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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Trivialidades


A Caneca




Hoje vou escrever sobre trivialidades, que será tema persistente desse blog e que são importantes na vida de cada um. Isso pertence ao meu blog “Ressurgindo”  ao qual prometi ser muito pessoal e transmitir minha vida de uma forma detalhista para que possa um dia deixar para minha família e amigos  e também mostrar aos meus eventuais leitores que todos nós temos as nossas manias, principalmente nascidas na infância.
Adoro pequenas coisas nem muito valiosas,  mas que constituem para mim um fetiche. Como escritora, mesmo que desconhecida, gosto de passar para o computador (como passava ante para o papel) minhas trivialidades que até ficaram só comigo, mas que hoje pretendo expor como direito de qualquer pessoa que escreve.
Ontem, entrando numa importadora com muitos objetos nacionais interessantes dei com uma caneca e minha velha mania acirrou o desejo de comprá-la.
Quando meu marido está me acompanhando nessas ocasiões ele tem a máxima paciência de esperar  mesmo porque já sabe que  não sairei sem comprá-la.
Para que vocês entendam gosto de tomar água o dia inteiro enquanto trabalho com uma caneca ao lado do computador. Só não pode ser sempre a mesma. Quando ponho os olhos em outra diferente compro-a logo e peço à minha boa secretária que a prepare para mim. E um dia volto novamente para as  que  deixei encostadas em outra época.
Na verdade só esse tipo de  coisas me induz a ser volúvel, porque sou absolutamente  “fiel” na minha vida. No caso das canecas tenho centenas delas e quando vi essa ontem em várias cores e com uma tampa de rosca lembrei-me de quando era bem pequena quando minha mãe comprou uma parecida para levar na  dita “lancheira” tão elegante onde era colocado meu lanche.
Gostava de comprar as comidas apetitosas do colégio, mas mesmo assim   a “medida provisória” decretada por minha mãe era que mesmo assim nós levássemos os lanches de casa. “Eram mais saudáveis”. Isso não impedia  as guloseimas depois.
Voltando à caneca habituei-me a tomar sempre em canecas escolhidas por mim tudo que fosse líquido. Desde os vinhos, ponches até os caldos quentes nas noites de inverno e água o dia inteiro.
Nunca esquecerei da primeira vez que minha mãe comprou uma caneca que muitas crianças daquela época deveriam ter que fechavam completamente formando uma roda, tão sofisticadas  mas que as freiras do meu colégio me impediram de oferecer a uma menina que era órfã, cuidada por elas e essa foi uma das decepções de minha vida. Proporcional à minha idade.
Chorei muito, mas não esqueci desse momento e acho que foi assim como lembrança da minha infância, que jamais esqueci esse momento da minha vida e até hoje sou apaixonada por canecas as mais diversas.

Trivialidade muito importantes que projetam um filme em minha cabeça e o encanto natural de certas fases de nossa trajetória.
Desculpem o tema tão trivial, mas muitos outros estarão aqui no meu blog “Ressurgindo”, que será uma fiel testemunho de minha vida.
Vânia Moreira Diniz

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Minha irmã Cristina Arraes

Sinto amor na recordação
daquele ano que me comoveu,
enquanto ainda criança imaginava
vê-la, tê-la nos braços e sorrir.

Uma criança ia nascer brevemente
e enquanto eu fixava esperançosa,
a barriga de minha mãe durante meses,
sonhava com uma menina como eu.

Vivia cercada de meninos e queria
poder estar ao lado de alguém,
que entendesse o meu choro ou lágrimas,
mesmo que muitos anos nos separassem.

Quando anunciara que era uma menina,
meu coração vibrava tanto  e tanto
que me fazia trêmula enquanto imaginava
e pedia  que me levassem ao hospital.

Era você, minha mana e eu não acreditava,
Queria carregar, beijar, e poder embalá-la
mas meus bracinhos ainda eram frágeis
e todos me recomendavam cuidado.

Quanto de alegria eu curti naquele momento,
vi que a vida era mais bela do que sonhei,
Agradeci a Deus esse milagre e novamente
tudo parecia colorido, intenso e feliz!

Era você, minha mana que crescia rápido,
enquanto eu me tornava uma adolescente,
e de mãos dadas olhávamos o horizonte,
e de mãos dadas continuamos a sorrir e a chorar.
Vânia Moreira Diniz

Outubro, mês da Magia

 

Outubro chegou há quatro dias quase junto com a primavera e é esse o grande segredo desse mês maravilhoso e que eu amo tanto.

As árvores se tornam mais frondosas, as flores mais lindas em suas tonalidades especiais e a natureza parece que quando a olhamos tira a respiração, tão linda e feiticeira em sua extraordinária magnitude.

Outubro para mim é acima de tudo um estado de espírito e normalmente mergulho em sensações as mais deliciosas e procuro viver intensamente, com as recordações ou o momento presente, curtindo cada acontecimento da vida.

E quando sinto que falam em utopia, sorrio feliz, lamentando que não possam entender esse momento tão extraordinário da minha vida. Prossigo certa que preciso aproveitar como se em qualquer lugar do planeta fosse o paraíso de proporções inatingíveis e ao mesmo tempo tão plausíveis e reais que admiro, cada momento dessa fase de minha vida.

Outubro é o mês das crianças e as sinto tão esfuziantes como se repentinamente pudessem correr livremente pelas ruas de qualquer cidade, libertas, vivendo cada minuto de sua infância e certas que estão protegidas do mal.

Eu nasci em outubro e sinto como se tivesse recebido um presente eterno, que não posso agradecer suficientemente tal a grandeza que sinto nesse mês privilegiado.Talvez por isso parece que tudo que me acontece de bom converge para essa data e realmente quase todos os momentos felizes acabaram se concretizando nele.

Não que os outros meses não tenham importância, todos eles fazem parte do contexto de nossas existências e desse caminhar fantástico que é viver... Mas para mim particularmente Outubro tem a magia dos grandes encantos, dos sonhos realizáveis, dos objetivos duradouros e dessa doçura que faz sonhar com mais intensidade e me convencer da certeza das fantasias coloridas não importando o valor cronológico, todos os anos me encontro nesse estado de espírito.

Nesse mês de outubro de 2009 além de marcar o tempo no dia 21 que é o dia em que vim ao mundo, aspirando o oxigênio salvador, há muitos outros eventos em curso que me deixam sensibilizada na magia de comemorações importantes para minha vida.

Um dia com poucos anos de nascida, já senti o valor intrínseco do amor e da amizade e não por normas definidas, mas porque tantos os acontecimentos tristes como alegres vieram me dizer a importância de cada momento que vivi.E por ser a vida finita essa intensidade é maior e um minuto pode valer uma eternidade.

