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domingo, 8 de fevereiro de 2015

Minha irmã Cristina Arraes

Sinto amor na recordação
daquele ano que me comoveu,
enquanto ainda criança imaginava
vê-la, tê-la nos braços e sorrir.

Uma criança ia nascer brevemente
e enquanto eu fixava esperançosa,
a barriga de minha mãe durante meses,
sonhava com uma menina como eu.

Vivia cercada de meninos e queria
poder estar ao lado de alguém,
que entendesse o meu choro ou lágrimas,
mesmo que muitos anos nos separassem.

Quando anunciara que era uma menina,
meu coração vibrava tanto  e tanto
que me fazia trêmula enquanto imaginava
e pedia  que me levassem ao hospital.

Era você, minha mana e eu não acreditava,
Queria carregar, beijar, e poder embalá-la
mas meus bracinhos ainda eram frágeis
e todos me recomendavam cuidado.

Quanto de alegria eu curti naquele momento,
vi que a vida era mais bela do que sonhei,
Agradeci a Deus esse milagre e novamente
tudo parecia colorido, intenso e feliz!

Era você, minha mana que crescia rápido,
enquanto eu me tornava uma adolescente,
e de mãos dadas olhávamos o horizonte,
e de mãos dadas continuamos a sorrir e a chorar.
Vânia Moreira Diniz

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O Mundo Que Renasce



Kiara
Pietra e Kiara


Desde novembro luto para ultrapassar um sofrimento imenso, com a doença do meu irmão, que me consome todas as vezes que o vejo sofrendo e tenho consciência do  ritmo de nossas vidas. Fico deprimida , embora tente lutar contra essa impressão de fraqueza e inconstância.


No entanto, dia 28 de março tive a alegria imensa de receber minha segunda bisnetinha Kiara nesse mundo e abrir meus braços para esse ser pequenino e lindo, que começa sua vida e que será a continuação dessa família, que construí com muito amor.
E como sempre me perdi em reflexões sobre o mistério do nascimento, algo que sempre me impressionou profundamente. Isso porque nessa hora o bebê está no limiar da vida, não sabendo o que é esse oxigênio que deve lhe dar a sensação do primeiro e inexplicável sofrimento.
Depois disso vem a calma , a percepção indefinida, que está em braços protetores , mas depende da mãe intrinsecamente tal como aconteceu no útero materno quando se desenvolvia lentamente para o nascimento.
Pareceu-me também que ligada àquela criança linda e amada eu estava no lado oposto de sua posição, em termos de vida e experiência. E as lágrimas corriam com essa emoção. Meu marido e eu nos abraçamos chorando justamente porque ali era o ápice de tudo que já plantamos nessa terra abençoada.
É impossível descrever o amor que se desprende de nossas almas tal a intensidade de sua manifestação e frequência com que pensamos no instante mágico de um passado que foi vivido e que nos parece estranhamente distante e ao mesmo tempo tão perto que é quase possível tocarmos nas pessoas que já se foram e se apresentam nítidas na memória como se tivéssemos usufruindo tudo isso agora.
Enquanto escrevia este texto emocionado meu marido me chamou para apreciar o que enxergamos constantemente, mas não sabemos “vivê-lo”: O sol que de leve transmitia seus raios com a fina chuva que caía, lindo quadro verdadeiro e que um dia a pequena Kiara irá observar com alegria e acreditando na força inquestionável de um Criador.
O mundo está entregue verdadeiramente ás minhas bisnetinhas que se encarregarão, tenho certeza de colher frutos saudáveis para suas estadias nesse planeta em que temos o privilégio de viver e com isso talvez possam curtir uma terra melhor, menos agressiva, mais solidária e muito menos egoísta.
É isso que espero, minha menina, que nasceu há uma semana e já fixa os olhos ao redor como se sentisse verdadeiramente acolhida nessa fase primeira de sua existência. Que Deus a proteja!

Vânia Moreira Diniz

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Ciganinha e Monteiro Lobato -Extraído do livro"Ciganinha" de Vânia Moreira Diniz


 Homenagem à crianças

Naquele dia Ciganinha passou pela sala onde seu avô recebia visitas e entendeu que estavam falando sobre Monteiro Lobato. Os trechos de diálogo que ouvira lhe interessaram bastante e viu como seu pai tinha razão ao pedir-lhe que lesse ou perguntasse sobre a vida do autor antes de ler a história.

Desde que recebera a coleção ficara seduzida pela forma que o autor escrevia, porque a verdade é que ela se sentia longe de tudo e exatamente no lugar que  Monteiro Lobato estava. Imaginava  mesmo sendo ainda pequena e inexperiente que  isso era uma arte e resolveu que  procuraria na biblioteca de sua casa e na de seu avô, livros que falassem do autor que ela sabia paulista e que tanto a agradava.

Não precisou procurar muito. No seu próprio quarto encontrou a biografia completa dele, certamente porque seu pai a colocara ali.

E entendeu que o autor queria receber retorno das crianças que o liam porque estava magoado com os adultos.Na sua cabecinha ela imaginava o certo porque muitas vezes se decepcionara com muitos adultos mas achava no fundo que isso não dependia do tamanho ou da idade. Pensou que um dia seu avô lhe falara isso, por alguma arte que ela fizera mas na verdade seus pensamentos iam num rumo acelerado passando de uma coisa para outra . Mas voltou a Monteiro Lobato. Fechou os olhos e se imaginou Narizinho, a idade das duas era quase a mesma e sonhou acordada  cercada por príncipes e reis que podiam ser tanto da espécie animal racional como não. O importante era estar ali, divagando, vendo não sabia através de que exatamente, mas achava muito fascinante  poder enxergar coisas e vivê-las só em pensamento... Era esse um mundo que ela desde que se entendeu por gente achava intrigante e maravilhoso. Costumava deitar e de olhos bem abertos ou fechados, não importa, deixar que as imagens aparecessem como fosse um filme e por vezes participava das cenas, conversava, ria, brincava, procurava se integrar de um modo completamente ativo. Ficava pensando que esse escritor que ela tanto amava  fazia assim quando contava suas histórias, só que escrevendo. E ela sempre imaginava isso quando contava uma história escrevendo no papel o que vivia na imaginação.

