagens de fogo tinham descansado no meio das estrelas.

As noites de junho eram frias e belas e mesmo naquela rua barulhenta e entre muitas pessoas que visitavam a minha casa eu sentia uma estranha paz.

E as quadrilhas improvisadas, as comidas típicas e o quentão característico daquele dia esquentavam o corpo e aqueciam de ternura o coração.

Ainda havia lugar para essa sensação e parece que tudo se foi com o tempo que passou, levando-nos o direito da tranqüilidade, confiança, certeza da solidariedade e verdadeira bondade.

Dia 24 está chegando e já ouço barulho lá longe abafado e pergunto-me com dor no coração se são os fogos comemorativos ou algum tiro perdido de disputas, brigas ou inconseqüência.

Nunca poderia esquecer as festas no fluminense, fantasias estilizadas, a doçura do ambiente, a alegria expressa em cada rosto, animação que ia até pela manhã e cujo final nos entristecia.

A tecnologia foi tomando conta do mundo inteiro, hoje nos comunicamos com o outro lado do universo e podemos receber uma resposta a uma mensagem em poucos segundos, talvez seja difícil o encontro personalizado, olhos nos olhos, mãos dadas passando o calor do sentimento e as repetidas reuniões das pessoas amigas.

São João está próximo e de qualquer forma, vemos crianças animadas, esperando o grande dia e se divertindo como a claridade dos fogos do outro lado da cidade. Crianças mais amadurecidas pelas cenas de violência que presenciam, e menos lépidas pelos divertimentos sem a correria e brincadeiras de outros tempos porque o controle remoto as espera para se divertirem comodamente.

Na verdade o espírito de São João, data sempre esperada e curtida continua a fazer seus efeitos em todas as pessoas especialmente nos pequenos. Voltamos aos tempos de infância e adolescência, tentamos esquecer os últimos acontecimentos e usufruímos aquele prazer ao ar livre, sentindo a sonora risada de todos e perguntando-nos se não é ali que buscamos a energia e animação, cada vez mais longe e tão necessária à manutenção da vida e da felicidade.

São João é uma festa típica brasileira, que por mais que os anos passem e mentalidades mudem não esqueceremos o prazer de vivê-la com intensidade. As danças, as músicas reinventando o interior do país, onde se divertem todos em deleite, unidos esquecidos de quase tudo que não seja aquele momento. Esse é o verdadeiro encanto de Junho vivido especialmente no dia de são João de divertimentos lúdicos inesquecíveis.

Vânia Moreira Diniz

domingo, 3 de junho de 2012

Hoje é Domingo

Hoje é domingo e sem querer imagino como foram sempre importantes para mim. Acordava ao som de Vinicius de Morais  e Jobim que meu pai adorava.

Domingo me recorda o sol de Copacabana, praia, amigos reunidos e  alegres bate papos em minha adolescência.Como era bom  acordar tarde, vestir o biquíni correndo, apenas uma pequena toalha em volta da cintura e encontrar a turma na praia e a sedução das águas que sempre amei. Depois de uma conversa animada ficar deitada bem perto do mar e sentir a água fria e estimulante a cobrir o corpo.
      
Já tarde voltávamos queimados e aquecidos e ouvindo as admoestações de minha mãe sobre horários tardios. Mas não esperávamos muito e já era hora do cinema na Avenida Copacabana e depois a reunião na lanchonete "Cirandinha" cheia de conversas animadas, muitos risadas, o olhar brilhando e franco, os namorados a se beijarem tranquilos e os planos animados e sonhos  esperançosos.
      
Hoje é Domingo e vejo a noite estrelada, televisão ligada, movimento da casa inteira, meus irmãos e eu a brigarmos ou brincarmos e a casa cheia e animada. Ah, os Domingos como eram queridos e vertiginosos.
    
 Mais tarde os serões familiares, as histórias fascinantes, todos querendo dar um aparte e os risos das crianças. Meu pai que era kardecista sempre ao fim da noite nos reunia para sortear entre os papéis dobrados alguma boa ação que devíamos cumprir durante a semana.
      
 Isso já se passou. Foi há muitos anos. Outros domingos tiveram significação diferente dependendo da fase que eu estava vivendo. Mas sempre foram marcantes.
       
 Hoje os Domingos têm outro sentido. E fazendo minhas reflexões, vejo a distância de idéias e sonhos que existe entre aquele tempo e os dias atuais.
Mas ainda ouço o som matutino de Vinicius de Morais e tenho uma nostalgia imensa de minhas águas verdes do mar de Copacabana. Hoje é domingo...
Vânia Moreira Diniz

sábado, 31 de março de 2012

Páscoa e Ressurreição



Acho que jamais saberemos, de fato se Jesus era o filho De Deus ou o Deus realmente porque para isso precisamos da fé. Para que tem fé, Jesus foi o filho de Deus.

