quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Vazio...


 Vazio...

Contemplo a minha volta e nada vejo

Não enxergo,

Tudo parece um grande mistério e rezo,

Sem entender os segredos que preservo,

 E conservo,

Dentro do

meu coração tão vazio.



Não encontro ressonância e me distancio,

Não acho a real certeza e me afasto,

Não vejo a luz que direciona e me aparto,

Como se nada conhecesse e me arredo.



Sinto a leveza, tento pegar e não consigo,

Pressinto a bondade e me aproximo,

Não alcanço a sua extensão e choro,

E procuro o ideal que já não creio.


As cores não são do extenso universo,

As dores perduram e triste lamento,

A frieza que se esconde no retiro

De ilusões em que me escondo.



Não quero sentir a saudade do encontro,

Das lembranças ocultas atrás  do muro,

Do sonho sempre e sempre revivido

E do passado que se foi no escuro.



Só a nostalgia perene eu vislumbro,

Sensação de terna loucura e vazio,

Efusões sepultadas no reencontro,

Coração para sempre machucado.



Ando, e me concentro,

Caminho,

O passo é lento,

inseguro

E encontro o vazio.

        Vânia Moreira Diniz

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O carnaval no ritmo do amor universal


Nunca se falou tanto em união, inclusão, ataque aos preconceitos e nunca se compreendeu menos o valor do verdadeiro amor universal. Jamais houve tamanha abordagem pelos direitos  de todas as pessoas e pela luta a favor dos  homossexuais, credos diversos, velhos, carentes em necessidades especiais, mulheres que ainda se encontram indefesas e de todos os excluídos. Mas nunca nos últimos tempos de nossa história encaramos tanta violência, afastamento, egoísmo, egocentrismo e nunca fomos tão indiferentes e distantes ao ver nossos irmãos de caminhada sofrerem.

Em raras ocasiões dissertamos tão eloqüentemente a favor da  natureza e da qualidade de vida dos seres humanos e tão pouco se fez efetivamente para que cada pessoa lutasse também individualmente, independente de governos e associações por um mundo mais confortável e menos perverso.

Em tempo algum dispusemos de tanta tecnologia, meios eficazes de transmissão e comunicação e ouvimos tantos gritos pela globalização tendo como instrumentos os meios que nos chegaram depois do telefone  e também em tempo algum tivemos tão pouco cuidado com as pessoas em geral, até mesmo com aquelas que estão perto de nós.

E é isso que precisamos “falar”, discutir e agir neste momento em que a camada de ozônio aumenta incessantemente esquentando o planeta também devastado pelas guerras e disputas incessantes, matando seres humanos sem fim bem como a violência já insuportável  e a displicência com que encaramos tudo isso.

Se nem olhamos as pessoas ao nosso lado, não oferecermos um bom dia ao nosso vizinho ou colega de trabalho, um sorriso para quem está sofrendo ou nos comportamos humanos na fragilidade, como estaremos preparados para a difícil missão de batalhar pela vida, pela harmonia do planeta e pela inclusão?

Sem a compreensão do dia a dia como conseguiremos lutar pela diversidade sexual, pelo negro, velhos, origens e credos diversos e deficientes incluindo-os humanamente e com amor num único grupo de pessoas nascidas nesse mesmo mundo e com o mesmo valor intrínseco? E como combateremos o abuso da exposição do infortúnio em programas de televisão a todo custo lutando por uma audiência massacrante e perversa?

Aí vem o carnaval, símbolo de nosso folclore que se comemora em todo o mundo, mas especialmente em certos países, a  festa mais popular no Brasil. E justamente é o momento em que todos, ricos e pobres, negros, brancos, amarelos, olhos de todas as cores, crenças diversas heterosexuais ou homossexuais, mulheres e homens, toda uma população festejam juntos e animados, dançando e explodindo no samba do pé que nos caracteriza. É o instante da união, da igualdade, não importa a vida que cada um leva ou se é o conforto ou o sacrifício que lidera suas existências. Ali não há diferenças, apenas o samba a saltitar, requebrando os corpos e aliviando a alma.

O fascínio que o carnaval  transmite mesmo aos povos que não os comemoram tão esfuziantemente é a prova que o mundo precisa se unir. E nada melhor do que essa data para repensarmos mesmo nos estertores da animação e da alegria que nos domina no amor tão natural e imprescindível que deve ser o elo na união dos povos pelo qual tanto batalhamos.

Pena que nossa festa, até ela já esteja contaminada pela violência, pelas drogas e por pessoas que não tem ritmo, mas cujos acordes desafinam a humanidade num passo grotesco e incompreensível.

Vamos, no entanto vivê-la nesses quatro dias, esperança nos olhos, reflexo da sedução que o carnaval nos transmite para que ao final, cheios de energia possamos lutar com realismo e  mais vigor pelo amor, simbolizados na inclusão de todos os seres humanos sem exceção e abrindo os braços para recebê-los estejam onde estiverem.