Hoje quando abri os olhos e ouvi o canto dos pássaros em plena capital, pude me recordar de tantos episódios enquanto apreciava o céu muito azul e o horizonte vasto e lindo que agradeci ao Senhor do Universo a mágica vivência que tem sido minha estrada e fechei os olhos sentindo o mês de outubro que não só me deu a oportunidade de nascer mas me ofertou o presente da primavera e sua beleza e encanto fascinante enquanto comemoro algumas datas gratas ao meu coração e agradeço as pessoas que encontrei nesse paraíso de diversidades infindas e especiais.

Vânia Moreira Diniz

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O Sonho Apenas Passou Por Nós...




O Sonho apenas passou por nós...

Perdoem-me falar um pouco de sentimentos pessoais num editorial do nosso Portal, mas pela primeira vez tenho a impressão que é proibido sonhar. Estou em plena consciência, a lucidez completa que expulsa o devaneio. Pensando num futuro objetivo, esquecida de muitas passagens que nos fizeram andar com passos incertos. Agora sim. Pela primeira vez tenho a sensação que nada vai nos machucar. E isso porque chegamos a um tal ponto que só podemos esperar pela reconstrução, reinvenção de nossos próprios valores exigindo de nós mesmos atitudes serenas porém firmes.
Outubro chegou hoje, o mês mais encantador que conheço, com sua magia, encanto, relembrando-nos o mágico poder das histórias de conto de fadas de nossa infância, a mês dedicado às crianças e aos professores, mas entendo que já não se dá muito valor ao “legítimo” no sentido amplo da palavra como é a missão dos professores e não se pensa que a criança é algo importante demais para que deixemos que ela veja como atualmente cenas tão cruéis. O que sabemos é que precisamos resgatar tudo isso. Imediatamente, sem um segundo de espera para que todos possamos ser felizes.
Estamos na primavera, flores e plantas coloridas, a sensação de um aroma conhecido que se espalha e nos conduz para essa natureza multicor. Tenho confiança que nosso sonho se foi, mas ficou a certeza da beleza, da esperança e dos sentimentos, aqueles que vemos com olhos da realidade encantadora e plena.
Estranho como apesar da ausência de certas convicções somos capazes de buscar nessa estação delirante de outubro a doçura de momentos que se aproximam.. O céu muito azul, nuvens esparsas e brancas, crianças espalhadas pelos parques, bebês nos carrinhos, sorrisos quentes pela madrugada, a alma que vigiava alerta o amanhecer fogoso para curtirem o dia que se estenderia doce e sedutor.
Nesse momento ali está o que sempre admiramos: O céu parecendo se encontrar no horizonte com a luz amarela e laranja em reflexos que nos fazem ter vontade de sentir entre os dedos essa mágica da natureza.

Desejamos sentir no rosto e no corpo esse sol de primavera, deitar-nos ali, fechar os olhos admirando as flores nascendo viçosas e perfumadas e então ansiar que todos possam usufruir esse momento mágico, sem lembranças nem expectativas, sonhos esquecidos ou tristezas. Por um segundo apenas.
O meu sonho se foi, mas ficou a primavera. Agora sou eu que não quero sonhar, mas viver. E usufruir o hoje e agora pelo menos nessa estação florida que acabou de chegar, desejo dar-lhe as boas vindas, saudá-la como sempre fiz e pedir que possa levar seu perfume a todos. Agora, nesse momento de harmonia onde o arco-íris imprime alegria e deixa nos brilhos dos olhos a marca de sua profundidade, não desejo sonhar, mas viver. Não desejamos apenas sonhar, mas viver...
E então amanhã será um novo dia, mais consciente e lúcido, tranqüilo e ameno baseado em verdades nada contraditórias, mas coerentes e poderemos sentir que o sonho apenas passou por nós, tocou-nos de leve e foi embora deixando por enquanto a primavera e depois a felicidade. O sonho apenas passou por nós..
A primavera nos traz lembranças, porém acima de tudo nos impulsiona para o amanhã como sempre aconteceu e o tempo nos ensina cada vez mais o segredo do “saber viver” com valores diversos, baseados na reflexão e nas experiências que o caminho ensina e traduz. O sonho apenas tocou em nós.
O Portal Vânia Diniz, seu editor e colunistas se erguem nessa primavera de outubro desejando e exigindo a luta constante por “um mundo melhor”

Vânia Moreira Diniz




quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Algumas Palavras por Vânia Moreira Diniz



Com saudades de escrever no Portal Vânia Diniz, afastada um período pela preparação do Evento da ALB-DF e também por tristezas pessoais, resolvi escrever um breve editorial. Desejamos que nossas palavras surtam algum efeito sobre nossos lei...tores, não importa o número e que possamos continuar nosso trabalho progressivamente. 

Será bem melhor do que correr desbragadamente em busca de vaidades concretizadas ou apenas satisfação de nossos egos. Se assim fosse eu estaria traindo meu sonho maior que será sempre da união entre as pessoas e de prática do amor universal. Claro que a divulgação do que fazemos é importante na medida em que mais pessoas poderão se unir a nós. Mas não é o primordial.

Convençamos em primeiro lugar aqueles que já estão aqui e cujas mãos estão unidas às nossas e eles tenho certeza se encarregarão de passar a outros corações o nosso projeto. Olhemos na mesma direção como disse Leon Blois, que embora tenha sido um escritor francês infelizmente desconhecido influenciou aqueles que se aproximaram dele. Como ele disse “ O princípio da sabedoria é a simplicidade da intenção” .

E o que há de mais básico do que termos consciência de que somos todos nascidos para a felicidade e as diferenças não nos separam, pelo contrário nos unem ainda mais pelos princípios inerentes a cada ser humano e que poderá certamente ser um ensinamento mútuo?

As diferenças atraem na medida em que podemos aprender mais profundamente e ser a forma de nos compreendermos integralmente.É isso que procuramos . Usar a literatura também como instrumento de inclusão. Há princípio mais simples do que esse?

A literatura encheu minha vida de alegria e realização desde que eu tinha seis anos e sei que será assim até o último dia de minha vida.

Amo, brinco, danço, converso com o mar, a lua , as estrelas, aprecio as coisas belas que a vida me oferece e ao mesmo tempo procuro força em nossos sonhos mais fascinantes e sei que ela sempre será minha inspiração.

Obrigada por me lerem e estarem comigo nesse momento e há quinze anos desde que comecei a passar para a internet o que havia feito com o auxílio de uma caneta. A tecnologia só tornou nossos sonhos mais céleres e organizados.

