quinta-feira, 30 de junho de 2011

Enquanto Espero


Enquanto espero a vitória me consolo,
erguendo meu olhar em direção oposta,
sentindo a vibração que exala e aspirando,
recompondo todos os dias que passaram.

Enquanto espero a felicidade me soergo,
enfrentando a vida que caminha natural,
compreendendo os detalhes me ergo,
e procuro absorver a beleza do momento.

Enquanto espero o doce alívio da saudade,
e meu olhar se perde em tanta imensidão,
admiro os gestos sutis de solidariedade,
fazendo desse exemplo um estandarte.

Enquanto espero a mensagem do futuro,
continuo a me surpreender com o universo,
e revendo todo o deslumbramento me curo,
dos eventuais momentos sem atração.

Enquanto espero o grito brilhante da esperança,
consigo enxergar uma vastidão exuberante,
que se aproxima lenta e com intrepidez avança,
descobrindo em meu coração um abrigo voluntário.

Enquanto espero pela hora infindável de paz,
e sinto que sem ela nada é convincente,
pressinto em minha alma uma sensação audaz,
e acelero meus passos para finalmente alcançá-la.

Vânia Moreira Diniz

terça-feira, 28 de junho de 2011

CRIANÇA


Futuro percorrendo distância
caminhando, encontrando
o destino e esperanças
que ficarão marcadas
em eternas lembranças.

Cútis lisa e macia,
olhos límpidos,cristalinos,
vigor, saúde e beleza,
desenvolvendo,
crescendo em harmonia.

O porvir está distante,
transbordante de conquistas,
e divisamos no horizonte,
fantasias longamente elaboradas.

Nada vence a criança que sorri,
altaneira, e longamente,
estuda, brinca e espera.
sonhando profundamente
em nova e gloriosa era.

Tua é a vida, criança.
o mundo é teu somente,
enche o país de triunfos.
a correção e caráter serão sementes
e frutificarão independentes.

O progresso é sucesso,
tu serás vencedor,
e com carinho peço,
que defendas, aprendas,
teu caminho com ardor,
e
que de maldade e incorreção,
tenhas sempre horror

Linda criança. hoje indefesa,
com rosto infantil e rosado,
amanhã serás a melhor defesa
para teu caminho nobre e honrado.
                    Vânia Moreira Diniz

segunda-feira, 27 de junho de 2011

PETRÓPOLIS

Saíamos pela manhã nascente
animados, entusiasmados,
visualizando horas aprazíveis,
na cidade atraente,tão fascinante,
temporada de férias buliçosas.

Pelo caminho, conversávamos,
saboreávamos bananas ouro,
muitas vezes parávamos
em bares animados
bebíamos caldo de cana
e tudo era deleite.

Cidade confortável, aprazível,
corríamos na casa espaçosa
e na piscina descansávamos,
provávamos nos intervalos
biscoitos amanteigados,
que delícia!

Petrópolis, tão frio e gostoso,
rostos corados,olhos brilhantes,
gente saudável,
Bem no alto e majestosa,
dias animados, gente simpática.

À noite, caldos reconfortantes,
consumês apetitosos,
pratos quentes, deliciosos,
e a conversa animada,
turma saltitante
em volta da mesa
arrumada com sofisticação.

Petrópolis, cidade e ruas amadas
que na infância fizeram delícias mil
e hoje traz saudades , que saudades,
recordando vivências e experiências.
Seus barzinhos, os restaurantes,
casas de guloseimas diversas,
os clubes prazerosos e a moçada em risos
vivendo,cantando,amando lá no alto da serra
na cidade de Petrópolis.

Vânia Moreira Diniz

domingo, 26 de junho de 2011

Trivialidades: canecas


Hoje vou escrever sobre trivialidades, que será tema persistente desse blog e que são importantes na vida de cada um. Isso pertence ao meu blog “Ressurgindo”  ao qual prometi ser muito pessoal e transmitir minha vida de uma forma detalhista para que possa um dia deixar para minha família e amigos  e também mostrar aos meus eventuais leitores que todos nós temos as nossas manias, principalmente nascidas na infância.

Adoro pequenas coisas nem muito valiosas,  mas que constituem para mim um fetiche. Como escritora, mesmo que desconhecida, gosto de passar para o computador (como passava antes para o papel) minhas trivialidades que até agora ficaram só comigo, mas que hoje pretendo expor como direito de qualquer pessoa que escreve.

