sábado, 28 de maio de 2011

Horizonte Por Vânia Moreira Diniz

Capa de meu livro "Pelos Caminhos da Alma"

 Acordei com sabor de lágrimas,
Travesseiro úmido e diferente
Lembrei de uma dor estranha,
Que tinha atingido minha alma

Andei por estranhos caminhos,
Estive entre sonos e sonhos,
Falei com figuras desconhecidas,
E deitei em ombros protetores.

A ternura senti nessa passagem,
Inconsciente tão  acelerado,
Pediu-me  silenciosamente  calma ,
Enquanto meu espírito se revigorava.

Nesse caminho encontrei a certeza,
Nas minhas concentrações noturnas,
E pude vaguear lentamente,
Acreditando com fé no meu coração. 

Uma estranha paz me encontrou agora,
E em meus sentimentos fortaleza,
Muito amor a sentir nesse momento,
Enquanto tudo parece só harmonia.

Amor, paixão e ternura se entrelaçam,
Formando uma teia resistente,
Que me protegerá daqui para frente,
Com o horizonte iluminado e esperançoso.

Vânia Moreira Diniz

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Do Ninho para Homenagear o Poeta Por Vânia Moreira Diniz

Sérgio Arraes Moreira, irmão de Vânia
(in memoriam)

Encontrei-o no cenário de minhas primeiras lembranças e reconheci-o quando minha mãe levou-me para casa depois que cheguei ao mundo, aquecida em mantas de lã. Lugar estranho esse que precisava sofrer para encontrá-lo. Entretanto fui recebida com olhares de muito amor que aqueciam mais do que as roupas com que me cobriam.


Tudo ocorreu tão depressa que quando me dei conta já não sentia a mesma temperatura e divisava figuras estranhas.


Estava tão bem, feliz e descansada, numa morna umidade e alimentada com fartura. Não pensava, apenas sentia muito conforto e me julgava o centro de tudo, sozinha respirando por intermédio dela, que me transmitia tanto carinho que eu dormia horas a fio tranqüila e profundamente. Não sabia de nada e nem queria saber. Ouvia vozes sussurradas e quando falavam mais alto eu  me encolhia e tudo voltava ao normal.


Mas agora sentia algo desagradável e é como estivesse sendo puxada para fora do meu ninho. Repentinamente um ferro pressionava minha cabecinha e já não me sentia feliz. Será que ia desaparecer? Fechei os olhos  tentando agitar meus bracinhos e experimentei um ar entrando e me deixando tonta, horrível sensação de medo e maltrato. Não consegui respirar direito, parecia asfixiada, o oxigênio me sufocava.  

Chorei  muito, aos berros e após tantos sobressaltos conheci a sensação de lento e indefinido bem-estar. Não sei o que faziam comigo, mas admirava as coisas que eu nunca vira, coloridas e desconhecidas e uma sensação de que tinha saído do meu espaço.


Tinha que fazer um esforço para comer e escorria um líquido morno e gostoso. Desejava dormir e não queria sair dos braços que me aninhavam. O cheiro me parecia o mesmo de quando eu estava lá dentro.


Não tinha noção do tempo até que me levaram para uma casa bonita e onde conheci os outros rostos e um deles era ele. Tinha uns olhos que penetravam, olhava-me e também mexia comigo até que eu ficasse com medo. Mais tarde compreendi. Era meu irmão mais velho, companheiro em todas as fases da vida, o poeta que compartilharia os poemas compostos um dia e muitas vezes em parceria. Uma parceria de brincadeiras, amor, estudos e cantos maviosos que encantaria nossos dias.


Por isso faço uma homenagem a ele que se foi prematuramente deixando-nos num mar de saudades.E pergunto-me mil vezes se seria para o lugar de onde vim. Dia 31 seria seu aniversário, daquele mesmo poeta-irmão que me esperou após meu nascimento para transmitir-me ternura e fazer-me companhia em muitos momentos dessa vida.


O meu amanhecer nesse planeta foi cercado de risadas e de brilhos, o horizonte tão distante, o mar a poucos passos, as montanhas longínquas e onipotentes  e a figura de meu irmão mais velho, claro e rosado, cabelos negros e olhar de uma ternura jamais conhecida. Seu sorriso tinha a esperança da eterna felicidade e ao mesmo tempo a singeleza dos momentos de fantasia e paixão.


Ele me esperou num dia de outubro, muito sol e o céu claro e compreendi que tinha muito a aprender. Sua inteligência vibrante me acompanhou todos esses anos até o momento há dois anos em que partiu sereno como caminhou nas calçadas que ele cantou em ritmo harmonioso.