Nossa! Como ela era enrolada! Se dissesse isso às pessoas iam imaginar que era maluca. Mas de repente viu a figura que mais lhe entusiasmava e que Monteiro Lobato descrevia aparecer diante dela, enorme, forte, lindo como um verdadeiro herói e sentiu alguma coisa esquisita, uma espécie de felicidade: Heracles.Era ele, ali, tão majestoso, podia até falar com rudeza mas para ela encarnava a mais espetacular pessoa que já vira. Era tão bonito que chegava a doer e perto dele não sentiria medo de nada nem de ninguém.

Não precisava ir à Grécia ou deixar crescer para um dia chegar lá, ele já estava ali e poderiam conversar, como o fazia com suas amigas, seu pai, seu avô ou qualquer pessoa próxima. Seu coraçãozinho bateu de emoção, não conseguia falar para lhe perguntar tantas coisas que passavam na sua cabeça. Quando  seus lábios pronunciaram o nome de Hércules num português claro, sentiu que ele lhe contaria todas os trabalhos que fizera e já  se sentia sabendo tudo sobre aquelas aventuras, quando percebeu que o livro de Monteiro Lobato estava aberto no seu corpinho e que permanecia solitária no quarto grande e claro onde costumava receber seus mais extraordinários personagens.
Vânia Moreira Diniz

domingo, 2 de setembro de 2012

Encontro Especial e Maravilhoso

 Acho que não preciso mais falar mas ai está Mère Menino Jesus, eu e uma colega do colégio Sacré Coeur de Marie, colegas desde pequeninas.Beth Faria e eu crescemos juntas tendo as mesmas professoras e agora tivemos oportunidade de ter esse encontro com nossa mestra querida. Salve a vida e a energia que vem de Deus e que nos proporciona esses momentos inesquecíveis
 

Abaixo Mère Menino Jesus, nossa Mestra, agora com 83 anos e nós Beth Faria e eu que fomos colegas desde pequeninas e alunas dessa mulher extraordinária com nossos maridos, Paulo Diniz e Lucena Dantas.Não é maravilhoso e emocionate encontar-nos a essa altura da vida?
Vãnia Moreira Diniz


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Minha Professora, Mère Menino Jesus


Ontem recebi uma visita preciosa. A emoção foi tão grande que as lágrimas toldavam meus olhos a todo momento principalmente quando a abracei e senti  o amor de minha professora Mère Menino Jesus (Irmã Ilza) e a sensação dos velhos tempos de que perto dela nada podia me acontecer.
Quando a conheci ela era muito jovem encantou a minha turma com a força de seu sorriso, de sua saltitante alegria, de seus passos leves e firmes, de seu olhar terno que sabiam fixar com energia quando era necessário.
Aprendi com Irmã Ilza a ser verdadeira, pensar nas coisas boas que Deus nos oferecia, no valor da ética e da necessidade de aprender sempre mais e a ser correta nos momentos em que uma decisão devia ser tomada.
 Relembrava sua figura na sala de aula em que foi estímulo para minhas colegas e para mim e nas inúmeras ocasiões em que aprendemos a discernir o bem do mal, dormir com a consciência tranquila e nos alegrar sempre, estender as mãos aos que precisavam de nós ou nos arrepender de sentimentos considerados inoportunos.
Ontem foi um dia de recordações positivas, em que apreciamos as fotos antigas da nossa turma, falamos de cada uma e em que ela ouviu tudo que ocorrera durante o meu trajeto até hoje. Também pude sentar perto de minha professora ouvindo-a, sentindo suas emoções intensas, reiterando o quanto de admiração e carinho intenso sempre senti por essa mulher maravilhosa.
Tinha-me encontrado algumas vezes com ela, depois que saí do colégio, mas nesse momento, com a maturidade que acumula a sabedoria, estávamos ela e eu verdadeiramente unidas pelo sentimento do passado e principalmente da noção exata do que era vida e mesmo com o passar do tempo, do caminho que já era longo, tinha convicção de que suas palavras ainda me traziam muita experiência, exercício de aprendizado, conforto e amor.
Mère Menino Jesus marcou a vida daquela sua primeira turma que olhava para a jovem freira cheia de surpresa e entusiasmo afirmando para nós mesmas o quanto tínhamos sorte de tê-la como professora de história, e mestra de classe , o que significava que ela era responsável pela nossa turma naquele ano.
O tempo todo enquanto almoçávamos e depois conversando horas a fio eu não podia acreditar que Mère Menino Jesus estava ali, tão perto de mim, olhando-me com aquela ternura que eu conhecia tão bem e que naqueleinstante eu não precisava ensinar, proteger minha filhas, netas e bisnetinha, mas sim  sentir o conforto, aconchego e proteção.
Ao mesmo tempo pensei o quanto era importante para mim, olhar para Irmã Ilza, agora com 84 anos e sentir alegria ao segurar sua mão enquanto atravessávamos uma rua, quando fomos deixá-la ou ajudá-la a levantar-se mais suavemente do sofá.
No entanto, a sensação era de que ela nunca deixaria de ser a minha professora, protetora, com ensinamentos profundos e muito discernimento. Ela estava ali, perto de mim, com lucidez absoluta, sabedoria ainda maior que nos velhos tempos , experiência dos anos vividos ainda mais acirrada, e eu ali a observar com a mesma admiração do meus tempos de garota.
Cheguei à maturidade, mas pude usufruir no dia de ontem um privilégio que poucas pessoas experimentam, de receber uma visita preciosa que marcará mais uma vez o resto de minha vida.
Obrigada Mère Menino Jesus, obrigada pelos anos que conviveu comigo, pelos ensinamentos que me deu, pela certeza do que é realmente o nosso bem maior na estrada que trilhamos e pelo abraço que eu ficarei sentindo e as palavras e lágrimas que não se apagarão jamais!
Vânia Moreira Diniz

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Meu Pai (em homenagem ao dia dos pais)

João da Rocha Moreira - Meu pai
 Acho que nenhuma fisionomia me impressionou tanto quanto a de meu pai. Tinha traços marcantes e  os olhos azuis brilhavam imensos sempre revelando o que sentia interiormente. Eram os verdadeiros espelhos de sua alma. Sabíamos perfeitamente, meus irmãos e eu, o exato momento que podíamos conversar descontraidamente com ele ou aquele que seria perigoso fazê-lo. A não ser que fôssemos portadores de alguma notícia realmente esplendorosa.