Ontem, entrando numa importadora com muitos objetos nacionais interessantes dei com uma caneca e minha velha mania acirrou o desejo de comprá-la.

Quando meu marido está me acompanhando nessas ocasiões ele tem a máxima paciência de esperar  mesmo porque já sabe que  não sairei sem comprá-la.

Para que vocês entendam gosto de tomar água o dia inteiro enquanto trabalho com uma caneca ao lado do computador. Só não pode ser sempre a mesma. Quando ponho os olhos em outra diferente compro-a logo e peço à minha boa secretária que a prepare para mim. E um dia volto novamente para as  que deixei encostadas em outra época. Na verdade só fico encantada quando elas me conduzem ao pensamento as recordações que ficaram marcada sindelevelmente. Algo especial que não sei explicar.

Na verdade só esse tipo de  coisas me induz a ser volúvel, porque sou absolutamente  “fiel” na minha vida. No caso das canecas tenho centenas delas e quando vi essa ontem em várias cores e com uma tampa de rosca lembrei-me de quando era bem pequena quando minha mãe comprou uma parecida para levar na  dita “lancheira” tão elegante onde era colocado meu lanche.

Gostava de comprar as comidas apetitosas do colégio, mas a “medida provisória” decretada por minha mãe era que mesmo assim nós levássemos os lanches de casa. “Eram mais saudáveis”. Isso não impedia  as guloseimas depois.

Voltando à caneca habituei-me a tomar sempre em canecas escolhidas por mim tudo que fosse líquido. Desde os vinhos, ponches até os caldos quentes nas noites de inverno e água o dia inteiro.

Nunca esquecerei da primeira vez que minha mãe comprou uma caneca que muitas crianças daquela época deveriam ter que fechavam completamente formando uma roda, tão sofisticadas  mas que as freiras do colégio me impediram de oferecer a uma menina que era órfã, cuidada por elas e essa foi uma das decepções de minha vida. Proporcional à minha idade.

Chorei muito, mas recordo sempre esse acontecimento e acho que foi assim como lembrança da minha infância, que jamais esqueci esse momento da minha vida e até hoje sou apaixonada por canecas as mais diversas.

Trivialidade muito importante que projeta um filme em minha cabeça e o encanto natural de certas fases de nossa trajetória.

Desculpem o tema tão trivial, mas muitos outros estarão aqui no meu blog “Ressurgindo”, que será uma fiel testemunho de minha vida.
Vânia Moreira Diniz

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A Voz de Meu Pai


A Voz de meu pai
Homenagem no dia de seu aniversário- 24 de junho - in memoriam

Minha vida está iluminada,
O sol me aquece brilhante,
E nos ouvidos ressoa gostoso
Sempre a tua voz.

A alegria me invade e perturba,
Quero gritar cheia de felicidade,
E tudo agora logo me conturba,
Porque só ouço a tua voz.

Olho o horizonte e fecho os olhos,
Nada vejo e apenas sinto a beleza,
Meus ouvidos estão acariciados,
Sempre pela tua voz..

Deito e sonho sempre acordada,
No ritmo alucinante de segredos,
E com suavidade ouço perturbada
A tua voz sonora e querida.

Não alcanço o futuro que caminha,
Não lembro do passado que esqueci,
Hoje o presente é tudo que quero,
No som da tua voz.

Olho em volta e tudo parece quieto,
As cores se alternam em profusão,
E a energia vibra inteira em mim
Ao sussurro da tua voz. 

Quero apenas ficar muito serena,
Não entender de dor ou sofrimentos,
Conseguir usufruir agora e sempre
O carinhoso som da tua voz.
Da tua voz...

          Vânia Moreira Diniz

A Poesia


O tempo caminhou. Não mais aquele sonho, mas a presença da alegria e do encanto especialmente inspirador. Tudo parecia um conto de fadas quando a menina começou a crescer. E quanto mais crescia a presença da realidade não caminhava no mesmo ritmo. Ela tinha a sensação que vivia momentos intercalados, muito intensos e inexoravelmente irreais.   Não sabia precisar onde estava, porque viera para  esse mundo e as razões. Mas amava explorar com olhos brilhantes a perseverante natureza, bela e aconchegante como se ali fosse uma casa ofertada por um Deus indefinido.

Os dias corriam, a passagem era por vezes áspera, porém havia debaixo dos grilhões que machucavam seus pés, uma maciez  protetora e amena que a fazia andar mais célere em direção à sua meta.