Mas foi o maior filósofo que a humanidade conheceu,  sábio, conhecedor do ser humano  e com um carisma que atraiu a humanidade inteira.

De uma bondade profunda, soube amar, perdoar, acreditar defender, mas também era duro nos momentos  em que achava necessário tomar atitudes firmes.

Analisando, ele curava os que estavam doentes, dava alimento a quem tinha fome, foi amigo e humano com Maria Madalena que chamavam de pecadora e defendeu heroicamente a adúltera que estava sendo acusada, proclamando que atirasse a primeira pedra aquele que tivesse livre de qualquer erro.Mostrou assim seu apoio sempre  corajoso e superior aos mais frágeis.

Foi severo, entretanto com os vendilhões do templo, com os hipócritas,  e os fariseus mas soube perdoar seus próprios torturadores, a Judas que o traíra por dinheiro e a Pedro que por covardia lhe negou três vezes tornando-o até seu sucessor... 

Olhando sob esse prisma, poderemos deduzir a sua santidade, mesmo que não estejamos apoiados na fé. Mas acima de tudo ele foi o homem que soube dominar o planeta inteiro, durante mais de 2000 anos, com a força enigmática de suas ações, de sua palavra e dos seus gestos e atitudes. Possuía o poder de seduzir as pessoas e fazer com que elas o amassem como um líder extraordinário que reunia em sua personalidade uma força até hoje não explicada.

E se morreu na Cruz para redimir a humanidade, ou porque seus julgadores o invejavam mortalmente, de qualquer jeito foi digno de nossa reverência, respeito e admiração. Não posso afirmar a não ser com  força da fé que Jesus foi Deus mas posso assegurar que foi o maior filósofo da humanidade, aquele que  era amado pelos doentes, fracos, oprimidos e necessitados e merece por isso o nosso amor profundo.

De uma beleza profunda, olhar compassivo e amigo e a atração que emanava dele com num carisma especial, diferente, é claro de qualquer pessoa que tenha merecido o nome de líder. Seu poder não vinha de seus dotes físicos que eram grandes, mas da alma que transparecia ao primeiro contato, do vigor de sua influência nascida de uma personalidade forte e insólita.

         Nascido numa choupana, filho de um carpinteiro e de uma mulher simples, de origem judaica, um povo sofrido e perseguido , nada disso constituiu base para a causa de seu extraordinário poder. Tenha sido Deus ou filho de Deus, uma coisa é absolutamente certa: Foi o maior filósofo da humanidade com características  profundas de compreensão e justiça incompreensíveis num simples homem.

Essa semana se comemora a ressurreição de Jesus  o dia do ressurgimento, da aleluia , da alegria do renascimento em que podemos também acreditar na esperança de novo amanhecer que se repete sempre com  mais expectativa e  amor.

 Na verdade é o dia do amor que ressurge todos os dias e, foi isso, certamente que Cristo quis nos dizer ao reencarnar  na glória da páscoa.
Vânia Moreira Diniz

terça-feira, 27 de março de 2012

Teatro

O teatro é a forma de expressão mais perfeita em que o ator expressa a fala do personagem com toda a sua carga de energia., sentimento, de emoção.

No teatro eu me realizava não só indo a peças maravilhosas em que sentia e vivia por cada um dos atores como também recebendo a avalanche emocional que vinha do autor com a intensidade de um furacão.

Desde muito pequena comecei a exercitar e amava subir ao palco e encenar  o personagem que me destinavam, nada mais fascinante do que representar  outra pessoa com sentimentos diferentes e personalidade variada. E me vestia com a capa de alguém que amava, sofria, raciocinava e agia de maneira  às vezes e em sua maioria inusitada para mim.

Tudo ali me seduzia a ponto de na temporada que eu encenava, sentir  a personagem que eu estava vivendo assim como acontece quando escrevo um livro. Só que escrever é um ato solitário mas intenso e fantástico, enquanto o teatro as luzes ou penumbras, as pessoas que compunham a platéia, o diretor e os outros atores, o diálogo , tudo me fazia explodir em emoção interna a ponto de parecer que eu não era eu mesma. Realmente me transportava inteiramente.

Bem pequenina começou minha alucinação pelo palco como havia acontecido pela escrita. E na minha ignorância infantil imaginava que ninguém saberia transmitir o que o autor escrevia com a mesma força e expressão do que ele mesmo, trazendo na hora certa as inflexões mais enfáticas.

Na verdade acho que quando declamo meu próprio verso ele retorna o que senti na hora que o escrevi, interpretando minha alma e o sentimento que transbordava no momento que o fiz.