Vamos olhar na mesma direção?
Vânia Moreira Diniz

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Escritor, Esse é o seu dia- 25 de Julho por Vânia Moreira Diniz




Amanheci com uma sensação de carinho, lembrando-me dos dias remotos em que sentada à mesa de meu avô admirava sua atividade desejando seguir seus passos de escritor,  obcecada pela ternura como segurava uma caneta esparzindo imaginação liderada pela alma, e derramando-a em verdades ou conclusões.

Nenhum dia melhor para estar aqui escrevendo para o nosso Portal do que aquele próximo ao Dia do escritor, onde muitos deles aqui estão ao nosso lado, colaborando e trazendo apoio e carinho.

A minha homenagem é de amor por essa data em que nos sentimos prestigiados com o coração realmente emocionado, e acreditando nos sonhos que pairam em nossas almas, com essa busca de realização pelo menos parcialmente concretizada mesmo que não seja para o mundo inteiro, mas para  nós mesmos.

O escritor é capaz de conscientemente sentir que está usando sua arte principalmente quando transmite à humanidade as palavras como um estandarte de luta, seja qual for a reação dos que nos lêem. E a usamos para liderar os movimentos os mais justos e  deixar pelo menos uma semente vigorosa, que florescerá exuberante.

De rir ou chorar, ter esperanças ou descrever seu desespero, caminhar por estradas diversas sempre confiando no dom de sua palavra profícua mesmo que ignorada em certos momentos.


Estamos em guerra,  guerra não é apenas destruição oficial de  cidades, que machucam covardemente pessoas humanas, dilaceram criancinhas proporcionando a amargura e a dor em cada rosto descrente da vida.

Guerra também é isso que está acontecendo na humanidade, no Brasil, a indiferença marcando as atitudes de pessoas humanas assistindo em expectativa  silenciosa, a destruição, a barbárie, pessoas lutando contra indefesos, matando pelas costas, incendiando ônibus, optando pela destruição, pelo pânico esquecendo que ali estão seus pares humanos e cruelmente continuando o extermínio e a maldade indefinidamente fascinados pela própria crueldade.

E nós outros que olhamos sem ver, completamente anestesiados, num marasmo intensificado pela incompreensão do que se passa a nossa volta.

Aqui está nosso papel, os escritores emitindo o grito de revolta quando a  destruição e a luta por uma pseudo-causa é o  pretexto cruel que se impõe. 

Estamos aqui, escritores levando a palavra, sentindo na alma os sentimentos que geram e transmitindo aos que o lêem sufocado pelas dores ou fascinado por acontecimentos que são caros e nobres, vibrando por vitórias honrosas ou revoltadas por fatos incoerentes e injustos.

Escrevemos e lemos talvez com a mesma fascinação completamente envolvidos e entorpecidos pelo amor às letras, desejando que nossa palavra chegue voando por espaços diversos com intensidade e amor, sentindo os eflúvios de nossas próprias sensações, amando a literatura com um fascínio quase inconsciente.

Desejo agradecer aos nossos colaboradores que prestigiam o Portal Vânia Diniz e o Espaço ecos  e reiterar a admiração pelo seu trabalho laborioso, persistente e talentoso.

Desejamos também recordar o dia em que inauguramos o Portal com esperança, entusiasmo, alento e alegria infinda esperando levar a palavra até os confins do mundo e divulgar com ternura os escritores que amam a palavra escrita e torcem, vibram e continuam a cada dia o aperfeiçoamento  de sua transmissão. Esperamos que nossos ideais expressos em palavras possam se concretizar mesmo que lentamente e ser estendidos pelas gerações que nos sucederão com o mesmo amor.

A aprendizagem é justamente isso: O acúmulo de conhecimento passado de geração para geração por intermédio desse instrumento tão eficiente que á a palavra escrita. Por isso enfatizo o valor e o reconhecimento  que se deva dar ao escritor. É essa nossa missão de escritores e a palavra  será sempre o grande elo que unirá escritores a leitores, ambos pressurosos de lutar por uma humanidade mais humana e menos perversa em todos os sentidos.

Impõe-se uma conclusão: Não fosse o escritor e essa capacidade especial da palavra escrita  que se eterniza, não fosse o primeiro escrito e o primeiro escritor a humanidade estaria muito atrás, sabe Deus onde.

Não fosse essa transmissão maravilhosa e a sedução que se estabelece não estaríamos aqui, lutando por uma globalização justa, com a tecnologia maravilhosa unindo em um minuto os mais distantes lugares  e a informação necessária e deslumbrante capaz  de ultrapassar os mais difíceis obstáculos.

Conseguimos unir os povos na palavra, falta-nos apenas convencê-los que o amor universal é o sentimento mais profícuo que possa existir onde sempre estará  marcada a paz e a compreensão. A palavra escrita que nós veneramos é a responsável pela evolução do mundo e por isso a comemoramos hoje.

Obrigada pelo carinho e parabéns por esse dia especial, o seu, o nosso dia que comemoramos com a alma suspensa e a palavra pululando de ansiedade e certezas.
Vânia Moreira Diniz
25-07-2013

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Kiara- para minha segunda bisneta



No entardecer da minha existência tu vieste,
tão linda e meiga a olhar o mundo ao teu redor
procurando na limpidez do horizonte uma resposta,
e encontrando nos braços de tua mãezinha a confiança

Olhei-te aquecida pela vida que chegava tão promissora
Compreendendo aquele momento mágico e feliz,
e caminhando ao teu encontro perseverante  e encantada
adivinhando em teu rosto suave a esperança e alegria.

Dias lindos promissores entrelaçarão teu caminho, Kiara
e ao longo do tempo saberás  compreender intensamente,
o que significou na essência esse encontro paradisíaco,
a falar de infindos contrastes do tempo diverso.

Saberás a diferença dos anos, a igualdade intensa do amor,
que chegaram pressurosos antes mesmo de teu nascimento,
e descobrirás segredos maviosos que eu não pude dizer,
e ficarão para sempre envolvendo teu coração de amor.
Vânia Moreira Diniz
2013

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O Mundo Que Renasce



Kiara
Pietra e Kiara


Desde novembro luto para ultrapassar um sofrimento imenso, com a doença do meu irmão, que me consome todas as vezes que o vejo sofrendo e tenho consciência do  ritmo de nossas vidas. Fico deprimida , embora tente lutar contra essa impressão de fraqueza e inconstância.