Tudo era tão subjetivo que não sabia se vivia, cumpria uma finalidade ou deixava-se arrastar dolentemente. Até que encontrou sua própria alma e pode captar o sentido do que antes não soubera compreender: A poesia.  Ela ali estava iluminando seus dias, esquivando o mal, e completando o sentido de uma existência, bem como dos vôos quase literais em busca de realização. A poesia sublimava quaisquer momentos difíceis ou ásperos ou irônicos e cicatrizava as feridas que às vezes teimavam em reabrir.

A poesia permitia suas buscas, perdoava suas imperfeições e reestruturava o sentido da vida afastando as dúvidas e erguendo-a nas eventuais quedas dolorosas. Só ela conseguia elevá-la na frágil dignidade humana e nos fracassos inconseqüentes.

Sempre convivera e tivera como companheira a poesia, só que naquele momento tinha a consciência iluminada da fortaleza terna, do vigor que nascera e ia um dia morrer com ela.

Por causa dela estava ali, com os olhos de frente para o sol, em convivência com a luz das estrelas, sabendo definir a cor do céu e pairar entre nuvens brancas e macias. E por causa dela se aninhava no solo verde de capim macio, admirando como irmãs as flores que lhe comunicavam segredos, as folhas que lhe davam esperanças, os lagos e rios que  lavavam seus machucados na água corrente e o mar  gigante e esplendoroso captando cada momento e transmitindo o eco de sua voz majestosa num murmúrio sedutor.

A poesia expressava também sua harmonia no canto dos pássaros que lhe faziam bem e na musicalidade das notas rítmicas que lhe acalmavam. E representava o seu universo total tanto físico como anímico. 

Assim ela cresceu, tornou-se mulher, compartilhou das sensações as mais estranhas e profundas, amadureceu e se envolveu para sempre na poesia que jamais a deixaria cair inerte nem permitiria que ela não atingisse o sonho maior e mais profundo.

Esse sonho que era compartilhado envolto na inspiração  que não a deixaria fenecer, mas ao contrário lhe daria as mãos constantemente e se misturaria aos anseios de seu coração.

A Poesia, companheira, irmã, reflexo de sua alma e que não a deixaria morrer jamais.

Vânia Moreira Diniz

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Vacilação


Quando nas noites estreladas eu cismo,
Procurando me recolher arredia,
Indiferente a beleza nas coisas simples,
Desconhecendo o mistério sedutor da vida,
Renunciando ao segredo que carrego
E olhando simplesmente sem nada perceber
Eu vacilo...

Quando não entendo a alma de mim próxima,
Os contrastes que me atraem e amedrontam,
E procuro caminhar firme e com altivez,
Sem me preocupar com os percalços adiante,
Contornando-os despreocupada e distraída
E nada enxergo do que me cerca exuberante
Eu vacilo...

Quando não penetro no coração tão amado,
E estou sem entusiasmo e inconformada,
Querendo entender um momento sem lógica,
Negando a pujança que meus olhos vêem
Ou olvidando a beleza inestimável do perdão
Eu vacilo...

Nos momentos de depressão e incerteza,
Sem conseguir sublimar a mágoa ou a dor,
Quando a luminosidade não consegue me atingir,
E uma névoa tolda meus olhos em sombras,
Impedindo o raciocínio claro e lúcido
Eu vacilo...

Quando observo a miséria e o sofrimento,
Os desprotegidos sem direito ao protesto,
Quando as injustiças de qualquer forma
Escurecem a terra viçosa e admirável
E quando sou impotente em qualquer solução
Eu vacilo...
                  Vânia Moreira Diniz

domingo, 19 de junho de 2011

Meus pares, os seres humanos


Sinto em meus pares o caminhar da humanidade. O sentir, o pensar, a alegria de certos momentos, o entusiasmo que se espalha persistente e por que não dizer, a tristeza de certos momentos que nos induz e ao mesmo tempo seduz nas horas em que o sentimento está se exercendo.

Vou caminhando pela vida e percebo as mãos que se tocam, o mistério das mensagens que se  transmitem, e os passos sempre ritmados nos gestos, nas palavras e nos olhares que se cruzam.

Na marcha inexorável do tempo pude compreender o quanto de solidariedade e amor, me transmitiram e continuo minha estrada sempre agradecendo o mistério dos acontecimentos, a ternura que não cabe no peito e me pergunto o porquê de nossa presença neste planeta maravilhoso.

