terça-feira, 11 de setembro de 2012

Voando por Vânia Moreira Diniz



                 Voei hoje em direção a um lugar especial, longe do barulho, das  businas dos carros e da efervescência que lidera os grandes centros. Imaginei que só o tumulto e o movimento me deixassem à vontade, mas acordei com a sensação de que precisava me isolar para compreender o que se passava à minha volta.

Não importava que fosse domingo, o sol brilhasse luminoso, o tempo estivesse à minha disposição  para usufruí-lo intensamente e a vida atendesse com suavidade os meus desejos.

Não interessava que o mundo se apresentasse atraente, o horizonte sem fim, as cores reproduzissem a beleza  seleta e maravilhosa que meus olhos sempre buscavam e que já encontrasse alguma esperança no porvir.

Não me preocupava com a matéria, as ruas fascinantes, o encontro das pessoas em cada canto, a ternura de olhos a fitarem o infinito ou a certeza que poderia ser feliz eternamente.

Não me incomodava com retrocesso do egoísmo, a presença da generosidade, as juras transbordantes de carinho, a ansiedade que  os dias traziam em suas horas arrastadas ou a certeza de sensações enlouquecidas.

Precisava volitar em outras paragens com leveza de quem possui asas, intercalar os espaços e ultrapassar o vento uivante e ligeiro. Passar bem acima do mar infinitamente belo senti-lo como o aliado que me conduziria acompanhando-me o vôo ilimitado.

Alcançar as nuvens, enroscando-me em sua claridade, seduzida pelo  prateado ofuscante, alucinada pelo espaço tentador. E prosseguir meu  passeio, bebendo em fontes que certamente mitigariam minha sede, parando às sombras das árvores, entendendo a voz  enérgica da natureza e encontrando-me com o horizonte que refletiria outro horizonte inatingível.

E na seqüência de meu caminho chegar finalmente às estrelas luminosas, mergulhar no azul profundo do céu a refletir a terra linda e impossível de alcançar.

Queria encontrar-me com meu espírito inaccessível esquecendo dos deveres, olvidando compromissos e esticando-me nos campos desse espaço que me acolhe em momento de abstração e recolhimento. Aprofundar-me nos meus próprios pensamentos e reminiscências.

Preciso voar com as asas ondulando em movimentos rápidos e graciosos, recebendo emanações do espírito, recolhendo sensações fascinantes  que me farão esquecer  vivências pueris e alternar vibrante entre a vida terrestre e a luz sinuosa das estrelas.

E então sentir-me plena e realizada, palpitante em minha poesia, vagueando entre o espírito sonhador e a realidade objetiva e árida.

Deitada sob a limpidez  de um ponto ilimitado eu me curvo diante da beleza e do deslumbre de cada ponto da natureza e sinto-me privilegiada e agradecida.
Vânia Moreira Diniz

4 comentários:

  1. Virgínia Momberger12 de setembro de 2012 22:41

    Grata Vaninha querida, este texto é lindo demais, vôo contigo e solto a imaginação em tua teia de afetos tão bem construída e descrita em letras. Parabéns abraço de tua
    afetuosamente grata
    virgínia

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    1. Obrigada Vica querida.
      Fico feliz que me acompanhe nesse vôo>
      Beijos

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  2. Mana, que texto lindo!!!! Não tenho usado muito a Internet, tempo de recolhimento, rs... Mas ao entrar me deparo com esta viagem que você, com competência e habilidade literária me faz lhe acompanhar. Caminhos, sonhos, reflexões e uma enorme consciência da maravilha que é a vida... Isto é o que você nos ensina, em seu silêncio que revela sua alma de poeta. Parabéns!!!1bjs. Saudades!!!!

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    1. Esse tempo de recolhimento é importante e eu compreendo, mana.
      Por vezes temos que nos recolher para dar um descanso à nossa alma e procurar metas traçadas.
      Obrigada pelo carinho de suas palavras que como sempre me tranquilizam muito.
      Beijos e carinho.

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