quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Dia do Advogado-Homenagem a meu Pai


por Vânia Moreira Diniz
 Texto dedicado também à minha irmã Cristina Arraes que cresceu comigo, presenciou e  sentiu as mesmas emocões descritas
Essa é uma data especial para mim. Minha família se dividia entre advogados e médicos, sendo que muitos deles escritores e jornalistas. E a figura que sempre vi como o legítimo representante dessa classe da justiça foi meu pai.
Era uma figura ímpar. Muitas vezes como qualquer filho tive divergências com ele.Mas amava-o e admirava-o profundamente.Em muitas e muitas ocasiões ficava considerando como era enaltecido em seu meio e como as pessoas tinham nele uma cega confiança. Dedicava-se com um carinho e profissionalismo profundo a seus clientes e como era Procurador da Fazenda também, suas atividades eram demasiadamente dirigidas ao Direito. Para mim, naquela época era um legítimo representante de uma “entidade superior.”
Aproximando-se o dia que homenageia o advogado lembro-me com especial carinho de meu pai e avô materno. Mas hoje vou falar mais de meu pai para que em outra oportunidade relembre com amplidão a de meu querido avô.
Alto e magro, muito elegante o rosto de traços marcantes e olhos profundamente azuis e penetrantes que chegavam a esfriar o coração quando ele fitava com severidade mas sabia derretê-lo nas horas de conforto e demonstrações de amor.
Gostava de ir ao seu escritório imenso onde se juntavam as salas dos assistentes e estagiários formando uma plêiade dos profissionais do direito.
Na entrada a secretária que sempre me recepcionava com alegria e um sorriso animado, convidavam-me ao convívio num ambiente que eu amava.
Aprendi com ele que ser advogado era ser justo, ético e possuir um caráter reto, indomável, consciente e sempre disposto a ouvir as razões que se lhe apresentavam. Algumas vezes, a pedido meu, acompanhava-o ao Tribunal de Justiça onde se realizavam as audiências e me fascinava com as vestes dos advogados e a toga do juiz que simbolizavam poder e justiça naquele momento que o julgamento era feito. Ali de longe, meu pai parecia um ser “onipotente”
Na minha casa, muita tarde já, de madrugada, quem chegasse até seu gabinete, o veria trabalhando e escrevendo. Sua profissão era exercida com tanto amor que até nós, crianças, compreendíamos a vibração que parecia emanar de sua figura já por si só imponente.
Fazia constantemente palestras em que seu poder de oratória e a voz potente e o talento raro de improvisar com brilhantismo, soavam emocionando a todos que o ouviam o que me deixava encantada e transmitia-me uma segurança que eu não saberia explicar.
Jamais esquecerei quando era ainda uma criança e fui com toda a família assistir à sua posse num cargo de direção na Ordem dos Advogados e ternamente escuto, totalmente sensibilizada, essas palavras que refletem em meus ouvidos com estranha e clara precisão. Claro que não as decorei, mas o som, a música de sua voz e a tradução de suas frases perfeitas e elegantes sempre serão um eco embriagador.
Sobre a humildade ele assim se manifestou:
“Ao ingressar nesta tradicional instituição, na qual têm assento as mais ilustres e representativas figuras da cultura jurídica brasileira, imponho a mim o dever de consciência sobre a minha pessoa, empenhando esforços para fugir a qualquer exagero de valorização e a qualquer modéstia forçada”.
“Tenho na mais alta conta a virtude da humildade, procuro sempre pautar os meus atos pelas regras da modéstia. Mas o conceito que formulo de humildade não é de caráter exterior, obedecendo a movimentos de fora para dentro. Não. Humildade, para mim, reduz-se ao conhecimento exato das nossas possibilidades, do que somos dentro do mais puro realismo. A humildade que nega os méritos do indivíduo traduz-se em orgulho, pois visa, antes e acima de tudo, a provocar dos espectadores manifestações de discordância, exarcerbando-se qualidades inexistentes.”
Poderia ficar horas falando do seu brilhante espírito, inteligência e retidão e contando passagens fascinantes de sua vida, mas desejo por hoje em nome de meu pai homenagear o DIA DO ADVOGADO, os seus bravos e lutadores componentes, a justiça do Brasil que ainda nos deixa guardar um pouco de esperanças merecidas e ao mesmo tempo evocar a figura do magnífico advogado Dr. Rocha Moreira que encheu minha vida e a de meus irmãos de muitos ensinamentos e amor e que soube com rara capacidade e dedicação elevar a imagem do verdadeiro advogado.
Vânia Moreira Diniz

3 comentários:

  1. Virgínia Além mar12 de agosto de 2011 14:33

    Vaninha querida uma riqueza de relato nos trazes, em cada texto referente ao teu amado Pai, podemos observar o quanto te assemelhas a este ilustre personagem. Ética, humildade, honestidade entre outras caracteríostricas assimilaste, viveste num meio privilegiado e tuas homenagens são válidas dando-nos a conhecer também teu nobre carater.
    Parabéns pelo texto!
    abraços desta tua leitora, amiga e sempre grata aprendiz,
    virgínia fulber, além mar poetinha, Novo Hamburgo RS BR

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  2. Vânia,

    O seu relato nos convida a passear em tuas lembranças maravilhosas e estimulantes de uma saudade de quem ama. E revela a fonte de tua inspiração!! Parabéns!!
    Sds.
    Silvanio

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  3. Mana, muito me emocionou esta homenagem. Nosso pai era assim, do jeito que você descreve mesmo. Um homem que marcava presença onde quer que estivesse que nos deixou muito de sua personalidade. Tocou-me o coração, sobremaneira, as a palavras dele. Lembro-me da inúmeras vezes que repetia este conceito de humildade e de como eram orgulhosos aqueles que negam seus valores para arrancar elogios. Mana, não poderia ser mais justa esta homenagem e hoje vou dormir com a imagem dele, escrevendo, lendo, palestrando... O amor que tinha a sua profissão e o entusiasmo pela vida. Figura ímpar, como você mesmo o diz. Tenho muito orgulho de ser filha do Dr. João da Rocha Moreira. Não poderia deixar de agradecer também o fato de ter me dedicado também esta homenagem. Fez-nos juntas no amor por nosso pai. Beijo, mana, parabéns pelo texto. Sua irmã Cris

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