Acho que hoje, na maturidade posso entender e dar uma resposta que não conseguia nos albores de minha mocidade, quando a vida parece indecifrável e o momento é para correr em busca de tudo que nos parece enigmático.

Meus amigos, os seres humanos continuam sendo apesar dos inúmeros casos de violência, frustrações  e dor inexorável, os maiores e melhores companheiros e aqueles que são capazes de oferecer o coração ou sentir exatamente o que eu sinto compreendendo, amando, e fazendo todos os gestos de amor possíveis e necessários.

Com eles, com meus precursores aprendi a me posicionar, a sentir e entender  tudo que se estendia à minha frente e amar esse horizonte que continua iluminado e detentor de segredos intransmissíveis.
Com meus contemporâneos sinto o valor do companheirismo, altruísmo, o entendimento de mistérios que não podemos discernir e com os mais jovens a esperança de desbravar todos os intervalos e saber sobrepujar com galhardia os obstáculos.

Vou caminhando, sentindo a presença de meus pares, os seres humanos, maravilhosos semelhantes cujos sentimentos me fascinam e que me transmitem sempre a sensação aconchegante da mão estendida e as lembranças que ficarão eternamente gravadas.

Meus pares, os seres humanos uns à frente e outros jovens ou que nascerão esperando que deixemos um fruto saboroso para que eles possam experimentar serão sempre nossos melhores companheiros, ídolos que por vezes à distância admiramos ou admiraremos em certo momento e num espaço que ainda não sabemos qual será.

Vânia Moreira Diniz
19-06-2011

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Amor, única arma contra os desequilíbrios

 
È interessante como devemos guardar reminiscências desde o tempo do útero materno. O amor que é dirigido ao embrião ou feto na gravidez no meu modo de entender, pode definir  o temperamento da criança. Se nos adultos os sentimentos trazem reflexos profundos, imagine em alguém que está se formando física e psicologicamente. O nascimento tal como a morte já constitui um sofrimento diferente, mas igualmente profundo e o amor será o grande elemento que ajudará o recém-nascido a crescer com tranqüilidade, vigor e naturalmente propiciando o futuro adulto a passar por traumas com mais fortaleza e menos amargura.
Nunca esqueço de Marcos que aos dois anos ainda não falava nada. Por mais que a família insistisse e o estimulasse não dizia uma palavra e naturalmente sentia a ansiedade dos pais e familiares.
O pai era psicólogo, mas é claro que quando se trata dos próprios filhos torna-se um leigo e, além disso, o pediatra  achava que não deveria haver precipitação e que cada criança reage de uma maneira. Mesmo assim os pais levaram Marcos a um profissional. Conversaram longamente e contaram a história do filho, suas reações, seu temperamento sensível e o Dr Gilberto abraçou a criança mostrando muitos brinquedos que encantaram o garoto. Ao final da consulta os pais se encaminharam para a porta e o garoto olhava muito para o psicólogo passando sua mãozinha na do Dr. Gilberto.
 Os adultos deram-se as mãos e se cumprimentaram.
-Boa tarde e obrigada.
E qual não foi a surpresa de todos quando marquinho que nunca tinha falado uma palavra pronunciou nitidamente as mesmas palavras que ouvira
- Boa tarde e obrigada.
O garoto falou com clareza e até hoje se admite a hipótese dele ter naquele momento  ali no consultório conseguido transpor um bloqueio de insegurança. O fato é que daí em diante o pequeno passou a falar. Fala até hoje. È advogado e professor.
Assim como esse caso,  já presenciei a história de uma menina linda, inteligente e  alfabetizada muito cedo, que foi vítima de violência e passou seis meses sem conseguir pronunciar uma palavra. Creio que o caso dela foi um rompimento com o mundo exterior, já que sofrera uma dor muito grande. Talvez  o trauma a impedisse de falar porque no seu inconsciente  ficara armazenada a aflição do contato com um ser humano forte, covarde contra o qual se sentia impotente.
Só conseguiu falar seis meses depois com tratamento intensivo e principalmente muito carinho demonstrado por pessoas que lhe cercavam.
Creio que nossos pensamentos, vivências, e principalmente a forma com que começamos desde cedo a encarar a vida é o responsável pelo nosso verdadeiro eu, com suas cobranças, generosidade, compreensão ou amarguras que podem definir um caráter.
È muito sério a condução da vida de uma criança que se tornará um adulto e que poderá semear o bem, a justiça, equilíbrio, amor ou se tornar alguém amargo e infeliz, com baixa estima exacerbada refletindo uma luz opaca de desamor que influirá então em outros seres humanos.