Desejo a todos um animado carnaval para que possamos continuar mais freneticamente essa luta ininterrupta pela igualdade, ausência de preconceitos não só nas palavras e discursos demagógicos, mas que esperamos seja encarada todos os dias de nossa vida atingindo o mundo inteiro, sejam civilizações adiantadas ou ainda carentes de recursos e informações  mas que esperamos transmitir-lhes calor, solidariedade e integração.

Não importa que muitos olhem com indiferença, mas continuarei a escrever e agir sem trégua até para nós mesmos, na expectativa de um planeta que propiciará a todos os seres viventes uma vida digna e a certeza da felicidade em qualquer lugar em que se encontrem.

Vânia Moreira Diniz

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Pietra

Vânia Moreira Diniz para minha primeira bisneta : Emoção


 Pietra nasceu nessa primavera,
Com a claridade harmoniosa do dia,
Trazendo doçuras e ternas alegrias,
... Eu nem sabia se chorava ou ria.

Frágil, linda, pequenina e delicada,
Mais parece uma encantadora boneca,
Aspirando oxigênio com bravura,
Pérolas rolando no limiar da vida.

Sinto o fascínio e amor em minha alma,
Em lágrimas preciso acariciá-la,
Dizer o quanto valeu sonhos e espera,
E inclinada em seu corpinho chorar.

Cláudia, Marina, Pietra, só desejo aspirar,
As reminiscências que me fazem recordar,
Momentos que jamais poderei entender
Quando nas curvas do caminho me envolver.

Minha alma se desfaz em transe calada
No amor em brasa como garra de ternura,
Procurando meu coração a confidenciar,
A ventura que já nem sei extravasar.

Primavera de 2006
Vânia Moreira Diniz

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Carnaval de Outrora


Lembro-me do carnaval outrora no Rio de Janeiro,
Todos brincavam felizes e eu enxergava estarrecida,
Os palhaços e blocos que divertidos se manifestavam,
Na calçada, na praça ou nos bares em demonstração,
De entusiasmo, encanto e singularidade pueris.

Os olhos de criança tudo viam e me quedava tranqüila,
Esperando o momento mágico de sua aproximação,
Lança-perfumes jogavam e sorriam com o grupo imenso,
Sambando e cantando as músicas mais populares.

Afortunado era o momento em que os confetes esparziam,
Deixando as cabeças em colorido impressionante.
Eu gargalhava ditosa, esperando que a farra jamais acabasse.
Beijos, abraços e o rebolar ritmando a música enlouquecida.

Agoniada pedia que me deixassem seguir o cordão alucinado
E dessem as mãos clamando pela parceria infantil e inusitada,
Que frente a eles se quedava em insana expectativa e anseios mil.
“ Você pensa que cachaça é água”!...

Serpentina, confetes, lança-perfumes, cantoria e abre-alas,
Era a única coisa que se pensava no Rio enlouquecida,
E todos pediam que os dias não acabassem e se expandissem
Num carnaval de eternas recordações.

Quando o carnaval se aproxima, não posso esquecer
Do singelo espetáculo de minha infância a cantar em brados,
Pulando em ritmo contagiante, enquanto se esperava,
As escolas de samba, e os desfiles lindos e inebriantes.

Em doenças ninguém falava e a AIDS não existia,
Mas a evolução caminhava sem carecer outrora
De precauções e cuidados especiais.
Hoje esperamos o carnaval que desesperado busca,
Ainda no compasso apaixonante a camisa protetora.

Carnaval almejamos todos e só lamentamos a violência,
Tão incrustada hoje em qualquer manifestação popular.
Pedimos que em sonhos se realize o anseio de todos nós,
Que haja alegria e prazer e a insegurança seja exterminada
Vânia Moreira Diniz
08-02-2012

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Amor Infinito


Guardo no finito dos meus pensamentos,
O infinito do seu amor, da minha paixão,
Dos sentimentos que afloram já enraizados,
Da certeza do congraçamento imutável.

Conservo no finito da minha memória,
O momento de nossa completa simbiose,
Em que a doçura do amor surgiu brilhante,
E ficou aqui sempre a viver de ti e por ti.

Cultivo no finito  dos meus pensamentos,
Cada palavra de ternura a dizer de nós,
A se cultuar para sempre em doçura,
A revelar a impetuosidade do amor infinito.

Mantenho no  meu coração incendiado,
Pela força de nossa paixão indomável,
O desejo a se desprender de mim,
A espera insuportável, mas vitoriosa.

Nutro-me da essência desse viver,
Da profundidade  do carinho infinito,
De nossos soluços a explodirem veementes,
Implorando o nosso instante ilimitado...

Misturo o finito dessa hora
Ao infinito de nosso desejo a clamar,
Reproduzindo sons na inusitada agonia da alma,
A se misturar com a louca ansiedade do corpo
Vânia Moreira Diniz
Você também poderá gostar de:
Ocorreu um erro neste gadget