Eu o reconheci logo que cheguei ao mundo e indefesa, quando fixou-me os olhos castanhos e pude avaliar o meu amanhecer nesse planeta em que eu chegava aturdida, talvez já poeta, sentindo meu próprio canto nos soluços incompreensíveis e as lágrimas  que desciam, ternas, sentimentais de tristeza ou alegria , não importa, mas com o ritmo da canção e do amor. O meu amanhecer.


Vânia Moreira Diniz

sábado, 21 de maio de 2011

Rio de Janeiro

 
Vânia Moreira Diniz


Rio de Janeiro, cidade querida, que me viu nascer. Linda, maravilhosamente encantada e arrebatadora. Praias infindas transmitindo segredos especiais, com a poesia misteriosa de sua sedução fascinante.
             
Avenida Atlântica que me encheu de alento a vida, enquanto crescia em parceria com o deslumbramento dos coqueirais que se apresentavam imponentes na característica especial  e gentil da Rua Paissandu.

Rio de janeiro, que transborda de vida e alegria,enquanto as tristezas ocorrem a tão poucos passos. Doutrinando na filosofia do Cristo Redentor,proteção que sentimos desorientados embora. Rio de Janeiro, jamais encontrarei outra igual, que me faça amar tanto o  horizonte, o céu, as calçadas conhecidas, os bares regurgitados, as pessoas que transmitem no sorriso o encanto de pertencer à cidade maravilhosa  e tão cobiçada.

Rio de janeiro! A saudade me faz próxima de ti e me leva a doces recordações jamais olvidadas. Desejado lugar de benéfica loucura, escondida nos cantos de cada avenida da gentil Copacabana.

Minha cidade especial, de amigos peculiares simbolizando, juventude, alegria e amor: trio mágico e sublime. Anos dourados cuja sedução entorpeceas lembranças constantes e ensejam no encantamento dos dias vividos e esperados perene singeleza e prazer.
          
Vânia Moreira Diniz                          

Imersão total.

Vânia Moreira Diniz

                                           Foto de Fernanda Moreira Diniz em Porto Alegre


O céu de Brasília está tão azul como minha alma. Sem nuances de borrascas ou escuridão, efetivamente com o maior sorriso que já transpareceu. Passei alguns dias longe de tudo, de qualquer pensamento negativo e mergulhei inteira, em conclusões profundas no mais recôndito de minha alma, no mais prazeroso de meu corpo.


Estou como anestesiada pelo sonho real que vivi, entorpecida por esses momentos e  amando o mundo e a vida de uma maneira tão intensa, que penso estar em outra galáxia.Contemplo e sinto meu próprio coração e suas batidas pausadas acolhem todo o sentimento que dele eclode cheio de colorido e beleza.



Encontro-me em momentos de verdadeira felicidade que meus passos proporcionam  e agradeço essa graça maravilhosa. Olho de um lado a outro do meu familiar escritório e sinto ali emanações que me fazem participar da atividade do universo, de sua força e exuberância, do enriquecimento do meu próprio espírito, da generosidade de meus irmãos, da minha caminhada que por vezes se me afigurava cansativa, mas que se mostra agora compensadora e indestrutível.

Revejo cenas de suavidade e beleza, mas também, instantes difíceis que atingiram os meus passos e nem sequer consigo pensar neles com tristeza. Reflito só na força e maturidade interiores que me transmitiram, mesmo em ocasiões que pareceram difíceis e complexas.

E volto atordoada e fascinada para o mergulho que dei, enfeitiçada pela sedução desses dias, encantada pelas descobertas impressionantes que me marcaram indelevelmente. Esquecidas até das horas, ignorando que o dia é feito de minutos e segundos, deixei-me levar ao sabor do amor, da paixão, vivendo a minha vida intrinsecamente, curtindo cada segundo, experimentando sensações deslumbrantes e compreendendo a  força inexaurível do viver.

E novamente faço do céu azul meu cúmplice nessa fase de minha existência de descobertas numa outra fase de minha vida, beleza inexcedível, recordando o mar  em que fui abençoada , fazendo confidências para que não seja ingrata com as águas, cujo húmus sempre me revitalizou.

Finalmente, posso descansar, deitar, fechar os olhos com extrema ternura e permanecer no encanto desse momento enclausurada voluntariamente em mil pensamentos que resgatam de forma deslumbrante antigos e dolorosos episódios.

E ergo-me gloriosa, sorriso enfeitiçador nos lábios a emergir restaurada e para sempre navegando entre sonhos e realidade na doçura envolvente de minha alma, em sensações inebriadoras do meu corpo e encantada pela minha própria felicidade.
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