O amor é a única arma que poderá conter os desequilíbrios que o mundo prepotente sofre. Sem ele as crianças, fruto de uma educação fria  e sem o calor da afeição se tornarão homens e mulheres infelizes e provavelmente violentos.
Vânia Moreira Diniz

terça-feira, 14 de junho de 2011

Quando o vi


Quando o vi, o rosto abatido,
Onde a fome rondava cruel,
Os olhos a contemplarem
Infindas distâncias, indagando,
A razão de sofrimento e dor,
Não pude sequer lhe responder.
Quando o vi, as costelas aparecendo,
O espectro da fome lhe rondando,
Pernas finas e sem músculos,
Dificuldade na fala lenta e suave,
Já não entendia o que fazíamos aqui,
Num mundo de exclusões assustadoras.
Quando o vi, o olhar fixo e úmido,
Como a pedir auxílio nessa vida inclemente,
O desalento, o desespero a transparecer,
A aflição inútil de ver o filho com fome,
Os ruídos do choro manso transbordaram,
Num último murmúrio de incredulidade.
Quando o vi , deitado e sem forças,
As costas feridas e mal tratadas,
A fragilidade e inconsciência a persegui-lo,
A lágrima lenta descendo involuntária,
E mesmo assim olhando-me suplicante,
Enquanto seu corpo desfalecia progressivo,
Quando o vi, a indignação se me apoderou,
Senti egoísmo e individualismo na humanidade,
Ajoelhada pedi que me perdoasse,
Por tantas vítimas da miséria que não vejo,
Pelo conforto que me cerca e desejos satisfeitos,
A fome que não sinto e as alegrias que tenho.
Quando o vi pedi perdão pelas incoerências,
Que a existência é capaz de proporcionar,
Os contrastes loucos e desesperantes,
O horror da ausência de um teto digno,
Quando o vi, pedi que me perdoasse,
E prometi que lhe daria a mão e o alimento
E não esqueceria jamais dos excluídos.
Vânia Moreira Diniz

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Dia de egoísmo e privacidade

                                                                                 
                 Enquanto teclo, trazendo meus sentimentos para o mundo real, considerando as emoções, pensando no irremediável, sofrendo com as vicissitudes, lamentando os ideais frustrados, e pedindo que apesar de tudo, ainda hoje consiga vibrar com as alegrias tantas e tão presentes, eu me volto para mim mesma.
                Lamento esse momento de egoísmo em que tenho que me ouvir, sentir ou chorar; lamento a memória que me faz lembrar do sofrimento de alguém que amo, criança e inocente e que está passando ou cumprindo uma árdua missão. Lamento!
                Vejo-a, olhos azuis e profundos sempre distantes, nariz perfeito, pele suave e rosada e cabelos lisos e bastos. Sinto-a com sua ausência de uma realidade que não pode atingir, e me pergunto por que? Contemplo-a na distância de seus pensamentos e na sensibilidade aguda e inexplorada. Enxergo o futuro, sem, no entanto me deter em imagens ou situações, visualizando apenas o que de profundo ocorrerá em seus devaneios cuja proporção, não podemos avaliar.
              Sinto-me egoísta, pensando nesse sofrimento e me arredando sem “me dar” antes do início de uma solidão que preciso.Sinto-me individualista, ao deixar que as lágrimas desçam, mas sem me voltar para um mundo que está prestes a explodir em misérias, dor , guerras , violências,  incompreensões e maldades. Devo prosseguir mesmo que meu íntimo me peça para ficar. Devo continuar mesmo que precise dessa nostalgia passageira. Devo esquecer os meus males ainda que a  angústia esteja palpitante e caminhar para tanta gente que estende a mão procurando apoio, segurança, fortaleza ou simplesmente outra mão confortadora e quente.
                 Hoje , talvez seja o meu dia de egoísmo, de concentração , girando em volta da minha própria luz que por vezes parece embaçada em momentos de reflexões profundas.
                 O dia de liberdade de poder esquecer as misérias humanas e me voltar para mim mesma num gesto estranho e inusitado.
                  O dia em que peço a privacidade envolta numa doçura que sempre conheci, e que me faz lembrar a pequena e tão querida Júlia.
                   Hoje é meu dia de meditação intensa em que me permito esquecer, rir e chorar, amar ou ficar indiferente, mas sempre conquistando a força que me levará a caminhos contrastantes. E então retroceder restaurada para abraçar o universo que distante me ilumina, alcançando o horizonte que vislumbro ainda inebriada.
                    Hoje sim. É meu dia de privacidade.
Vânia Moreira Diniz

terça-feira, 7 de junho de 2011

Conversando com Deus


Ando suavemente à procura de Deus,
Querendo encontrar algumas razões,
Para que tantos pensamentos meus,
Estejam distantes de remotas noções.