No entanto, dia 28 de março tive a alegria imensa de receber minha segunda bisnetinha Kiara nesse mundo e abrir meus braços para esse ser pequenino e lindo, que começa sua vida e que será a continuação dessa família, que construí com muito amor.
E como sempre me perdi em reflexões sobre o mistério do nascimento, algo que sempre me impressionou profundamente. Isso porque nessa hora o bebê está no limiar da vida, não sabendo o que é esse oxigênio que deve lhe dar a sensação do primeiro e inexplicável sofrimento.
Depois disso vem a calma , a percepção indefinida, que está em braços protetores , mas depende da mãe intrinsecamente tal como aconteceu no útero materno quando se desenvolvia lentamente para o nascimento.
Pareceu-me também que ligada àquela criança linda e amada eu estava no lado oposto de sua posição, em termos de vida e experiência. E as lágrimas corriam com essa emoção. Meu marido e eu nos abraçamos chorando justamente porque ali era o ápice de tudo que já plantamos nessa terra abençoada.
É impossível descrever o amor que se desprende de nossas almas tal a intensidade de sua manifestação e frequência com que pensamos no instante mágico de um passado que foi vivido e que nos parece estranhamente distante e ao mesmo tempo tão perto que é quase possível tocarmos nas pessoas que já se foram e se apresentam nítidas na memória como se tivéssemos usufruindo tudo isso agora.
Enquanto escrevia este texto emocionado meu marido me chamou para apreciar o que enxergamos constantemente, mas não sabemos “vivê-lo”: O sol que de leve transmitia seus raios com a fina chuva que caía, lindo quadro verdadeiro e que um dia a pequena Kiara irá observar com alegria e acreditando na força inquestionável de um Criador.
O mundo está entregue verdadeiramente ás minhas bisnetinhas que se encarregarão, tenho certeza de colher frutos saudáveis para suas estadias nesse planeta em que temos o privilégio de viver e com isso talvez possam curtir uma terra melhor, menos agressiva, mais solidária e muito menos egoísta.
É isso que espero, minha menina, que nasceu há uma semana e já fixa os olhos ao redor como se sentisse verdadeiramente acolhida nessa fase primeira de sua existência. Que Deus a proteja!

Vânia Moreira Diniz

domingo, 16 de dezembro de 2012

Hoje acordei recordando por Vânia Moreira Diniz



Hoje acordei propensa às reminiscências. Sentindo vontade de percorrer o quintal da minha casa na Rua Barata Ribeiro em Copacabana,Rio de Janeiro, onde na infância eu apostava corridas, tentando um campeonato de patins com minhas amigas e caindo da gangorra enquanto meu irmão pulava antes do tempo.

A bola não parava levando-se em conta que nessa época minhas irmãs não haviam nascido, os da minha idade eram apenas homens e eu gostava de disputá-la com eles , deixando muitas vezes que ela caísse na vizinha que não estava disposta a participar das brincadeiras e imediatamente fazia queixas à minha mãe.

Quando estava cansada de brincar com meus irmãos ou primos corria para dentro de casa e sentada no escritório de meu pai, procurava livros naquela biblioteca imensa e acabava descobrindo um mundo que sempre adorei,imergindo nas páginas que me deixava concentrada, esquecendo por vezes os deveres da escola. Ler era meu mundo encantado e esquecia tudo que me cercava para fazer parte do conteúdo dos livros que eu curtia compulsivamente.

Escrevia com prazer imenso em qualquer momento da minha vida. E deixava que as palavras saíssem sem censuras espargindo meu coração que precisava transmitir com veemência. Parecia que eu só tomava consciência do que escrevera algum tempo depois de concluir o texto e aí sim, entendia o que quisera dizer.

Quando estava entediada ou queria ficar sozinha ia até à praia que era pertinho da minha casa e deixava que meus pés ou meu corpo fossem molhados pelas ondas brancas e nem sempre mansas. Falava com o mar, contava meus desejos e sonhava inexplicavelmente com o infinito que se me apresentava inatingível,como as faixas coloridas do horizonte e sabendo da impossibilidade de alcançá-las deixava que o sol queimasse devagarzinho minha pele clara.

Muitas vezes alguém da minha casa vinha me buscar sabedoras desse passeio quase constante nos dias de sol intenso. O mar, a areia clara, e o horizonte distante sempre foram as mais encantadoras formas de poder transmitir minhas emoções. E continua a ser , só que parece-me que esse mesmo horizonte está mais perto e sinto-o como algo que se aproximou em dias subseqüentes em que aprendi a conhecer a vida e a forma de procurar sobrepujar os obstáculos. Será isso que nos faz mais compreensivos em relação à passagem do tempo?

Ao completar dez anos soube que minha mãe esperava outra criança e tive certeza que seria uma menina. Estava cansada de compartilhar as brincadeiras de cinco irmãos sempre em discussão constante e sentia necessidade de olhar e amar uma irmãzinha e foi o que aconteceu. Nasceu uma mulher e fiquei entusiasmada com o rosto delicado e bonito amei-a instantaneamente, compreendi mesmo ainda muito cedo a necessidade de defendê-la levando em conta que era mais frágil do que eu. Em seguida nasceu outra menina que também foi algo muito importante para mim, mas Cristina e eu estávamos sempre juntas e apesar da diferença de idade nos compreendíamos muito. Até hoje estamos profundamente ligadas e somos confidentes inseparáveis.

Ainda revejo os tempos de criança há muitos anos quando olhava deitada num canto do jardim minhas estrelas brilhantes algumas das quais eu e meu irmão mais velho nomeávamos à noite nos dias de verão.

O colégio Sacré Coeur de Marie onde estudei, foi algo que marcou tanto que até hoje me revejo e jamais poderei deixar de lembrar cada dia que passei lá. E olhe que foi um longo período desde muito pequenina.

O tempo passou, tive uma adolescência conturbada, mas o que me incentivou profundamente foram as lições que aprendi nesse caminho e a certeza que a única forma de sermos realmente felizes é saber estender a mão sempre e entender que por vezes as coisas que nos perturbam nos fazem compreender a vida, ser feliz e desenvolver um amadurecimento sadio e compreensivo.

Vânia Moreira Diniz

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Programa Canto das Letras -TV Câmara




Mesmo aos que não estiveram presentes, gostaria de dizer o quanto o programa "Canto das Letras" na TV Câmara é interessante. O escritor e competente poeta Casimiro Neto e a Escritora e Poeta Vânia Moreira Diniz conversaram sobre poesia, fal...
aram de suas experiências, sob a supervisão dinâmica do ator Jones Abreu e da poeta servidora, Isolda Marinho que fazem um bate-papo informal, no qual a plateia pode participar, ouvimos a boa música e talento brilhante de Ângela Brandão e seu maravilhoso parceiro e trocamos ideias interessantíssimas. Plateia maravilhosa!
Agradecemos ao Núcleo de Cultura da Câmara pelo excelente trabalho e Parabéns agradecidos a Jones Abreu e Isolda Marinho pelo convite.
Vânia Moreira Diniz

domingo, 21 de outubro de 2012

Meu Aniversário por Vânia Moreira Diniz

Vânia Moreira Diniz

Hoje, 21 de outubro, é dia do meu aniversário. Desejo pedir perdão aos leitores que não gostam de reminiscências e acham que passado é apenas um saudosismo. Não é essa a minha opinião. Sem o passado seríamos apenas alguém que surgiu simplesmente sem ter construído uma vida ou uma história, sem ter tido pessoas que a educaram e formaram e sem a figura materna que carregou o filho durante nove meses alimentando-o e dando condições de sobrevivência.