        Era advogado  e essa profissão naquele homem especialmente inteligente, sensível, impetuoso e radicalmente reto e convicto me fascinava. Poderia ficar horas ouvindo-o e apreciando o dom de sua palavra fácil e sedutora. Mas claro, havia oportunidades em que nossas personalidades se esbarravam e minha mãe costumava dizer que entrávamos em conflito porque éramos parecidos de temperamento.

        Escrevia magistralmente e suas palavras  que eu ouvi diversas vezes em conferência e que explodiam ao som de seu timbre vigoroso   me entusiasmavam e ele me cativava cada vez mais como a todas as pessoas que o conheciam pela sua extraordinária capacidade.

         Tinha idéias arejadas e espírito aberto embora fosse totalmente exigente  em seus conceitos e idéias. Jamais me proibiu e até estimulava  meus vestidos modernos, decotados e curtos, namoros e distrações, mas jamais se conformou  com as peças de teatro que eu queria encenar. Eram brigas constantes e inócuas para mim porque sabia que sendo menor teria que obedecer, e isso muitas vezes me  deixava um sabor de mágoa.

         A vida jamais foi monótona tendo como pai aquele homem tão vibrante, seguro e maravilhosamente imprevisível. Suas gargalhadas ressoavam sempre extremamente agradáveis, mas o contraste era surpreendente. Realmente era uma pessoa fascinante pelos antagonismos: Doce e firme, sensível e arrebatado, compreensivo e por vezes intolerante, possuía como principal atributo além da inteligência brilhante e da cultura invulgar a vontade inabalável de ajudar a quem se lhe aproximasse.

         Nunca esqueço uma das conversas que tive com ele dentre muitas e que me deslumbrava, embora seus momentos de exuberância nervosa me deixassem tensa e preocupada. Estávamos almoçando juntos como várias vezes acontecia num restaurante de Copacabana no meu querido Rio de Janeiro. Eu era apenas uma garotinha de mais ou menos 13 anos, mas adorava trocar idéias com ele. Havíamos perdido há pouco meu irmãozinho de cinco anos, seu filho  e estávamos todos muito abalados. Nesse período vi que ele era o esteio da minha família em termos de fortaleza e entendimento dos momentos dolorosos da vida. Além da alegria que procurava impregnar à sua volta estava sempre pronto para um momento difícil e tempestuoso. Perguntei.-lhe se voltasse no tempo como seria sua vida. E se ele deixaria de fazer ou mudaria alguma coisa.

        Olhou-me fixando-me seus extraordinários olhos azuis e disse sem vacilar:

        _ Não, filha, não mudaria nada. Faria exatamente a mesma coisa. Daria os mesmos passos, apenas com mais experiência.Não me arrependi de nada do que fiz até hoje. Ninguém evita sofrimentos tentando mudar seu caminho, Vânia. Se não for de uma forma será de outra. Mas o sofrimento existe e teremos que enfrenta-los da melhor maneira tentando achar o modo mais adequado para vencê-los na hora certa. E teremos muitas vezes dias nebulosos e tristes. Assim como passaremos por momentos de felicidade indescritível. Isso se chama viver.

        Não pude responder porque as lágrimas me apertavam a garganta e a admiração interceptava minhas palavras. Mas essa conversa difícil e ainda prematura estão servindo de lição e força nas horas sérias e aflitivas e de estímulo e acolhedora lembrança nos alegres e ruidosos momentos de felicidade luminosa.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Minha Mãe



                                            Minha mãe em várias fases de sua vida
                                                 Clique na imagem para expandi-la
Na penumbra que me faz bem,
Diviso aquele rosto tão amado,
Sei que diariamente ela vem,
E meu coração espera calado.

Nos dias da infância eu relembro,
Seus olhos negros belos e brilhantes,
E ficava ali fascinada, querendo,
O gesto que vinha tão suavemente.

Rainha era na constante altivez,
Seu belo rosto impunha segurança,
E minha alma sofria toda vez,
Que dela me afastava sem esperança.

Vejo sua imagem sempre com saudade,
Os anos passaram e hoje relembro,
Com carinho extremo e muita suavidade,
Os alegres dias festivos de dezembro.

Todas as emoções vividas e rememoradas,
Os risos extravasantes a nos reunir,
As festas alegremente comemoradas,
E os sucessos que estavam por vir. 

Nossos passeios e lanches tão especiais,
Entremeadas pelas conversas vibrantes,
As crianças a pedirem sempre mais,
E a gritaria estridente e nada calmante.

Contemplo hoje minha mãe com amor,
Relembrando sensações de anos passados
E tudo me faz  sentir mágico calor
Nesse dia que traz recordações tão amadas!

                              Vânia Moreira Diniz

quarta-feira, 2 de maio de 2012


Foto tirada em 30-04-2012
Texto escrito quando publicamos o Livro de Poemas para nossos pais- 2007

Falar de  CristinaArraes é sentir fortemente a presença de todos os caminhos que já percorri. Desde seu nascimento vendo-a tão pequenina poucos minutos depois de nascida quando meu pai levou meus irmãos e eu para ver a nenê que chegava. Eu que torcia por outra menina, pois tinha a meu lado cinco irmãos fiquei hipnotizada pela emoção. Amei-a incondicionalmente e para sempre.  Queria envolvê-la em abraços e beijos, mas senti que minha vibração era tanta que os adultos não deixavam que eu a segurasse naquele momento maravilhoso.

Depois a vi crescendo e não permitia que ninguém a magoasse mesmo no colégio quando os professores chamavam a atenção por qualquer motivo E assim foi sempre, mesmo quando muito jovem casei e saí de casa. As saudades eram grandes e profundas, mas estávamos sempre unidas pelo carinho na ternura de uma amizade que ia além de nossas palavras.


Mas não estou aqui para falar de minhas sensações, mas para apresentá-la nesse momento de muita alegria quando ela ingressa oficialmente no mundo da literatura.


Cris como eu a chamo, sempre teve tendência para matemática o que me fazia admirá-la ainda mais, pois essa matéria sempre foi para mim complexa e apavorante.
Quando a via dominar muito cedo os números e com uma facilidade extrema e até mesmo estudar sempre além do que no momento ensinavam, minha admiração aumentava. Formou-se em estatística e convence a qualquer pessoa que a matemática orienta seus projetos em todos os campos de sua vida, tal como acontecia como meu pai.