         E por isso, além de tudo  que o teatro sempre representou em  luzes, brilho , talento, delírio dos assistentes vibrantes e empolgados, aplausos entusiasmados, ele interpreta a expressão dos autores e a manifestação que  metamorfoseia nosso ser individual.

Quando aos 12 anos fui convidada para encenar uma peça num teatro profissional e meus pais me proibiram terminantemente, por um minuto minha alma morreu naquele sonho que consumira tantos dias do meu viver. Já tinha ensaiado a peça sem eles saberem e meu coração ruiu por tê-los enganado e por cair por terra tanta esperança, vibração e alegrias acumuladas.

Alguns anos mais tarde fiz um a temporada no teatro Ginástico português  mas tantas eram as obrigações que eu tinham em volta, embora com apenas dezesseis anos que não pude me dedicar inteiramente ao teatro.

O Teatro, no entanto é um desafio que trago dentro de mim  enclausurado mas pronto a explodir na hora exata . Um desafio que faz parte da minha missão e não poderei sair daqui, voar para outras galáxias ou abandonar essa parte da viagem sem executá-la, e ao final, olhos fechados ouvir a música final  que faz parte do sonho que realizarei absorvida nessa fascinação  que sempre me envolveu..
Vânia Moreira Diniz

quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia Mundial da Poesia- 21 de Março


Dia 21 de março é a data promulgada pela UNESCO para a celebração do Dia Mundial da Poesia.


A Poesia é a forma lírica de transmitir mensagens que saem da alma com força de expressão e admiram a natureza, os sentimentos, o ser humano em geral comunicando com vigor e graça seu canto, conceitos, sonhos, ideais e qualquer tema inspirado.


Poesia é também o entendimento no olhar, na doçura das palavras pronunciadas com suavidade e a certeza que merecemos a luz do horizonte, independente da cor, do formato do rosto, do lugar em que se nasceu, das características sexuais e cujo preconceito certamente seria repudiado pela sociedade.

Emocionalmente falando as mãos seriam dadas até nas tristezas e teríamos mais respeito por todas as diferenças existentes.


A diferença é a forma mais bonita de nos aperfeiçoarmos com as experiências mútuas e a poesia está apta para cantar esse sentimento de ternura que resplandece no amor universal. Há melhor e mais profunda forma de entendermos a alma de outra pessoa que necessita das mesmas alegrias intrínsecas como cada um de nós?


Se existisse mais poesia nas relações humanas, tudo seria mais fácil e as marcas do amor e da solidariedade estariam presentes , assim como o egoísmo se manifestaria com menos ênfase dando passagem à preocupação pelo outro cujo caminho ameno, mesmo nos momentos difíceis nos levaria à paz, na verdade, a única passagem para a felicidade.


Poesia é amor, canto e encanto, luz que não amortece os olhos, união estreita com nossos irmãos de caminhada, certeza que o sorriso seria tanto mais bonito e enternecedor quanto mais fosse dado com a alma, entrega de sentimentos, necessários à felicidade de cada um de nós. Fortuna que só se encontra no espírito e que satisfaz nosso ser interior


Poesia é beleza, não apenas enfeitando a superficialidade, mas vibrando nos acordes da emoção para que seja sentido numa extensão tão sublime que não seria possível escassear nem com a passagem do tempo e nem mesmo com a duração finita de nosso tempo.


Poesia é o que vamos legar aos nossos descendentes, mesmo que eles não sejam poetas, é a esperança que disseminamos durante a existência e cuja semente plantamos para que seja regada com amor e afinal, um dia, possa nascer os frutos para uma humanidade menos sofredora, menos perversa e onde os valores maiores não sejam tão materiais e individualistas.


Isto é a verdadeira poesia. Tentaremos transportá-la mesmo nesse instante difícil da história da humanidade, porém ela saberá florescer cada vez mais lírica e verdadeira para que o universo se transforme num oásis de paz, mesmo que tenhamos que lutar com dificuldade para encontrar o verdadeiro amor universal.


Poesia é entrega, dedicação, altruísmo nos versos rimados ou não, mas que encontram a compreensão do momento em que nascemos, aspirando o oxigênio que nos fez chorar para que a abrangência de nossos atos sejam capazes de deixar um motivo para entendermos o porquê de nossa presença neste mundo.


Poesia que o mundo todo comemora nesse dia 21 de março é vida, comemoração, entrega útil, verdadeira e crescente e que podemos repetindo mil vezes a palavra amor em todos os sentidos chegar ao cerne da expressão lírica que o entusiasmo criador expressa, transforma e entende.


Vânia Moreira Diniz
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