Quero clarear meu caminho invisível,
Entender  o porquê dessa indecisão,
Não entrevejo nenhum motivo plausível,
E experimento verdadeira reação.

Procuro conversar em harmonia com Deus,
Sentir sua força em toda a natureza potente,
Percebo o domínio de poderes seus,
Mas de nada verdadeiramente estou crente.

Busco a força  dos verdes e belos mares,
Desejando absorver razoável majestade
E  me encontro entre as estrelas em pares,
Cujo esplendor revelam só serenidade.

Converso silenciosamente com o Senhor,
Em minha incessante e louca procura,
Os momentos entrevistos são de amor,
Nos projetos de uma possível cura.

Já aguardo do alto uma pálida solução,
E tento acreditar na projetada esperança,
Só não visualizo uma nítida conclusão,
Para a caminhada ininterrupta que avança.
Vânia Moreira Diniz

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Dia de Amor Por Vânia Moreira Diniz


 Nesse momento quero esquecer tudo que não se refira a romantismo e alegria, olvidar as crises do país, a corrupção de pessoas que não se dão ao respeito, não lembrar nada daquilo que possa macular a doçura imensa que me domina e a milhares de pessoas tocadas por esse dia especial. Quero deixar que os eflúvios dessa canção cheguem até minha alma em concentração com carinho numa retirada poeticamente perfeita.

 
Enquanto caminho, com a imaginação acelerada, o coração em festa íntima, posso apreciar essa natureza tão pujante sempre, e preparada para o apogeu de todas as estações. Enquanto o verde se mistura às cores variadas numa festa de vida e luminosidade, convido meu interior a participar desse evento.

Continuo a andar dando graças ao Senhor absoluto do Universo que criou tanta beleza e tenho consciência do meu privilégio de estar aqui, usufruindo essa magnífica estadia nesse planeta, e principalmente vivendo-a integralmente.

Sinto o amor em suas variadas formas e tenho um profundo respeito por esse sentimento tão poderoso que independe de pensamentos e raciocínios. Não há dia, nem hora, não há o porquê e a razão se perde em seu sinuoso e profundo existir.

Junho é o mês do amor dos namorados, em que seus adeptos não vêem mais do que o olhar profundo daquele que o está fitando perdido em seu próprio mundo e carecendo do gesto de seu parceiro. É a época do recolhimento a dois, das expressões de amor só compreendidas por quem ama. Nada é preciso senão amar.  Essa sensação por vezes considerada pueril, mas a única que permanece indelével desde os primórdios do mundo.

 
Enquanto estava a refletir em todo esse mistério e o fascínio desse sentimento único capaz de absorver as pessoas e torná-las livres de interesses materiais, vi um jovem casal que se beijava. E fiquei disfarçadamente apreciando essa demonstração, a mais bela e profunda de carinho  e de paixão. Nesse momento nada existe de mais bonito e tudo em volta é pequeno e insignificante.

E nessa hora em que nos doamos, a única verdade é a entrega mágica que se torna realidade, instantes que nunca voltarão. Poderão surgir outros, mas não esse exatamente, e daí o valor imenso de cada acontecimento ou gesto que a vida recebe de nós ou nos permite vivê-la.

Quando observei discretamente os dois adolescentes pensei nas primeiras sensações maravilhosas que vem de um relacionamento como o amor. E como essas crianças devem curtir esses momentos sem, no entanto, talvez saber da sua grandeza. Da fortaleza que pela vida afora eles significarão. Paixão e amor em uníssono a nos transtornar, fazendo-nos viver experiências com a trepidante emoção que cada acontecimento nos traz.

E nesses dias, parece que o sol nos ilumina e aquece com mais propriedade, revigorando as horas de uma poesia realmente necessária e deslumbrante, a gritar dentro do coração e deixar o eco de palavras cariciosas que se transformam no desejo, e no prazer finalmente realizado.