Galgando passos largos na profissão que escolhera e trabalhando como pesquisadora no Instituto Brasileiro de Geografia e estatística - IBGE, graduou-se em orientação educacional. Gostava de ler muito e continuamente desde garota ficando horas na biblioteca de meu pai onde descobria o sabor intenso da leitura.


Escrever era para ela como um complemento de sua curiosidade pelo mundo que observava com olhos abertos de menina encantada pelo que via à sua volta. Foi por essa razão que, quando levantei meu site, convidei-a a escrever mais continuamente e publicar seus textos numa coluna.


 Insisti no fato que não devia desperdiçar seu talento. E realmente seu português correto, cultura, imaginação fértil, tendência para o estudo de sociologia e filosofia, estilo fascinante e principalmente muita sensibilidade fazia com que cada vez mais se aperfeiçoasse nesse dom que já possuía sem considerar-se uma escritora. E foi isso exatamente que aconteceu em poucos meses há muitos anos: Uma talentosa escritora

Cristina possui uma obra em textos extremamente rica e um blog “Buscando a poesia” onde sua alma deixa transparecer todo o seu talento. Fizemos juntas depois que nossa mãe morreu o Blog irmãs-escritoras e nesse momento estamos lançando o e - book com poemas dedicados a nossos pais.

Antes de falar um pouco mais desse livro desejo declarar o quanto a vida de minha irmã está enriquecida não só pelo exercício de seu trabalho no Ibge e com a prática da literatura no dia a dia mas também pelo discernimento nobreza, generosidade e senso profundo de justiça e ética.  Não é pelo fato de ser minha irmã porque isso é algo que foi e sempre será um marco de felicidade em nossas vidas, mas pelo que observei sempre desde que ela nasceu. É algo que está enraizado em seu caráter e que constitui uma força que carrega em cada passo de sua estrada.

Atravessamos juntas momentos tristes ou alegres todos intensos e embora a Cris more no Rio compartilhamos todas as emoções que são naturais na vida. Cristina é uma mulher forte, guerreira e profundamente humana. Os obstáculos não a detêm porque sua força interior é incomensurável.

É essa escritora, transbordante de talento, vida e humanidade que apresento aos nossos leitores e seus textos expressam sentimentos, discorrendo com sagacidade sobre a complexidade da alma, falando com sabedoria das experiências que o ser humano passa.

 Isso me recorda em reminiscências muito ternas o dia em que nasceu e crescendo juntos, ela, eu e nossos irmãos na barulhenta Rua Barata Ribeiro em Copacabana, tão perto do mar que sempre amamos, compreendemos o quanto era importante ter uma família, cujas raízes cultivamos e agradecemos aos nossos pais o exemplo e todos os ensinamentos que nos legaram.

Maria Cristina, a Cris, minha irmã, companheira, confidente e amiga está nesse momento como em muitos em nossa vida como parceira do e-book que lançamos em homenagem a nossos pais e mais uma vez revelando seu extremo talento, já reconhecido por outros sites em justas  homenagens.

Cristina, a escritora, a poeta e o ser humano corajoso que eu conheço aqui está e juntas lembraremos momentos especiais de nossas vidas.

Vânia Moreira Diniz


 

domingo, 22 de abril de 2012

Para minha irmã Vânia Moreira Diniz

Homenagem de Cristina Arraes

Pequena já revelava,
Por pequenos versos,
Palavras bem colocadas,
E uma curiosidade exacerbada.

Minha irmã,
Sempre, para mim, referência,
Cresceu e ganhou o mundo,
Seu sonho aconteceu.

Brilha na literatura,
É escritora e humanista,
Acolhe com carinho,
Aqueles que a ela recorrem.

Beijão, saudades!!!!
Cristina Arraes

quinta-feira, 29 de março de 2012

Crianças Especiais e Encantadoras - Dedicado a todas as pessoas especiais

                                                  

          Há dias foi um dia de festa e alegria. Fui visitar e participar de uma festa, numa clínica onde muitas crianças maravilhosas carregam suas síndromes as mais variadas e são tratadas e acarinhadas com amor fazendo com que cresçam com a auto-estima em progressão. Desde de síndrome de Down até todas as outras maiores ou menores que as tornam uma criança especial.


Entrando aproximei-me de alguém que amo especialmente. Loura, os olhos azuis esverdeados fixando ao longe um ponto indistinto, imagino que queira trazer para seu interior ainda tão infantil, esperanças e  visualize o colorido da felicidade . Minha vontade é abraçá-la e pedir-lhe que nos proteja,  chorando silenciosamente no seu colinho frágil e pequenino. Minha vontade é pedir-lhe fortaleza em minhas fraquezas para que possa ajudá-la. Minha vontade é infundir-lhe um calor tão grande que suas mãozinhas geralmente frias possam aquecer-se. Minha vontade é beijá-la e protegê-la do mundo e da vida, dizendo-lhe que sempre estarei aqui. Mas estaria enganando a mim e a ela. Prometo, então que de onde estiver a amarei sempre. Minha vontade é sempre vê-la sorrir invariavelmente e terei também nos lábios o sorriso úmido da esperança.



Aproximei-me de cada uma das crianças sentindo seus anseios indistintos, vontades não expressas e vigor nas investidas, que começam a manifestar-se de uma maneira  singular e emocionante.E amei-as a todas. Querendo  perscrutar seus mundos diferentes e me envolver com cada uma, levando  ininterruptamente a fé que carrego e canalizo em direção a elas.


Em meio ao barulho dos balões e as guloseimas que usufruíam encantados, percebi o quanto de vida e alegria existiam nos rostinhos inocentes que me fixavam como a pedir que lhes desse as mãos. Transformei-me em um deles, percorrendo os meandros de seus cérebros e querendo ver na densidade semi-obscura dos pensamentos,  a luz que estaria sempre presente  no decorrer confuso da vida.


Tive a convicção da vitória, do desenvolvimento lento, mas progressivo, da alegria que  transparecia, da paz que parecia projetar algo claro e  objetivo, naquele confusos caminhos da mente  ainda não definida.


Sinto então uma mãozinha fria, apesar do corpo completamente agasalhado que buscava  meu calor.  Era a minha pequenina, tão linda sempre sonhando com aquele colorido que a encantava. Dei-lhe a mão e percorremos juntas todo o espaço, que estava cercado por barraquinhas cheias de guloseimas, ou preparado para a “pescaria” de pequenas lembranças.


