quarta-feira, 13 de junho de 2012


Junho

O Mês de junho sempre foi um dos mais eletrizantes de minha vida. Estávamos ali no meio do ano, quase em férias, os fogos estourando, principalmente à noite, quando todos se reuniam para comemorar cada dia daquele período. Meu pai nascera em junho no mesmo dia da comemoração tradicional e essa festa deixava em meu coração uma alegria irresistível porque tudo era regozijo nessa época distante, mas sempre muito nítida.

Os fogos eram os mais variados e subiam pelo céu azul de Copacabana fazendo rabiscos diversos e formando figuras as mais fascinantes. Quando fixava os pontos já indistintos que se evaporavam no firmamento e submergiam no infinito experimentava uma sensação estranha de que tudo se perdera no nada. E que as imagens de fogo tinham descansado no meio das estrelas.

As noites de junho eram frias e belas e mesmo naquela rua barulhenta e entre muitas pessoas que visitavam a minha casa eu sentia uma estranha paz.

E as quadrilhas improvisadas, as comidas típicas e o quentão característico daquele dia esquentavam o corpo e aqueciam de ternura o coração.

Ainda havia lugar para essa sensação e parece que tudo se foi com o tempo que passou, levando-nos o direito da tranqüilidade, confiança, certeza da solidariedade e verdadeira bondade.

Dia 24 está chegando e já ouço barulho lá longe abafado e pergunto-me com dor no coração se são os fogos comemorativos ou algum tiro perdido de disputas, brigas ou inconseqüência.

Nunca poderia esquecer as festas no fluminense, fantasias estilizadas, a doçura do ambiente, a alegria expressa em cada rosto, animação que ia até pela manhã e cujo final nos entristecia.

A tecnologia foi tomando conta do mundo inteiro, hoje nos comunicamos com o outro lado do universo e podemos receber uma resposta a uma mensagem em poucos segundos, talvez seja difícil o encontro personalizado, olhos nos olhos, mãos dadas passando o calor do sentimento e as repetidas reuniões das pessoas amigas.

São João está próximo e de qualquer forma, vemos crianças animadas, esperando o grande dia e se divertindo como a claridade dos fogos do outro lado da cidade. Crianças mais amadurecidas pelas cenas de violência que presenciam, e menos lépidas pelos divertimentos sem a correria e brincadeiras de outros tempos porque o controle remoto as espera para se divertirem comodamente.

Na verdade o espírito de São João, data sempre esperada e curtida continua a fazer seus efeitos em todas as pessoas especialmente nos pequenos. Voltamos aos tempos de infância e adolescência, tentamos esquecer os últimos acontecimentos e usufruímos aquele prazer ao ar livre, sentindo a sonora risada de todos e perguntando-nos se não é ali que buscamos a energia e animação, cada vez mais longe e tão necessária à manutenção da vida e da felicidade.

São João é uma festa típica brasileira, que por mais que os anos passem e mentalidades mudem não esqueceremos o prazer de vivê-la com intensidade. As danças, as músicas reinventando o interior do país, onde se divertem todos em deleite, unidos esquecidos de quase tudo que não seja aquele momento. Esse é o verdadeiro encanto de Junho vivido especialmente no dia de são João de divertimentos lúdicos inesquecíveis.

Vânia Moreira Diniz

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