Para mim o dia que se comemora o meu nascimento é uma data de gratidão primeiramente aos meus pais e também a todos os meus ascendentes.
Recordo-me a casa cheia, pois como éramos oito irmãos, o barulho era sempre ensurdecedor, fora nas horas que estávamos no colégio ou estudando, regra que meu pai não abria mão.
Muitas vezes vi minha mãe grávida de meus irmãos menores e então parece que instintivamente queria fazer uma regressão de minha vida em seu útero e começava a sonhar como se pudesse fazer idéia do que se passara na fase de feto se desenvolvendo.
Tenho certeza, no entanto, que relutei para sair do quentinho cheio de paz e que encontrei dificuldade para aceitar como todos os bebês a vida no mundo e o oxigênio entrando nos pulmões já fazendo um esforço que não era necessário. E a quase consciência do desconhecido embora não saiba de que forma.
Encontrei meu irmão mais velho, claro e rosado de enormes olhos castanhos, que corria em desespero por toda a casa e que um dia foi meu colega poeta, cheio de harmonia nos versos e sensibilidade nas descrições.
Muito tempo já se passou, perdi três irmãos jovens ainda um deles com apenas cinco anos e meus pais que se foram deixando aquela saudade que não sabemos descrever, palavra que só nós brasileiros conhecemos devidamente. Mesmo assim todos os anos do mês de outubro sinto a alegria que vivi e os momentos que passo entre felicidade do presente e recordação do passado.
Meu pai me ensinou que o aniversário deveria ser sempre um dia feliz porque nascemos com amor e festejávamos a data com uma satisfação quase instintiva.
Outubro sempre foi para mim um mês mágico não só por suas datas como também pela estação da primavera que amei e amo de uma maneira profunda, aspirando o aroma das flores, festejando o sol quente e maravilhoso, olhando para o céu azul iluminado pelas estrelas, conversando com o mar em que fui batizada, saudando a esperança do quase fim de ano que vem para nos recordar os meses que se passaram e lembrando que embora fiquemos mais velhos estamos conjugando o verbo viver com mais sabedoria.

Agradeço ao Arquiteto deste planeta deslumbrante, aos meus ascendentes e descendentes , ao meu companheiro constante que me apóia em todos os momentos, aos amigos que adquiri nessa estrada, a todos que convivem comigo e até aqueles que mal conheço mas que prezo como seres humanos que estão percorrendo esse caminho, ora feliz, ora doloroso, não importa, porém que estão escrevendo a sua biografia.
Obrigada meus pais que me deram a vida, obrigada à natureza que eu amo e aos anos que passam trazendo a expectativa de que possa me tornar uma pessoa melhor, mais experiente, menos egocêntrica e soberanamente compreensiva para com todos que atravessam minha estrada.
Obrigada por esse mês de outubro que eu amo e que me recebeu com tanto carinho.
Quando eu me for quero ter consciência que realizei pelo menos uma parte de meus sonhos e segui as lições que meus educadores me ensinaram para que possa deixar como legado aos meus descendentes.
Outubro me recebeu um bebê, me acompanhou na infância, na adolescência, na juventude e agora na maturidade plena me abraça com alegria convidando-me a divulgar sua beleza para as crianças que estão nascendo.
Vânia Moreira Diniz

domingo, 30 de setembro de 2012

13anos de existência do Portal Vânia Diniz - VMD
(21-10-2012)



Estamos entrando em outubro, mês da magia e do encanto em que comemorei todos os dias em todos os anos sua mágica beleza.

No dia 21 de outubro de 1999 montei o Portal Vânia Diniz, na internet para registrar os anos de literatura em que me dediquei seguindo o exemplo de meu avô, escritor me deixou um legado de amor à escrita e à letras. Tinha seis anos quando me apaixonei por essa arte maravilhosa à qual exercito até hoje.

Escrevo desde pequenina, mas a Internet foi a forma fascinante de divulgar meus livros e continuar a escrever além de me juntar aos escritores que gostariam e sonhavam em passar para o mundo seus escritos.

Era uma maneira de poder sentir alegria de dividir com outros artistas um site que eu sonhava ver na internet.

Foi lançado no dia 21 de outubro de 1999, dia do meu aniversário,mês em que também publiquei meu romance “Laura”, personagem que estava na minha cabeça há longos anos..

Faz 13 anos que o hoje Portal Vânia Diniz foi ao ar e em seguida , a meu convite muitos escritores iniciaram e persistiram em suas colunas , que são orgulho e alegria para o Portal tão querido no qual trabalhamos com afinco e inexpremível felicidade.

Não importa quantas vezes ele é acessado, isso não é o principal, embora seja importante. O primordial é que ele está aí para que todas as pessoas que desejam possam tera facilidade de ler assuntos importantes e variados e em que nos aprofundamos.

No dia 21 de outubro comemoraremos 13 anos de existência em que o Portal Vânia Diniz vai ao ar sempre com novos assuntos.

Agradeço imensamente ao todos os colunistas e leitores que juntos comigo deixam acessível seus textos para que seja visitado e navegado e sintam o amor com que é editado.

Isso é que é importante realmente. Treze anos de existência e a emoção desses anos que nos tem levado a trabalhar com alegria e muita intensidade.

Dentro dele temos outro site “Espaço Ecos”, com matérias que chama o leitor a apreciá-lo , inclusive temas de utilidade púbica e várias páginas de colunas de escritores que enriquecem o nosso Site Rosa” como é chamado carinhosamente, pelos antigos conhecedores desse Sitio de literatura.

O Portal Vânia Diniz completa 13 anos de existência e me orgulho desse trabalho realizado com tanto amor e conclamando a literatura para fazer parte desse projeto que não acabará nunca em sua realização.

Será o legado, simples e humano que deixarei para meus descendentes.

Agradeço a todos que tem me ajudado nesse trabalho fascinante.
Treze (13) anos de amor, dedicação, carinho, e muitas horas por dia dedicados a ao Portal Vânia Diniz
Vânia Moreira Diniz
Proprietária e Editora do Portal Vânia Diniz
http://www.vaniadiniz.pro.br

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Voando por Vânia Moreira Diniz



                 Voei hoje em direção a um lugar especial, longe do barulho, das  businas dos carros e da efervescência que lidera os grandes centros. Imaginei que só o tumulto e o movimento me deixassem à vontade, mas acordei com a sensação de que precisava me isolar para compreender o que se passava à minha volta.