Enquanto segurava–a com uma das mãos, voltei-me para pegar a mãozinha de outra criança, cujos olhos amendoados, nos traços marcantes da síndrome de Down, só ocorridos pela diferença de um cromossomo, estavam evidentes, e procurei ler dentro de seu olhar a força que carregavam. E então as pequenas pescaram com minha ajuda cada uma a sua prenda.


Vi fascinada enquanto olhavam confusas para o pequeno presente, que a vida se manifestava em cada lembrança que recebessem, com aquele olhar curioso que concentrado por um minuto, apareceu com expressão ligeiramente definida e rápida. Amei aquele instante perpassado tão rápido, que enchia meus olhos de lágrimas abundantes e os das pequeninas de lucidez.
Vânia Moreira Diniz

Adeus ao Mestre Chico Anísio

O Mestre Chico Anísio se foi para brilhar entre as estrelas, enquanto ficamos aqui com essa saudade intensa já que ele acompanhou várias gerações. Sabemos que ele está bem, rodeado de admiradores, com muita paz e talvez fazendo os anjos sor...rirem. Nesses momentos compreendemos o quanto a vida é finita sem fazer diferença para
ninguém e aí está a conclusão de que somos verdadeiramente irmãos. Não levamos para o outro Espaço vaidade, dinheiro, classe social nem diferenças de qualquer tipo. A morte é o fim de todos nós e devemos estar preparados para essa realidade,
apesar do medo do desconhecido.
Vá Mestre Chico Anísio descansar nessa galáxia, com passaporte legítimo de sua arte e talento que tanto orgulhou o povo brasileiro
Vânia Moreira Diniz

quarta-feira, 14 de março de 2012

Dia Nacional do Poeta -Homenagem a Castro Alves



Nas palavras da escritora Vânia Diniz a homenagem da ALB ao 14 DE MARÇO - DIA NACIONAL DA POESIA - encontrando representação desta data, no poeta abolicionista Castro Alves - o qual, fazia da poesia, não apenas um instrumento a serviço do belo, da forma, do amor e da arte. Mas, sobretudo, utilizou o verso em defesa de direitos humanos, participando ativamente do processo abolicionista brasileiro. Um exemplo da cultura ativa, da palavra viva e do sonho transformado em ideal, objetivo e realidade. Mais do que o dia da poesia, comemora-se, com salvas, os títulos nobres e conteúdos comprometidos com a construção de uma sociedade justa e de oportunidades igualitárias, em um Mundo marcado pela desigualdade co-existencial animal e carência bioética. Isto, sem perda do indispensável romantismo de Chopin
(Mário Carabajal).



Dia 14 de março, aniversário de nascimento do nosso grande poeta baiano Castro Alves e em homenagem a ele é comemorado o “Dia Nacional da poesia" e dia 21 festejamos o “Dia Mundial da Poesia”.
Nestas datas comemoramos a poesia em todos os níveis. Aquela que sai da pena dos grandes ou desconhecidos, reflete a beleza do mar, o canto dos pássaros, os espaços luminosos ou a escuridão lírica, onde os namorados fazem suas juras de amor, nas noites enluaradas em que se canta a paixão e até nos momentos lúgubres em que a alma se obscurece e subjetivamente pede socorro e anseia por ternura.
O dia da Poesia retrata a criatura, com sensações, sorrisos, meiguice, o olhar em contemplação ou o sentimento abstratamente real de quem ama. Por isso é uma data especial, em que não há exclusividade nem influência do sucesso ou fama, mas que penetra na alma universal do mais desconhecido ser humano.
Nele a natureza transcende qualquer idéia descritiva para se alojar na beleza, encantamento, fascínio que domina o universo, em suas potencialidades intrínsecas, no infinito de suas revelações e não se refere à criatura somente, mas ao planeta no sentido mais abrangente.
O dia da poesia se manifesta na criança que nasce sofrendo o oxigênio que o inunda, na simplicidade de alguém emanando eflúvios de bondade espontânea, nas crianças à procura do alimento, nos pais chorando a tristeza de não poderem resguardá-lo, na simplicidade dos gestos, ternura dos olhares, reflexos do sol aquecendo o dia ainda frio, na solicitude dos que estendem a mão universalmente e no beijo, máxima expressão de afeto e de carinho.
Nele a bondade é seu maior atributo, generosidade que chega de mansinho sem que faça ruído, solidariedade que se manifesta no aconchego amigo, vaidade que é capaz de apartar seus próprios interesses e olvidar a presença do ego exigente para se doar em transe na presença do ser humano mais próximo.
A esperança se faz realidade, o dia explode em claridade ofuscante, o horizonte chamuscado de cores e projetados pela sombra amarelada espera passos cada vez mais céleres na busca dos sonhos ali abrigados e a estrada amacia os pés que a percorrem, saltitantes e ansiosos.
O dia da Poesia é único e encontra os liames da razão que ordena o minuto de paz, contorna a realidade e absorve o lirismo para que seja divulgado em letras de harmonia a todos que desejam dele se aproximar.
Nele a terra gira impondo química e sentimento enquanto o poeta compõe o que a inspiração sugere radiante em cada momento de suspense ou nos instantes que não se repetirão com a mesma força e realidade. Nele a poesia lidera onipotente e somos instrumentos, expectadores apreciando a força do mundo que naquele momento só poesia infunde.
O dia da Poesia é á conscientização da formosura, vida e alegria, das flores multicores e dos movimentos inconscientes da natureza, dos embalos inesperados, do amor surgindo, da amizade reiterando e das sensações que transmitem a sua origem.

Mas verdadeiramente não há dia específico para a poesia, porque ela existe independente de tempo e hora ou data, constantemente em todas as situações. Dias de poesia são consecutivos, plenos, absorventes e inspiram ao poeta a hora certa de transmiti-los.
Na verdade todos os dias nos levam à poesia de uma maneira ou de outra, por intermédio da natureza, do amor, da generosidade ou do carinho, do olhar de uma criança, do perdão, da compreensão, da saudade e da união de todos os seres humanos.

Vânia Moreira Diniz
12-03-2012



Amo a poesia
Vânia Moreira Diniz

Amo a poesia,
Em seus mínimos movimentos,
No lirismo que comove
Na ternura das verdades,
Encanto a falar de amor,
Anunciando o carinho.
Que se desfaz em frases,
Escorrendo entre palavras,
Chegando ao coração,
Por vezes lágrimas provocando,
Ou sorrisos de meiguice.

