domingo, 19 de fevereiro de 2012

O carnaval no ritmo do amor universal


Nunca se falou tanto em união, inclusão, ataque aos preconceitos e nunca se compreendeu menos o valor do verdadeiro amor universal. Jamais houve tamanha abordagem pelos direitos  de todas as pessoas e pela luta a favor dos  homossexuais, credos diversos, velhos, carentes em necessidades especiais, mulheres que ainda se encontram indefesas e de todos os excluídos. Mas nunca nos últimos tempos de nossa história encaramos tanta violência, afastamento, egoísmo, egocentrismo e nunca fomos tão indiferentes e distantes ao ver nossos irmãos de caminhada sofrerem.

Em raras ocasiões dissertamos tão eloqüentemente a favor da  natureza e da qualidade de vida dos seres humanos e tão pouco se fez efetivamente para que cada pessoa lutasse também individualmente, independente de governos e associações por um mundo mais confortável e menos perverso.

Em tempo algum dispusemos de tanta tecnologia, meios eficazes de transmissão e comunicação e ouvimos tantos gritos pela globalização tendo como instrumentos os meios que nos chegaram depois do telefone  e também em tempo algum tivemos tão pouco cuidado com as pessoas em geral, até mesmo com aquelas que estão perto de nós.

E é isso que precisamos “falar”, discutir e agir neste momento em que a camada de ozônio aumenta incessantemente esquentando o planeta também devastado pelas guerras e disputas incessantes, matando seres humanos sem fim bem como a violência já insuportável  e a displicência com que encaramos tudo isso.

Se nem olhamos as pessoas ao nosso lado, não oferecermos um bom dia ao nosso vizinho ou colega de trabalho, um sorriso para quem está sofrendo ou nos comportamos humanos na fragilidade, como estaremos preparados para a difícil missão de batalhar pela vida, pela harmonia do planeta e pela inclusão?

Sem a compreensão do dia a dia como conseguiremos lutar pela diversidade sexual, pelo negro, velhos, origens e credos diversos e deficientes incluindo-os humanamente e com amor num único grupo de pessoas nascidas nesse mesmo mundo e com o mesmo valor intrínseco? E como combateremos o abuso da exposição do infortúnio em programas de televisão a todo custo lutando por uma audiência massacrante e perversa?

Aí vem o carnaval, símbolo de nosso folclore que se comemora em todo o mundo, mas especialmente em certos países, a  festa mais popular no Brasil. E justamente é o momento em que todos, ricos e pobres, negros, brancos, amarelos, olhos de todas as cores, crenças diversas heterosexuais ou homossexuais, mulheres e homens, toda uma população festejam juntos e animados, dançando e explodindo no samba do pé que nos caracteriza. É o instante da união, da igualdade, não importa a vida que cada um leva ou se é o conforto ou o sacrifício que lidera suas existências. Ali não há diferenças, apenas o samba a saltitar, requebrando os corpos e aliviando a alma.

O fascínio que o carnaval  transmite mesmo aos povos que não os comemoram tão esfuziantemente é a prova que o mundo precisa se unir. E nada melhor do que essa data para repensarmos mesmo nos estertores da animação e da alegria que nos domina no amor tão natural e imprescindível que deve ser o elo na união dos povos pelo qual tanto batalhamos.

Pena que nossa festa, até ela já esteja contaminada pela violência, pelas drogas e por pessoas que não tem ritmo, mas cujos acordes desafinam a humanidade num passo grotesco e incompreensível.

Vamos, no entanto vivê-la nesses quatro dias, esperança nos olhos, reflexo da sedução que o carnaval nos transmite para que ao final, cheios de energia possamos lutar com realismo e  mais vigor pelo amor, simbolizados na inclusão de todos os seres humanos sem exceção e abrindo os braços para recebê-los estejam onde estiverem.

Desejo a todos um animado carnaval para que possamos continuar mais freneticamente essa luta ininterrupta pela igualdade, ausência de preconceitos não só nas palavras e discursos demagógicos, mas que esperamos seja encarada todos os dias de nossa vida atingindo o mundo inteiro, sejam civilizações adiantadas ou ainda carentes de recursos e informações  mas que esperamos transmitir-lhes calor, solidariedade e integração.

Não importa que muitos olhem com indiferença, mas continuarei a escrever e agir sem trégua até para nós mesmos, na expectativa de um planeta que propiciará a todos os seres viventes uma vida digna e a certeza da felicidade em qualquer lugar em que se encontrem.

Vânia Moreira Diniz

2 comentários:

  1. Mana, concordo com você integralmente. É importante o carnaval? É porque aí também se encontram pessoas que querem extravasar, ser felizes... Embora exista uma máquina por trás que quer apendas lucro. É importante ser ecológico? É para garantir a nossa subsistência saudável e das futuras gerações. É importante a ecologia? É e sou uma de suas entusiastas. Mas há que se olhar para a sociedade, suas relações, a educação das crianças, a fome que impera, a violência. Mana que crônica perfeita! Parabéns, brilhante como sempre, aproveitando cada oportunidade para semear a paz, a luta contra o preconceito, a relação saudável entre os homens, companheiros de uma mesma jornada. Beijo grande.

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  2. Amada Escritora Vaninha, no texto. expressas teus sentimentos e afetos de maneira clara.
    Respeito e admiro tuas colocações.
    Afetuoso abraço, de tua leitora
    virgínia fulber

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