Não importava que fosse domingo, o sol brilhasse luminoso, o tempo estivesse à minha disposição  para usufruí-lo intensamente e a vida atendesse com suavidade os meus desejos.

Não interessava que o mundo se apresentasse atraente, o horizonte sem fim, as cores reproduzissem a beleza  seleta e maravilhosa que meus olhos sempre buscavam e que já encontrasse alguma esperança no porvir.

Não me preocupava com a matéria, as ruas fascinantes, o encontro das pessoas em cada canto, a ternura de olhos a fitarem o infinito ou a certeza que poderia ser feliz eternamente.

Não me incomodava com retrocesso do egoísmo, a presença da generosidade, as juras transbordantes de carinho, a ansiedade que  os dias traziam em suas horas arrastadas ou a certeza de sensações enlouquecidas.

Precisava volitar em outras paragens com leveza de quem possui asas, intercalar os espaços e ultrapassar o vento uivante e ligeiro. Passar bem acima do mar infinitamente belo senti-lo como o aliado que me conduziria acompanhando-me o vôo ilimitado.

Alcançar as nuvens, enroscando-me em sua claridade, seduzida pelo  prateado ofuscante, alucinada pelo espaço tentador. E prosseguir meu  passeio, bebendo em fontes que certamente mitigariam minha sede, parando às sombras das árvores, entendendo a voz  enérgica da natureza e encontrando-me com o horizonte que refletiria outro horizonte inatingível.

E na seqüência de meu caminho chegar finalmente às estrelas luminosas, mergulhar no azul profundo do céu a refletir a terra linda e impossível de alcançar.

Queria encontrar-me com meu espírito inaccessível esquecendo dos deveres, olvidando compromissos e esticando-me nos campos desse espaço que me acolhe em momento de abstração e recolhimento. Aprofundar-me nos meus próprios pensamentos e reminiscências.

Preciso voar com as asas ondulando em movimentos rápidos e graciosos, recebendo emanações do espírito, recolhendo sensações fascinantes  que me farão esquecer  vivências pueris e alternar vibrante entre a vida terrestre e a luz sinuosa das estrelas.

E então sentir-me plena e realizada, palpitante em minha poesia, vagueando entre o espírito sonhador e a realidade objetiva e árida.

Deitada sob a limpidez  de um ponto ilimitado eu me curvo diante da beleza e do deslumbre de cada ponto da natureza e sinto-me privilegiada e agradecida.
Vânia Moreira Diniz

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Obrigada!!!!


Vânia Moreira Diniz

À medida que vivo e caminho nessa estrada pedregosa mais me convenço como são importantes esses passos que acabarão certamente no último dia de minha vida e o que abandonarei aqui, sejam sementes viris ou ervas daninhas.

Deixaremos aqui os germes que plantamos de lucidez e trabalho, algumas obras realizadas e muita intensidade que espero nossos descendentes possam colher com menos sacrifício.
Não me refiro apenas aos acontecimentos valiosos da vida, mas também aos reveses, e nem somente às demonstrações de amizade mas incluo fatos que nos decepcionam.

Fiquei imaginando como a ingratidão, o descaso, a indiferença e até mesmo palavras magoantes de nossos irmãos de caminhada podem nos ajudar nesse aperfeiçoamento. A dor nos leva à maturidade, ao entendimento de nossos próprios defeitos, à compreensão de que precisamos refletir com mais intensidade para que não façamos aos outros o que sentimos em nós.

Por isso estou aqui hoje depois de uma semana de muito trabalho, aflições angústias e também alegrias porque levo muito a sério o que empreendo tal como a minha vida literária, o apoio aos meus colegas escritores e às pessoas que estão precisando de mim.


E isso inclui sorrir a quem está aflito mesmo num momento difícil de nossos passos e jamais manter-me fria frente a qualquer adversidade de meus companheiros, seres humanos com as mesmas potencialidades ou fraquezas que me acometem. Deus queira que consiga realizar pelo menos uma terça parte do que tenho sonhado.

Nesse momento faço um agradecimento diferente mas igualmente sincero à todos aqueles que mantendo-se distante ou até voluntariamente à margem de tudo que possa me acontecer ensinaram-me a resgatar valores esquecidos ou a reconhecer a importância de um gesto, de uma palavra e de um sorriso.

Ensinaram-me também a reconhecer meus próprios defeitos como um reflexo iluminado para que ainda em tempo possa tentar corrigir minhas falhas e cultivar o sentimento de humildade e carinho para com todas as pessoas que me rodeiam sem exceção.

Contemplando meu próprio eu interior percebi o quanto preciso aperfeiçoar-me e simbolicamente não sei quanto tempo me resta para isso.Tenho urgência! Por isso agradeço incessantemente àqueles que em todos os momentos, e foram realmente muito poucos, estiveram à parte quando me viram ansiosa ou passando por uma aflição.

O sentimento de verdadeiro amor universal inclui com distinção esses momentos em que aprendemos que só nós mesmos podemos achar um meio de sobrepujar dores ou desgostos.


É dentro de nós mesmos que encontramos forças que parecem frágeis, mas que, ao contrário são incomensuráveis e esclarecedoras. E quando isso acontece a sensação de paz e suavidade nos torna seres felizes e realizados.

A todos aqueles que demonstraram efetivamente carinho, cumplicidade e apoio eu só posso dizer que foram e são o grande lume a indicar o horizonte que se projeta mais luminoso.