Amo a poesia,
Cultuando a natureza,
Em mil versos diferentes,
Enaltecendo os sentimentos,
Do amor universal,
Protegendo os carentes,
Amando os excluídos,
Envolvendo-os com suavidade,
Abrigando os especiais,
Entendendo seus olhares,
E ouvindo seus segredos.

Amo a poesia.
A descrever a natureza,
Seus tons coloridos,
O céu, a terra, as estrelas,
A lua dourada a nos iluminar,
Com a reconhecida magia
de séculos de compreensão,
Os rios em seu curso veloz,
os lagos tranqüilos,
A tempestade devastadora,
E o sol a aquecer o planeta
E trazer o calor que conforta.

Amo a poesia
A falar de amor,
Vibrar nos acordes da paixão,
Acariciar o beijo dos namorados,
Proteger as carícias dos amantes,
Restaurar os elos dos afetos,
Fundir sentimentos partidos,
Interromper as mágoas,
Presenciar o desejo dos que se amam
e indicar-lhes o momento de prazer.

Amo a poesia!

terça-feira, 6 de março de 2012

Mágica de ser Mulher


Acima de todas as conquistas devemos conservar a o maior dom que temos: A Mágica de ser mulher                                                                     

Aprendi a ter orgulho de ser mulher desde que tomei conhecimento da vida. Nada podia ser mais enaltecido em minha família do que a figura ímpar  da mulher.  De tudo que ouvia falar na minha infância estava ela ali, imponente e magnífica em todos os aspectos.

Olhava para os lados e via muita admiração à minha volta. Assim foi o lar que cresci. Tive muitas e fortes divergências com meu pai, e por vezes meus olhos enchiam-se de lágrimas ao contemplar seus profundos e expressivos olhos azuis. Mas nunca, em nenhuma oportunidade, nem nos momentos mais conflitantes, encostou a mão nem de leve em minhas irmãs ou em mim, como gesto de agressão.

Minha mãe estava sempre altiva, a manter segurança e conservar uma confiança natural, que expandia certa de seu valor, e acostumei-me a vê-la sempre admirada e majestosa. Claro que sabia e convivia com algumas que ainda se sentiam oprimidas e infelizes. Falava-se muito na evolução da mulher e nos direitos inerentes, e as ativistas, a todo o momento,  impunham as idéias da  supremacia que deveria existir ou conquistarmos.

 Havia, entretanto os hábitos machistas enraizados, e até leis que ainda protegiam a subserviência feminina, que aos poucos estava sendo combatida com veemência, propiciando a vitória que  sorria com ânimo e certeza.

Olhava para o mundo empolgada por pertencer a um sexo que se doava incessantemente, mas que tinha em contraposição alegrias e prazeres especiais, oriundas dessa categoria privilegiada, e cuja liberdade e independência surgiam apesar de todos os preconceitos.

Adquirimos direitos que nossas avós jamais sonharam um dia,  entretanto  não podemos esquecer que ao lado da liberdade, do livre arbítrio, da facilidade de andar e escolher nossos próprios destinos e ter um lugar ao sol, que nos conduz à legitimidade de direitos e deveres, somos realmente mulher. E acima de tudo devemos preservar a todo o custo a feminilidade, fascínio e encanto de  todas nós.

O difícil não é vencermos as batalhas que enfrentamos e nas quais hasteamos uma bandeira de lutas gloriosas, porém obter isso tudo, conservando a mágica de ser mulher.                                  

Vânia Moreira Diniz

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Pietra

Vânia Moreira Diniz para minha primeira bisneta : Emoção


 Pietra nasceu nessa primavera,
Com a claridade harmoniosa do dia,
Trazendo doçuras e ternas alegrias,
... Eu nem sabia se chorava ou ria.

Frágil, linda, pequenina e delicada,
Mais parece uma encantadora boneca,
Aspirando oxigênio com bravura,
Pérolas rolando no limiar da vida.

Sinto o fascínio e amor em minha alma,
Em lágrimas preciso acariciá-la,
Dizer o quanto valeu sonhos e espera,
E inclinada em seu corpinho chorar.

Cláudia, Marina, Pietra, só desejo aspirar,
As reminiscências que me fazem recordar,
Momentos que jamais poderei entender
Quando nas curvas do caminho me envolver.

Minha alma se desfaz em transe calada
No amor em brasa como garra de ternura,
Procurando meu coração a confidenciar,
A ventura que já nem sei extravasar.

Primavera de 2006
Vânia Moreira Diniz

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

De mãos dadas com você



A casa onde crescemos juntas na Rua
Barata Ribeiro- Copacabana- Rio de Janeiro


Texto dedicado à minha irma Cristina pelo dia do seu aniversário- 14 de dezembro

Sinto amor na recordação
daquele ano que me comoveu,
 enquanto ainda criança imaginava
vê-la, tê-la nos braços e sorrir.

Uma criança ia nascer brevemente
e enquanto eu fixava esperançosa,
a barriga de minha mãe durante meses,
sonhava com uma menina como eu.

Vivia cercada de meninos e queria
poder estar ao lado de alguém,
que entendesse o meu choro ou lágrimas,
mesmo que muitos anos nos separassem.

Quando anunciara que era uma menina,
meu coração vibrava tanto e tanto
que me fazia trêmula enquanto imaginava
e pedia que me levassem ao hospital.

Era você, minha mana e eu não acreditava,
Queria carregar, beijar, e poder embalá-la
mas meus braçinhos ainda eram frágeis
e todos me recomendavam cuidado.

Quanto de alegria eu curti naquele momento,
vi que a vida era mais bela do que sonhei,
Agradeci a Deus esse milagre e novamente
tudo parecia colorido, intenso e feliz!

Era você, minha mana que crescia rápido,
enquanto eu me tornava uma adolescente,
e de mãos dadas olhávamos o horizonte,
e de mãos dadas continuamos a sorrir e a chorar.

