sexta-feira, 24 de junho de 2011

A Poesia


O tempo caminhou. Não mais aquele sonho, mas a presença da alegria e do encanto especialmente inspirador. Tudo parecia um conto de fadas quando a menina começou a crescer. E quanto mais crescia a presença da realidade não caminhava no mesmo ritmo. Ela tinha a sensação que vivia momentos intercalados, muito intensos e inexoravelmente irreais.   Não sabia precisar onde estava, porque viera para  esse mundo e as razões. Mas amava explorar com olhos brilhantes a perseverante natureza, bela e aconchegante como se ali fosse uma casa ofertada por um Deus indefinido.

Os dias corriam, a passagem era por vezes áspera, porém havia debaixo dos grilhões que machucavam seus pés, uma maciez  protetora e amena que a fazia andar mais célere em direção à sua meta.

Tudo era tão subjetivo que não sabia se vivia, cumpria uma finalidade ou deixava-se arrastar dolentemente. Até que encontrou sua própria alma e pode captar o sentido do que antes não soubera compreender: A poesia.  Ela ali estava iluminando seus dias, esquivando o mal, e completando o sentido de uma existência, bem como dos vôos quase literais em busca de realização. A poesia sublimava quaisquer momentos difíceis ou ásperos ou irônicos e cicatrizava as feridas que às vezes teimavam em reabrir.

A poesia permitia suas buscas, perdoava suas imperfeições e reestruturava o sentido da vida afastando as dúvidas e erguendo-a nas eventuais quedas dolorosas. Só ela conseguia elevá-la na frágil dignidade humana e nos fracassos inconseqüentes.

Sempre convivera e tivera como companheira a poesia, só que naquele momento tinha a consciência iluminada da fortaleza terna, do vigor que nascera e ia um dia morrer com ela.

Por causa dela estava ali, com os olhos de frente para o sol, em convivência com a luz das estrelas, sabendo definir a cor do céu e pairar entre nuvens brancas e macias. E por causa dela se aninhava no solo verde de capim macio, admirando como irmãs as flores que lhe comunicavam segredos, as folhas que lhe davam esperanças, os lagos e rios que  lavavam seus machucados na água corrente e o mar  gigante e esplendoroso captando cada momento e transmitindo o eco de sua voz majestosa num murmúrio sedutor.

A poesia expressava também sua harmonia no canto dos pássaros que lhe faziam bem e na musicalidade das notas rítmicas que lhe acalmavam. E representava o seu universo total tanto físico como anímico. 

Assim ela cresceu, tornou-se mulher, compartilhou das sensações as mais estranhas e profundas, amadureceu e se envolveu para sempre na poesia que jamais a deixaria cair inerte nem permitiria que ela não atingisse o sonho maior e mais profundo.

Esse sonho que era compartilhado envolto na inspiração  que não a deixaria fenecer, mas ao contrário lhe daria as mãos constantemente e se misturaria aos anseios de seu coração.

A Poesia, companheira, irmã, reflexo de sua alma e que não a deixaria morrer jamais.

Vânia Moreira Diniz

3 comentários:

  1. Querida Amiga Escritora Vânia Diniz, como é gratificante cada espaço que você cria, onde podemos apreciar mais e mais suas obras Literárias, que tanto engrandecem quem ás lê.
    Parabéns pelo novo Blog, desejando sempre muito SUCESSO, que você tanto é merecedora!
    Efigênia Coutinho

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  2. Vãnia querida
    Que bela definição de sua trajetória como poeta e do valor da poesia!!! Parabéns!!!
    beijos carinhosos
    da sua admiradora
    Maizé (Maria Lindgren)

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  3. Manamiga a Poesia nossa amiga, entretanto
    Vaninha tens a propriedade dela discorrer em prosa,crônicas, pintando para os teus leitores a linda trajetória
    e teus mais encantodores sonhos.
    bjs desta tua sempre leitoradmiradoramiga,
    virgínia fulber, além mar poetinha- RS Br.

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