Por esta razão desejo agradecer a todas as pessoas que cruzaram meu caminho de uma forma ou outra, nas alegrias, adversidades, infortúnios ou júbilos e com as quais aprendi lições inimagináveis de sabedoria tentando aperfeiçoar-me e fazendo o possível para que isso tenha me servido de exemplo.
Aos que me dececionaram que foram muito raros ou aos que foram bondosos e afeiçoados em sua imensa maioria o meu muito obrigada.Precisava dizer isso nesse instante que vejo com mais clareza as diferenças que são a razão de um aprendizado verdadeiro e consciente.
Vânia Moreira Diniz





domingo, 2 de setembro de 2012

Encontro Especial e Maravilhoso

 Acho que não preciso mais falar mas ai está Mère Menino Jesus, eu e uma colega do colégio Sacré Coeur de Marie, colegas desde pequeninas.Beth Faria e eu crescemos juntas tendo as mesmas professoras e agora tivemos oportunidade de ter esse encontro com nossa mestra querida. Salve a vida e a energia que vem de Deus e que nos proporciona esses momentos inesquecíveis
 

Abaixo Mère Menino Jesus, nossa Mestra, agora com 83 anos e nós Beth Faria e eu que fomos colegas desde pequeninas e alunas dessa mulher extraordinária com nossos maridos, Paulo Diniz e Lucena Dantas.Não é maravilhoso e emocionate encontar-nos a essa altura da vida?
Vãnia Moreira Diniz


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Minha Professora, Mère Menino Jesus


Ontem recebi uma visita preciosa. A emoção foi tão grande que as lágrimas toldavam meus olhos a todo momento principalmente quando a abracei e senti  o amor de minha professora Mère Menino Jesus (Irmã Ilza) e a sensação dos velhos tempos de que perto dela nada podia me acontecer.
Quando a conheci ela era muito jovem encantou a minha turma com a força de seu sorriso, de sua saltitante alegria, de seus passos leves e firmes, de seu olhar terno que sabiam fixar com energia quando era necessário.
Aprendi com Irmã Ilza a ser verdadeira, pensar nas coisas boas que Deus nos oferecia, no valor da ética e da necessidade de aprender sempre mais e a ser correta nos momentos em que uma decisão devia ser tomada.
 Relembrava sua figura na sala de aula em que foi estímulo para minhas colegas e para mim e nas inúmeras ocasiões em que aprendemos a discernir o bem do mal, dormir com a consciência tranquila e nos alegrar sempre, estender as mãos aos que precisavam de nós ou nos arrepender de sentimentos considerados inoportunos.
Ontem foi um dia de recordações positivas, em que apreciamos as fotos antigas da nossa turma, falamos de cada uma e em que ela ouviu tudo que ocorrera durante o meu trajeto até hoje. Também pude sentar perto de minha professora ouvindo-a, sentindo suas emoções intensas, reiterando o quanto de admiração e carinho intenso sempre senti por essa mulher maravilhosa.
Tinha-me encontrado algumas vezes com ela, depois que saí do colégio, mas nesse momento, com a maturidade que acumula a sabedoria, estávamos ela e eu verdadeiramente unidas pelo sentimento do passado e principalmente da noção exata do que era vida e mesmo com o passar do tempo, do caminho que já era longo, tinha convicção de que suas palavras ainda me traziam muita experiência, exercício de aprendizado, conforto e amor.
Mère Menino Jesus marcou a vida daquela sua primeira turma que olhava para a jovem freira cheia de surpresa e entusiasmo afirmando para nós mesmas o quanto tínhamos sorte de tê-la como professora de história, e mestra de classe , o que significava que ela era responsável pela nossa turma naquele ano.
O tempo todo enquanto almoçávamos e depois conversando horas a fio eu não podia acreditar que Mère Menino Jesus estava ali, tão perto de mim, olhando-me com aquela ternura que eu conhecia tão bem e que naqueleinstante eu não precisava ensinar, proteger minha filhas, netas e bisnetinha, mas sim  sentir o conforto, aconchego e proteção.
Ao mesmo tempo pensei o quanto era importante para mim, olhar para Irmã Ilza, agora com 84 anos e sentir alegria ao segurar sua mão enquanto atravessávamos uma rua, quando fomos deixá-la ou ajudá-la a levantar-se mais suavemente do sofá.
No entanto, a sensação era de que ela nunca deixaria de ser a minha professora, protetora, com ensinamentos profundos e muito discernimento. Ela estava ali, perto de mim, com lucidez absoluta, sabedoria ainda maior que nos velhos tempos , experiência dos anos vividos ainda mais acirrada, e eu ali a observar com a mesma admiração do meus tempos de garota.
Cheguei à maturidade, mas pude usufruir no dia de ontem um privilégio que poucas pessoas experimentam, de receber uma visita preciosa que marcará mais uma vez o resto de minha vida.
Obrigada Mère Menino Jesus, obrigada pelos anos que conviveu comigo, pelos ensinamentos que me deu, pela certeza do que é realmente o nosso bem maior na estrada que trilhamos e pelo abraço que eu ficarei sentindo e as palavras e lágrimas que não se apagarão jamais!
Vânia Moreira Diniz

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Meu Pai (em homenagem ao dia dos pais)

João da Rocha Moreira - Meu pai
 Acho que nenhuma fisionomia me impressionou tanto quanto a de meu pai. Tinha traços marcantes e  os olhos azuis brilhavam imensos sempre revelando o que sentia interiormente. Eram os verdadeiros espelhos de sua alma. Sabíamos perfeitamente, meus irmãos e eu, o exato momento que podíamos conversar descontraidamente com ele ou aquele que seria perigoso fazê-lo. A não ser que fôssemos portadores de alguma notícia realmente esplendorosa.

        Era advogado  e essa profissão naquele homem especialmente inteligente, sensível, impetuoso e radicalmente reto e convicto me fascinava. Poderia ficar horas ouvindo-o e apreciando o dom de sua palavra fácil e sedutora. Mas claro, havia oportunidades em que nossas personalidades se esbarravam e minha mãe costumava dizer que entrávamos em conflito porque éramos parecidos de temperamento.

        Escrevia magistralmente e suas palavras  que eu ouvi diversas vezes em conferência e que explodiam ao som de seu timbre vigoroso   me entusiasmavam e ele me cativava cada vez mais como a todas as pessoas que o conheciam pela sua extraordinária capacidade.

         Tinha idéias arejadas e espírito aberto embora fosse totalmente exigente  em seus conceitos e idéias. Jamais me proibiu e até estimulava  meus vestidos modernos, decotados e curtos, namoros e distrações, mas jamais se conformou  com as peças de teatro que eu queria encenar. Eram brigas constantes e inócuas para mim porque sabia que sendo menor teria que obedecer, e isso muitas vezes me  deixava um sabor de mágoa.

         A vida jamais foi monótona tendo como pai aquele homem tão vibrante, seguro e maravilhosamente imprevisível. Suas gargalhadas ressoavam sempre extremamente agradáveis, mas o contraste era surpreendente. Realmente era uma pessoa fascinante pelos antagonismos: Doce e firme, sensível e arrebatado, compreensivo e por vezes intolerante, possuía como principal atributo além da inteligência brilhante e da cultura invulgar a vontade inabalável de ajudar a quem se lhe aproximasse.