Vânia Moreira Diniz

Feliz aniversário, mana!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Até breve, primo Heliomar de Alencar Arraes

Cheguei do enterro de um primo muito querido, que me conheceu quando eu era ainda pequena e praticamente acompanhou minha trajetória através do contato que tínhamos.
Conheci  Heliomar na casa de meu avô que reunia jovens estudantes e discorria sobre todos os assuntos com sua grande sabedoria.
Nesse tempo eu era uma criança e ficava encantada com os debates que muitas vezes não compreendia, mas gostava de assistir.
Mais tarde quando já estava casada mudei-me para Brasília e pouco depois meu primo veio também com sua família por motivos de trabalho. Sua mulher e eu tornamo-nos muito amigas. Eloísa é uma mulher inteligente, bondosa, desprendida e houve uma empatia que perdura até hoje.
 Vi meus priminhos, Virgílio, Márcio e Fernanda que atualmente são adultos crescerem e meu marido e eu somos ligados profundamente à toda essa parte da minha família que só nos trouxe momentos de alegria nos encontros, no congraçamento, nos abraços saudosos e na acolhida maravilhosa que eles nos dão. São os únicos parentes que temos na capital além da família que constituímos.
Fico impressionada como somos imprevisíveis diante da finitude da vida. Se pensássemos mais nesse insondável mistério  haveria certamente um mundo mais compassivo, ameno, sem egoísmo , inveja ou outro sentimento negativo.
Vamos morrer um dia e não sabemos quando,  por que então  não curtirmos as alegrias, a companhia das pessoas queridas, os momentos em que  sentimos nossos irmãos de caminhada felizes e porque não compartilhamos com eles nossos momentos mais auspiciosos?
Heliomar era uma pessoa maravilhosa, incapaz de ofender quem quer que fosse, espirituoso  e vibramos  muitas vezes de seu modo de encarar a vida , de sua persistência e da cultura infindável que revelava em todos os assuntos  e isso porque a leitura era seu paradigma.
Digo isso não porque ele não está mais entre nós, mas  pela admiração que sempre nutri pelo meu primo. Quando menos se esperava se saía com uma frase e fazia rir todos que estavam perto dele. Não o fazia propositalmente,  porém com a naturalidade que lhe era inerente.
Encontrei no velório o irmão de Heliomar, Virgílio, que mora no Rio , que eu também admirei desde muito cedo e que foi músico do Conservatório Nacional de Música e continua a interpretar ainda hoje com seu maravilhoso violino. Recordo-me que eu ficava absorvida e fascinada quando o via tocar.
E como a vida nos separou tanto a ponto  de não vê-lo  durante tantos anos e só acontecer  esse encontro numa ocasião tão triste? Por que somos capazes de nos distanciar de pessoas que amamos e admiramos?
Para ilustrar o caráter de Heliomar as suas últimas palavras antes de entrar em coma  foi: “Obrigado por tudo! “
Vá, primo, sei que só poderá estar num lugar de muita paz e luz intensa, mas fique certo que todos que privaram de sua convivência sentirão muita falta de você. Até breve!
Vânia Moreira Diniz

sábado, 29 de outubro de 2011

Como é bom ter amigos...


     Aos meus amigos

È bom viver, amar, sentir , ter amigos,
Enxergar o sol e aquecer meu corpo,
Reconhecer o mundo girar e me envolver,
Abraçar  a todas as pessoas, ser feliz!


É bom entender das ânsias  do coração,
Saber domá-las firme e sem sofrimento,
Ouvir nossos semelhantes a nos confidenciar,
E saber calar para escutar o som de suas vozes.


È bom voar por entre nossas esperanças,
Realizar sonhos, escalar alegrias esquecidas,
E caminhar a contemplar as montanhas,
Companheiras imutáveis das fantasias!


É bom poder fazer as coisas mais simples,
Escrever , transmitir, compor, realizar,
Entender em consciência a felicidade,
Ouvir as palavras amigas, enternecida!


È bom cantar, girar, cadenciada,
No ritmo que nos transporta docemente,
È bom estar com vocês, estar com vocês é bom...
Como é bom sentir vocês ao meu lado...

 Vânia Moreira Diniz

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Dia do Advogado-Homenagem a meu Pai


por Vânia Moreira Diniz
 Texto dedicado também à minha irmã Cristina Arraes que cresceu comigo, presenciou e  sentiu as mesmas emocões descritas
Essa é uma data especial para mim. Minha família se dividia entre advogados e médicos, sendo que muitos deles escritores e jornalistas. E a figura que sempre vi como o legítimo representante dessa classe da justiça foi meu pai.
Era uma figura ímpar. Muitas vezes como qualquer filho tive divergências com ele.Mas amava-o e admirava-o profundamente.Em muitas e muitas ocasiões ficava considerando como era enaltecido em seu meio e como as pessoas tinham nele uma cega confiança. Dedicava-se com um carinho e profissionalismo profundo a seus clientes e como era Procurador da Fazenda também, suas atividades eram demasiadamente dirigidas ao Direito. Para mim, naquela época era um legítimo representante de uma “entidade superior.”
Aproximando-se o dia que homenageia o advogado lembro-me com especial carinho de meu pai e avô materno. Mas hoje vou falar mais de meu pai para que em outra oportunidade relembre com amplidão a de meu querido avô.
Alto e magro, muito elegante o rosto de traços marcantes e olhos profundamente azuis e penetrantes que chegavam a esfriar o coração quando ele fitava com severidade mas sabia derretê-lo nas horas de conforto e demonstrações de amor.
Gostava de ir ao seu escritório imenso onde se juntavam as salas dos assistentes e estagiários formando uma plêiade dos profissionais do direito.
Na entrada a secretária que sempre me recepcionava com alegria e um sorriso animado, convidavam-me ao convívio num ambiente que eu amava.
Aprendi com ele que ser advogado era ser justo, ético e possuir um caráter reto, indomável, consciente e sempre disposto a ouvir as razões que se lhe apresentavam. Algumas vezes, a pedido meu, acompanhava-o ao Tribunal de Justiça onde se realizavam as audiências e me fascinava com as vestes dos advogados e a toga do juiz que simbolizavam poder e justiça naquele momento que o julgamento era feito. Ali de longe, meu pai parecia um ser “onipotente”
Na minha casa, muita tarde já, de madrugada, quem chegasse até seu gabinete, o veria trabalhando e escrevendo. Sua profissão era exercida com tanto amor que até nós, crianças, compreendíamos a vibração que parecia emanar de sua figura já por si só imponente.
Fazia constantemente palestras em que seu poder de oratória e a voz potente e o talento raro de improvisar com brilhantismo, soavam emocionando a todos que o ouviam o que me deixava encantada e transmitia-me uma segurança que eu não saberia explicar.
Jamais esquecerei quando era ainda uma criança e fui com toda a família assistir à sua posse num cargo de direção na Ordem dos Advogados e ternamente escuto, totalmente sensibilizada, essas palavras que refletem em meus ouvidos com estranha e clara precisão. Claro que não as decorei, mas o som, a música de sua voz e a tradução de suas frases perfeitas e elegantes sempre serão um eco embriagador.
Sobre a humildade ele assim se manifestou:
“Ao ingressar nesta tradicional instituição, na qual têm assento as mais ilustres e representativas figuras da cultura jurídica brasileira, imponho a mim o dever de consciência sobre a minha pessoa, empenhando esforços para fugir a qualquer exagero de valorização e a qualquer modéstia forçada”.
“Tenho na mais alta conta a virtude da humildade, procuro sempre pautar os meus atos pelas regras da modéstia. Mas o conceito que formulo de humildade não é de caráter exterior, obedecendo a movimentos de fora para dentro. Não. Humildade, para mim, reduz-se ao conhecimento exato das nossas possibilidades, do que somos dentro do mais puro realismo. A humildade que nega os méritos do indivíduo traduz-se em orgulho, pois visa, antes e acima de tudo, a provocar dos espectadores manifestações de discordância, exarcerbando-se qualidades inexistentes.”
Poderia ficar horas falando do seu brilhante espírito, inteligência e retidão e contando passagens fascinantes de sua vida, mas desejo por hoje em nome de meu pai homenagear o DIA DO ADVOGADO, os seus bravos e lutadores componentes, a justiça do Brasil que ainda nos deixa guardar um pouco de esperanças merecidas e ao mesmo tempo evocar a figura do magnífico advogado Dr. Rocha Moreira que encheu minha vida e a de meus irmãos de muitos ensinamentos e amor e que soube com rara capacidade e dedicação elevar a imagem do verdadeiro advogado.
Vânia Moreira Diniz