                                                             Vânia Moreira Diniz

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Finalmente Por Vânia Moreira Diniz


Ando, devagar e pensativa,
Percorrendo lugares desconhecidos,
Admirando completamente cativa,
Os antigos vultos tão lembrados.

Na penumbra me detenho,
Concentrada e enigmática,
Na memória logo desenho,
Recente lembrança traumática.

Prossigo contemplando o além,
Desejando seu segredo adivinhar,
E divisando na paisagem aquém,
O ideal que eu quis realizar.

Pergunto-me para onde vou,
Nesse momento de indecisão,
Não consigo nem saber quem sou
E nem experimento a antiga vibração.

Novas alamedas surgirão,
Encostas margearão as avenidas,
Poderei novamente sentir meu coração
Aquecida pela inusitada acolhida.

Encontrarei brilho naquela luz,
Sentirei a vida vibrando em mim,
Escutarei a música que me seduz
E entenderei finalmente porque vim.
 Vânia Moreira Diniz

Sonho Cibernético por Vânia Moreira Diniz

     Foto de Fernanda Moreira Diniz
                                                            
Acordei de madrugada, sonhando, suando frio, e não entendia o que se passava à minha volta.  A escuridão era tão grande que eu não conseguia enxergar absolutamente nada. Mas até aí tudo bem já que curto  intensamente escuro e quando durmo não gosto de enxergar nem um fio de luz.
       Cenas parece que do futuro, tinham se infiltrado nesse sonho maluco e estranho e eu via muitos anos à minha frente, tudo que poderia acontecer em termos de tecnologia. Abria o computador e não precisava nem ligar, as imagens apareciam fisicamente e eu senti tocando numa tela translúcida, a pele da pessoa com quem conversava.
        Tudo ali era real e ao mesmo tempo vindas de uma fantasia exacerbada. Meus olhos sondavam com persistência as pessoas, que apareciam em tamanho original, tomando conhecimento até dos assuntos que não poderiam saber sem que eu contasse.
         Não existia mouse, apenas um som de acordes estranhos e sem expressão repercutia impulsionando o funcionamento de tudo e sem aparelho que fizesse treinar para se adaptar ao computador. As palavras saiam diretamente do pensamento e concluíam numa espécie de formatação e nada podia pensar porque a máquina registrava.
         Olhava para fora e não existia uma natureza que eu aprendi a amar. Tudo parecia de uma funcionalidade que enlouquecia e as pessoas adivinhavam cada palavra pensada. No desespero eu queria chorar desabafar uma sensação de nó na garganta, mas ele se desfazia à simples menção de uma pseudo-emoção. Não existiam mais lágrimas e eu procurava desesperadamente me sensibilizar com alguma recordação forte e concreta, e quanto mais procurava isso mais me sentia fria e objetiva.
            Comecei a sentir um desespero, experimentava uma sensação, mas ela não conseguia aliviar, apenas ficava guardada interiormente, e os pensamentos, os mais recônditos continuavam a serem registrados como se fosse um aparelho ligado diretamente ao cérebro.
            Lembrava-me no sonho que  nunca fora assim, e então tentava ver como podia escrever meus poemas, e eles apareciam em sequência desordenada eu querendo trazer uma ênfase que não se manifestava e minha voz presa não saía e sentia falta de falar, dizer, manifestar meus carinhos , amor, ternura. Olhava em volta, sentia as pessoas e não sabia o que sentia em relação a elas, queria chorar e não podia, falar e estava muda e no excesso de incompreensão sem ter como manifestar, acordei fria, estática, suando muito, as lágrimas descendo abençoadas, os problemas a me lembrarem que eu era um ser humano normal da minha época e do meu tempo.
            
 E então agradeci à vida e ao mundo quando abri a janela e vi a natureza maravilhosa enquanto lágrimas desciam pelo meu rosto, e lembrei o quanto de tristezas e alegrias ainda viriam, as pessoas que podiam me contemplar sem adivinharem meus pensamentos e o computador que eu ainda tinha que acionar para que ele obedecesse à minhas ordens. E a certeza que os sentimentos não foram tirados do meu coração e eu vibrava com uma sensação de felicidade, amor e muita vontade de lutar por tudo e por todos com a força da minha própria vontade indomável e voluntária.
Vânia Moreira Diniz

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Casarão Encantado Por vânia Moreira Diniz

(Ao meu avô)


Foto- Fernanda Moreira Diniz 


No Casarão Encantado vivi horas atraentes,
Rodeada de carinho e profundo amor,
Hoje as lembranças são intensas e absorventes
E fico emocionada ao recordar seu valor.