         Nunca esqueço uma das conversas que tive com ele dentre muitas e que me deslumbrava, embora seus momentos de exuberância nervosa me deixassem tensa e preocupada. Estávamos almoçando juntos como várias vezes acontecia num restaurante de Copacabana no meu querido Rio de Janeiro. Eu era apenas uma garotinha de mais ou menos 13 anos, mas adorava trocar idéias com ele. Havíamos perdido há pouco meu irmãozinho de cinco anos, seu filho  e estávamos todos muito abalados. Nesse período vi que ele era o esteio da minha família em termos de fortaleza e entendimento dos momentos dolorosos da vida. Além da alegria que procurava impregnar à sua volta estava sempre pronto para um momento difícil e tempestuoso. Perguntei.-lhe se voltasse no tempo como seria sua vida. E se ele deixaria de fazer ou mudaria alguma coisa.

        Olhou-me fixando-me seus extraordinários olhos azuis e disse sem vacilar:

        _ Não, filha, não mudaria nada. Faria exatamente a mesma coisa. Daria os mesmos passos, apenas com mais experiência.Não me arrependi de nada do que fiz até hoje. Ninguém evita sofrimentos tentando mudar seu caminho, Vânia. Se não for de uma forma será de outra. Mas o sofrimento existe e teremos que enfrenta-los da melhor maneira tentando achar o modo mais adequado para vencê-los na hora certa. E teremos muitas vezes dias nebulosos e tristes. Assim como passaremos por momentos de felicidade indescritível. Isso se chama viver.

        Não pude responder porque as lágrimas me apertavam a garganta e a admiração interceptava minhas palavras. Mas essa conversa difícil e ainda prematura estão servindo de lição e força nas horas sérias e aflitivas e de estímulo e acolhedora lembrança nos alegres e ruidosos momentos de felicidade luminosa.

terça-feira, 26 de junho de 2012

A Riqueza e a Fome

                                                          Vânia Moreira Diniz
               Não tenho vergonha de dizer que nasci em berço de ouro. Tudo que a vida podia me proporcionar em termos de bens materiais ela o fez. Ali, ao nascer. Meu pai era um homem de muito prestígio, advogado e psiquiatra famoso e respeitado. E todos os meus desejos eram prontamente atendidos.  Olhava tudo isso com naturalidade já que nascera ali e não conhecia outro ambiente. Logo comecei a perceber o quanto a vida era injusta.

        Ao mesmo tempo, muito cedo tive uma visão completamente límpida que tudo isso serviria para conforto e tranqüilidade, mas jamais constituiria o caminho certo da verdadeira felicidade. Pelo menos da minha felicidade. Ainda muita criança perguntava aos meus pais porque havia tanta diferença entre os pequenos que eu via pedindo esmola na rua e eu ou minhas amiguinhas. Eles explicavam ao modo que os adultos procuram convencer as crianças. E a vida continuava. Eu sempre com minhas dúvidas. Minha vida foi oposta à maioria das pessoas. Saí de casa muito cedo para casar, contra vontade de meus pais  e para escolher e traçar meu próprio destino. O conforto excessivo foi trocado pela luta de cada dia. E pude verificar o quanto a vida pode ser difícil. Difícil, porém gratificante quando se procura objetivos.

        Havia uma obra social que as docentes do meu colégio faziam entre os mais necessitados. E cedo pedi para que me deixasse acompanhá-las ao morro  nos dias feriados, para visitar as pessoas que lá moravam. Eu tinha dez anos e durante algum tempo minha mãe proibiu absolutamente mesmo com as professoras, esse passeio que aos meus olhos seria fascinante. Finalmente aos 12 anos meus pais  foram convencidos que teria sempre alguém perto de mim e a contragosto deles subi ao Morro Dona Marta e encontrei um mundo maravilhoso e inusitado. Pobre, triste, devastador pela escassez de conforto, mas encantador pela luta e forças dos que lá viviam. Claro que sabemos o que existe de violência, mas será somente lá? E não terá começado pela desesperança e carência das coisas mais elementares? Como um gesto de carinho? Não estou justificando, mas não sei o que seria de cada um de nós se tivéssemos enfrentado tanta tristeza, miséria e dor!

          A simplicidade e pobreza daquelas crianças me emocionaram e encontramos atrações diversas no modo de viver. Partilhamos experiências em nossas conversas e aprendi muito das suas vivências que me empolgavam. É como se ali, duas vezes por semana, me sentisse completamente livre de qualquer entrave, o que em Copacabana, na movimentada Rua Barata Ribeiro eu não conseguia. Foi uma lição de vida, trocas de sentimentos e sofrimentos antagônicos partilhados mutuamente. Dei aulas aos pequenos que não eram alfabetizados ou que tiveram que sair do colégio para ajudar aos pais.

         Começou aí meu grande ideal que junto à literatura, iria me acompanhar em todos os momentos e que minha mãe brincando comigo chamava de “socialista”

Ver um mundo melhor, menos diferenciado e mais humano constituiu meu pensamento de muitas horas adolescentes. Costumava cismar no enigma da riqueza e da fome.

        Compreendi pouco depois que os sofrimentos são variados e universais e que outros tipos de dores substituem a falta da pobreza e de recursos. Que todos sofrem em menor ou maior grau e também que as alegrias são múltiplas e atingem a todas as camadas.

         Observando, porém no decorrer de minha vida como a pobreza tem aumentado e a miséria vem predominando, vejo o quanto falamos e enunciamos palavras bonitas sem entender o que é a fome. Como podemos entendê-la se essa peste da humanidade é tão devastadora e amarga , deixando pessoas e crianças em lamentável situação de horror e debilidade?

       Que se reproduz mais forte e mais potente enquanto restos de comida são jogados fora e o solo fertiliza maravilhosamente em nosso país? Como entenderemos se nunca passamos por tragédia tão pungente e aniquilante?

. Aí está um espaço em meu site em que falamos da fome, com o apoio de muitos poetas que aderiram ao movimento e muitas e muitas pessoas que me escreveram emocionados. A todos elas eu agradeço com grande carinho. O que lamento é que tudo isso foram apenas gritos no deserto, como com milhares de pessoas que tentam abordá-la ou tem a ilusão que seus lamentos surtirão algum efeito.  Mas continuaremos, sem restrições, com persistência maior que antes, agarrando-nos a qualquer esperança mesmo suave que possa existir.

          Sozinhos não vamos resolver o problema da fome e da miséria, mas podemos ajudar aquele que está ao nosso lado, e ele na medida que possa, ao que está perto dele. Assim sucessivamente. Não solucionaremos, mas amenizaremos, suavizaremos e tentaremos dar um pouco de alento. Vamos então a um asilo, creche ou a uma ou mais famílias que precisam nosso apoio moral, espiritual e material. Sem alardes! Silenciosa!  Ternamente!

          Se todos conseguirmos isso já é uma esperança, que brilhará como uma luz talvez fugidia, mas constante e esperamos que vigorosa.

 Vânia Moreira Diniz
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