sábado, 6 de agosto de 2011

Pai, hoje não quero pedir... Por Vânia Moreira Diniz


Hoje não quero pedir. Tenho a impressão que de uma forma ou de outra sempre pedi a vida inteira alguma coisa a meu pai. Mesmo que não tenha sido explicitamente.

Nesse momento desejo agradecer. Agradecer a oportunidade que tive de usufruir de sua companhia, de seus ensinamentos, de suas palavras, de sua inteligência, do modo como olhava os filhos, misto de suavidade e severidade, da maneira aberta como conversava conosco, da preocupação com nossos estudos, com nossas tristezas e alegrias, da expressão de seus olhos procurando uma maneira de saber se estávamos bem.

Ele era um homem do futuro, mas ao mesmo tempo em certas coisas achávamos que era estranho o contraste de sua liberalidade e do modo como  era rígido em certos aspectos.

Admirava meus vestidos curtos, os decotes ousados, os namoros, as festas ou o prazer como me divertia, mas ao mesmo tempo proibiu que eu fizesse teatro. Ficávamos estonteados pela reação austera de certos pensamentos, porém imaginávamos que tinha a influência de minha mãe.

Embora profundamente inteligente e preparado a influência de minha mãe era evidente e por vezes embora ele tenha concordado com algo que lhe pedíamos, sabíamos que tudo poderia mudar se a mulher fosse de opinião contrária.

Tenho saudades dele, de seu modo de ser, de sua gargalhada sempre tão espontânea, da roda de amigos, das reuniões em casa, das festas de aniversários, dos presentes e surpresas com que nos homenageava.

Desejo agradecer o amor sem limites com que nos cercava e como precisei dele em várias ocasiões diversas e imaginava que estava vivo, sempre pronto a conversar sobre todos os assuntos, fixando-nos com seus olhos azuis e profundos.

Mesmo assim em muitas ocasiões contemplo sua foto em frente ao meu computador e a impressão que tenho é que está me compreendendo quando fico a recordar várias ocasiões, muito crente que ele está me ouvindo ou lendo as palavras que estão prestes a sair.

A justiça era sua maior qualidade, o senso de igualdade, de generosidade ou a mão estendida sempre que alguém precisava. Por isso desejo agradecer a Deus ter passados tantos anos em sua companhia, podendo receber tudo de bom que fluía de seu espírito aprendendo lições que certamente jamais aprenderia em livros.

Gostava imensamente de música clássica ou mesmo popular e aos Sábados acordávamos com o som maravilhoso que enchia a casa inteira de harmonia traduzida nessa arte de sentir cada nota que vibrava.

O meu agradecimento não cessará nunca. A certeza de um mundo que poderá sempre melhorar, a confiança nas pessoas, o amor pela humanidade, a confirmação que as pessoas boas sempre estarão em maior quantidade, a vontade de estudar e saber cada vez mais, a necessidade de ampliar e ter cuidado para não magoar as pessoas, a certeza que o perdão está acima de qualquer ressentimento, a ética que praticava incondicionalmente e a alegria de viver tudo isso eu apreciei dentro da minha casa e só desejo que consiga praticá-los.

Obrigada, pai.! Obrigada por ter me ensinado um caminho suave, de ter podido conviver com você tantos anos e de ter me deixado noções exatas da humanidade verdadeira.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

LUZ, SOL, AVANTE Para minha irmã Cristina Arraes

Vânia Moreira Diniz

Uma rua está chegando ao fim
Mas quantas estão à sua espera,
Espaços  imensos cheios de luz,
Talvez mais prazerosos e iluminados.

Não, não deixe que seus olhos
Reflitam dúvidas ou incertezas,
Não vê ali o horizonte lá longe?
Caminhe segura em sua direção.

Quantas surpresas esperam esse momento?
A vida que ilumina a estrada que ignorou
E agora parece nítida,  linda e sedutora,
levando-a para projetos diversos e encantadores!

Vamos andando, sentindo agora o porquê,
Entendendo o que parecia escuro e inacessível,
E no instante seguinte reaparece o sol quente,
mostrando-lhe a esperança,o futuro e a flicidade.

Avante, avante, não hesite no caminhar seguro,
Procure entender a linguagem de outras fases .
agradecendo o que se foi e o que está por vir,
avante, minha mana, avante, estou com você.

Vânia Moreira Diniz
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