sexta-feira, 10 de junho de 2011

Dia de egoísmo e privacidade

                                                                                 
                 Enquanto teclo, trazendo meus sentimentos para o mundo real, considerando as emoções, pensando no irremediável, sofrendo com as vicissitudes, lamentando os ideais frustrados, e pedindo que apesar de tudo, ainda hoje consiga vibrar com as alegrias tantas e tão presentes, eu me volto para mim mesma.
                Lamento esse momento de egoísmo em que tenho que me ouvir, sentir ou chorar; lamento a memória que me faz lembrar do sofrimento de alguém que amo, criança e inocente e que está passando ou cumprindo uma árdua missão. Lamento!
                Vejo-a, olhos azuis e profundos sempre distantes, nariz perfeito, pele suave e rosada e cabelos lisos e bastos. Sinto-a com sua ausência de uma realidade que não pode atingir, e me pergunto por que? Contemplo-a na distância de seus pensamentos e na sensibilidade aguda e inexplorada. Enxergo o futuro, sem, no entanto me deter em imagens ou situações, visualizando apenas o que de profundo ocorrerá em seus devaneios cuja proporção, não podemos avaliar.
              Sinto-me egoísta, pensando nesse sofrimento e me arredando sem “me dar” antes do início de uma solidão que preciso.Sinto-me individualista, ao deixar que as lágrimas desçam, mas sem me voltar para um mundo que está prestes a explodir em misérias, dor , guerras , violências,  incompreensões e maldades. Devo prosseguir mesmo que meu íntimo me peça para ficar. Devo continuar mesmo que precise dessa nostalgia passageira. Devo esquecer os meus males ainda que a  angústia esteja palpitante e caminhar para tanta gente que estende a mão procurando apoio, segurança, fortaleza ou simplesmente outra mão confortadora e quente.
                 Hoje , talvez seja o meu dia de egoísmo, de concentração , girando em volta da minha própria luz que por vezes parece embaçada em momentos de reflexões profundas.
                 O dia de liberdade de poder esquecer as misérias humanas e me voltar para mim mesma num gesto estranho e inusitado.
                  O dia em que peço a privacidade envolta numa doçura que sempre conheci, e que me faz lembrar a pequena e tão querida Júlia.
                   Hoje é meu dia de meditação intensa em que me permito esquecer, rir e chorar, amar ou ficar indiferente, mas sempre conquistando a força que me levará a caminhos contrastantes. E então retroceder restaurada para abraçar o universo que distante me ilumina, alcançando o horizonte que vislumbro ainda inebriada.
                    Hoje sim. É meu dia de privacidade.
Vânia Moreira Diniz

3 comentários:

  1. Mana, vc egoista? Soa até esquisito. Tem dias que temos que nos voltar para nós mesmos, entrar em contato com tudo que está escondido dentro daqule cantinho chamado alma. Mana, estarei sempre com você, em alegrias e tristezas. Beijo grande. Te amo. Cris

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  2. Vâninha minha queridíssima Amiga...mesmo pensando ser egoísta...és de uma generosidade sem medida!
    Gratificante leitura nos oferece...um afago em nossa alma!
    Grata Poeta Ternurinha que Admiro e quero bem

    beijinhos cheios de carinho da Li

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  3. Minha cara Presidente,

    Como sempre acontece, suas realizações são marcadas pelo talento e a dedicação. Chama-me a atenção a atualização diária de seu blog, com mensagens profundas, pontuadas por reflexões de alto conteúdo humano e filosófico. Hoje, por exemplo, às sete horas da manhã, inicio meu dia inspirado por suas "reflexões da madrugada". Obrigado e boa sorte nessa nova empreitada. Um abraço do Nestor.

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