No casarão Encantado existia um senhor,
Tão majestoso e gentil que me comovia,
Acostumei-me a me aquecer em seu calor
E mesmo nas horas de ausência o sentia.

Ele me falava com estranha sabedoria,
Transmitia lições que ouvia deslumbrada
E quanto mais tempo ficava mais queria,
Escutar tantas histórias sempre relembradas.

O Casarão encantado possuía um poder
De infundir uma doce paz verdadeira,
A única ressalva é que era preciso querer
E  nesse caso a realização era certeira..

O Casarão para mim era sedutor
Lá não existia qualquer sofrimento,
O grande pai era aquele senhor
Por quem eu tinha tão terno sentimento.

Nele encontrei estrutura para crescer,
Absorvi dessa vida muita filosofia,
E com olhos bem abertos pude ver
O esplendor na travessia em cada dia.

Hoje me ficou a meiga recordação,
Mas seus efeitos ficaram permanentes,
E  tenho na alma para sempre a noção,
Das alegrias que ficaram veementes.

O senhor do Casarão partiu e o encanto quebrou,
Mas legou a herança de seus mágicos ensinamentos
e de tudo que me foi ensinado com perícia restou
a lembrança de que a palavra era um dos mandamentos.
                                 Vânia Moreira Diniz

E o Depois? Por Vânia Moreira Diniz

                                                                                                                       
                                                                                 
Pensar é algo impressionante. De visão em visão animada pelo movimento como um filme, nos detemos nas coisas mais ínfimas  e sabemos  que se não quisermos ninguém penetrará esse  mundo íntimo e maravilhoso.
 Dessas imagens surgiu-me uma pergunta: Como será tudo depois da morte? Como nos movimentaremos nesse ritmo que faz de nossos dias algo inesperado? 
                      Imagino um espaço enorme e vazio, impressionantemente cheio de paz, encoberto pela beleza etérea e incompreendida e, no entanto incrivelmente presente. Muitas vezes imaginei-me em sonhos, mesmo acordada, estar nas nuvens e conseguir permanecer naquele denso e flutuante cinza que vemos daqui de nosso planeta, sentindo inefável bem-estar tão profundo, que parecia mesmo flutuar.
                     Toda a vida então apareceria à nossa frente com uma precisão impressionante e o discernimento nos faria ver nossos atos e sentimentos em seus mínimos detalhes. Algo insondável e misterioso! Mas tudo isso são apenas deduções e a imaginação que se desdobra com toda a força de sua potencialidade.
                      A verdade é que não sabemos o depois. E isso é que gera a insegurança e por que não dizer o medo do desconhecido. Mas estive pensando longamente sobre esse mistério e cheguei à conclusão que tudo em nossa vida foi desconhecido e soubemos enfrentar  com galhardia e certa despreocupação.
                       Aproveito então para fazer uma fantasia e imaginar um jardim lindo com flores diferentes em estilos, cores e aromas, deixando que o sol, nosso conhecido e amigo brilhe e aqueça nossos corpos, um silêncio enriquecedor a contornar tudo isso e a presença de pessoas que se foram e nós amamos.
                      Imaginei minha mãe chegando suavemente sendo recebida pelo meu pai, o espírito animado como sempre, aqueles olhos azuis, enormes e profundos que o caracterizaram e o sentimento profundo que os unira. Acerquei-me então deles e já não existiam lembranças que pudessem nos separar, ficamos ali juntos e felizes durante longo tempo enquanto eu absorvia a natureza etérea e pura que me fazia respirar docemente.
                      Não existia espaço nem limite, mas algo que eu nunca poderia imaginar. Como se tudo fosse ligado e transcendental. Como se nada pudesse mais me atingir em termos de sofrimento e matéria, mas perdurava uma insegurança quanto ao lugar que eu ficaria. Ou se seria apenas uma passagem para que fosse conhecendo as diferenças mesmo ilimitadas. Naturalmente, porém naquele momento não pensava nisso ou tinha qualquer dúvida. Só depois que saíra daquele lugar é que consegui localizá-lo. Prosseguia em minha exploração silenciosa.
                      Era tudo tão magnífico e diferente, as sensações que emanavam tão positivas que eu me perguntava se estaria certa. Não queria pensar naquele instante. Desejava só sentir, mesmo que ilusório, como seria “o depois”.
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